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Judoca brasileiro Charles Chibana fala em entrevista sobre o sonho em disputar os Jogos do Rio 2016

Após estrear com ouro no Pan de Toronto, atleta se tornou favorito para garantir vaga na seleção de judô das Olimpíadas do Rio 2016. Mas ele sabe que o caminho é longo e precisa manter os pés nos chão 10/08/2015 às 14:45
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Chibana fez sua estreia em Jogos Pan-Americanos em grande estilo
Camila Leonel Manaus (AM)

Charles Chibana fez a sua estreia em Jogos Pan Americanos em grande estilo. Logo em sua primeira participação, o paulista descendente de japoneses , conquistou a medalha de ouro na categoria até 66 kg. Apesar da conquista, o judoca já tem um novo desafio para frente: o Campeonato Mundial de Judô em Astana no Cazaquistão entre os dias 24 e 30 de agosto. Quinto lugar no Mundial de Judô em 2013, Charles vai fazendo seu nome no esporte e a maior expectativa é chegar bem para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Descendente de uma família de japoneses, desde criança esteve em contato com o judô. O avô lutava caratê, o pai judô e a tradição foi passada para Charles desde que ele tinha três anos de idade. Porém, o judô não agradava muito o pequeno Charles, que como a maioria das crianças brasileiras, preferia os campos de fiutebol aos tatames. Mas Charles é um daqueles casos em que o esporte escolhe a pessoa e conforme foi crescendo e conquistando seus primeiros títulos, foi pegando gosto pelo judô.

Além da determinação, Charles, que é 3° sargento do exército, passou por uma preparação no Programa de Atletas de Alto Rendimento (PAAR) e ainda pôde contar com o apoio da família. Aliás, a família acreditava tanto que foi assistir Charles competir no Canadá. O resultado: medalha de ouro contra o canadense Anthoine Bouchard, por ippon.

E aí, já deu para curtir a medalha de ouro que você conquistou no Pan?

Com certeza. Na verdade eu fiquei bem feliz com a medalha foi meu primeiro grande evento, vamos dizer assim. Então eu já curti bem com a família, mas já voltei porque tem o campeonato mundial que não é uma coisa fácil. Então já tem que estar preparado aí para chegar bem no campeonato.

Essa foi a sua estreia em jogos Pan Americanos. Sua família foi assitir você e, de quebra você conquistou um ouro. Qual a sensação após uma conquista dessas

Então, foi o meu primeiro Pan. Eu fiquei bem contente e eu estava bem ansioso para poder disputar. É um evento que eu nunca tinha participado  então foi bem bacana, ainda mais ganhando a medalha de ouro. Foi bem motivante, bem gostoso. Ainda mais que a minha família pôde ir assistir e é bem legal isso. Eles ficaram bem contentes. E sempre que dá, meu pai, minha mãe, minha avó, minha tia sempre comparecem sempre vai em eventos. É bem legal.

E projeções para os próximos mundiais, você vai para o Cazaquistão agora, disputar o mundial, né?

Via jo dia 12 agora para o Cazaquistão. Na verdade, a gente vai para a França, a gente faz a aclimatação e de lá a gente vai para o Cazaquistão.

E como fica a expectativa para as olímpíadas. Estamos a um ano dos jogos. Como você projeta isso?

Na verdade, eu procuro sempre estar pensando de degrau em degrau. Não adianta, só porque eu estou bem agora, pensar que já tenho a vaga para as olimpíadas. Acredito que eu tenho que batalhar todo dia para poder sempre estar carimbando a minha vaga para eu estar nos jogos olímpicos. Então agora tem o campeonato mundial, tem que ir bem nesse campeonato para poder chegar bem nas olimpíadas. Em abril, se eu não me engano é em abril que deve sair a lista, eu espero que esteja o meu nome.

Você fala de degrau em degrau, mas já conseguiu um super degrau com esse ouro. O que falta ainda para você se sentir mais seguro em relação ao seu desempenho?

Medalhar no campeonato mundial. O campeonato mundial, teoricamente, é muito mais forte do que uma olimpíada porque pode entrar duas pessoas do mesmo país e na olimpíada é uma pessoa só. Então é mais difícil. Em uma chave costuma ter mais de 70 pessoas e é bem forte. Então se eu for bem no campeonato mundial, ainda mais subir no pódio, eu acredito que aí eu dou um passo bem grande para estar nas olimpíadas.


Você é militar,  e durante a sua preparação treinou no PAAR. Existe alguma diferença na preparação para competições sendo do exército?

Na verdade, a preparação é a mesma. Na verdade, a gente fez um curso de três semanas e todo o ano a gente faz reciclagem desse programa de alto rendimento do exército. Então a gente aprendeu muita coisa que eu não sabia, aprendi no exército. Foi um curso bastante legal. A gente aprende muita coisa do judô comum, para mim não foi uma novidade, esse negócio de hierarquia. Então no exército tem bastante. É uma coisa que eu tiro o chapéu. Foi bem legal assim.

Seu avô lutava caratê, seu pai era das artes marciais. Como é ter uma família inteira praticando o esporte?

Meu pai é professor de judô. Lá em casa ao invés de dar uma bola pra gente chutar, a gente já entrava  no tatame. A gente tinha um tatame em casa. Então a gente treinava bastante. Hoje em dia eu não moro mais em casa, moro no Brooklin, que é mais perto do Pinheiros, então para mim, aqui em São Paulo tem muito trânsito, então levar uma hora, duas horas de trânsito pra mim é cansativo demais aí eu optei por morar mais perto do clube, mas sempre que dá eu volto para casa para poder ver os meus pais. Final de semana principalmente. Lá em casa é bem gostoso assim, todos já fizera judô ou ainda pratica , então final de semana agora, meus priminhos foram competir, aí como eu já tinha treindo, estava de bobeira, pensei:  “ah vou lá assistir”, foi bem bacana.

Qual foi o principal aprendizado que tu teve com a tua família no judô?

Ah, mais a disciplina. Meu vô me colocou no judô justamente pela disciplina que faz parte da filosofia do judô então é o que eu levo.

Eles avaliam a sua performance ainda hoje?

Direto. A minha mãe me liga. Hoje ela ainda não ligou, mas daqui a pouco ela liga “e aí, já treinou? Você tá fazendo o quê? Tá fazendo isso? Tá fazendo aquilo? Tá treinando queda?”.Meu pai é mais quando eu estou com ele pessoalmente e ele fala, mas a minha mãe me liga todo dia para questionar alguma coisa. Minha mãe é japonesa e o japonês tem muito disso, é bem metódico, vamos dizer assim.

Você é militar e durante o Pan, houve uma polêmica no Brasil com relação às continências prestadas no pódio. Como você lida com isso? Qual a sua opinião?

Isso é porque muitas pessoas não sabem que nós somos militares e nesse curso a gente aprende tudo sobre o que é ser um militar então ninguém obriga a gente a prestar continência. A gente aprendeu que a hora que sempre que se está hasteando a bandeira, a gente presta continência, então é um sinal de respeito e é bem bacana assim. Foi uma das coisas que eu mais curti em todo o curso que eu tive. Então a gente aprende muita coisa da pátria... é bem legal. Mas muitas pessoas levaram para o outro lado. É uma coisa que a gente aprende, né!? Acho em Londres um chinês prestou continência e não teve problema nenhum. Se for algo politico, não pode, mas isso é uma coisa nossa. É de cada um.

Tem algum adversário que você vai mirar agora no mundial?

Eu não foco só em uma pessoa. Eu foco em todas porque o judô tem um pouco disso. Então você piscou, pode cair. Então é bem complicado nessa parte. Então eu acredito que tenha que focar em todas as pessoas porque ninguém é bobo. Só porque o cara tá lá abaixo no ranking que o cara é fraco, mas não é. Tem muitas pessoas que optam por não competir muito porque hoje em dia tá muito visado e nesse ano, nós optamos  por não ficar muito exposto. Então eu fiz só duas competições e caí bastante no ranking, então temque ter sempre rotatividade e eu não tive isso porque eu estou treinando mais e me resguardar, ainda mais um ano antes das olimpíadas, vamos adotar por isso. Em 2013, eu venci o mundial, ninguém me conhecia acabei surpreendendo todo mundo. Fiquei em quinto. Na verdade, eu estava ganhando a semifinal então eu não era um atleta conhecido, então ninguém estava me visando. Então em 2014, eu cheguei como cabeça primeiro lugar do ranking, então eu estava muito visado e começaram a me estudar

Alguma coisa na sua vida mudou em questão de reocnhecimento? As pessoas te reconhecem na rua?

Ah tem bastante. Eu recebo bastante mensagens na minha página.Então é bem legal isso. São pessoas que eu nunca vi na minha vida, mas acompanha  e torcem bastante. Então é muito gostoso isso. É muito prazeiroso. Eu tenho um cachorro e eu fui no pet shop comprar ração para o meu cachorro logo que eu voltei dos jogos Pan Americanos, aí uma menininha veio disse “foi esse aí que ganhou o ouro no Pan Americano?” cochichando para a minha namorada “ah porque o meu pai quer tirar foto com ele”. Então é muito legal isso. Ser reconhecido.

Você acha que isso é devido ao bom momento que o judô brasileiro vive?

Ah com certeza e isso não é de agora é tudo fruto que a gente tá colhendo. Desde a época do Aurélio, do Rogério, desses grandes atletas a gente está podendo colher agora. Eles escreveram o nome na história e a gente está podendo continuar e manter o nível. Isso é bem legal.

E é difícil manter esse padrão alto?

É difícil, mas é um estímulo a mais porque a gente conhece essas pessoas, então a gente sabe que eles são que nem a gente: de carne e osso. Não tem segredo basta treinar e acreditar é o que a gente faz diariamente, a gente treina bastante e acredita e a gente consegue almejar o que eles já conquistaram.

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