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Heróis Paralímpicos

Laiana Batista e Guilherme Costa vencem nas paralimpíadas com histórias de superação

Primeiros medalhistas amazonenses de uma paralimpíada enfrentaram muitos obstáculos no caminho ao pódio 19/09/2016 às 17:05
Show laiana guilherme
Representantes do Amazonas, Laiana e Guilherme posaram juntos ao se encontrarem nas instalações olímpicas e declaram torcida um pelo outro. (Reprodução/Instagram)
Valter Cardoso Manaus-AM

No último sábado (18) dois amazonenses ganharam medalha de bronze nas Paralimpíadas Rio 2016. Mas o adjetivo a ser usado para definir Laiana Batista e Guilherme Costa não é ‘ganhadores’, mas sim ‘vencedores’.

A diferença entre as palavras pode ser pequena, mas é difícil explicar que os paratletas apenas chegaram na disputa de terceiro lugar e foram melhores que seus adversários. A conquista desses amazonenses ultrapassa a simplicidade dos resultados mostrados nos placares. Os dois venceram preconceitos, doenças e acidentes, e hoje são motivos de orgulho para o esporte amazonense.

A primeira conquista foi de Laiana, com a seleção brasileira feminina de vôlei sentado. O time conquistou a medalha de bronze após superar a Ucrânia por 3 sets a 0. Com o resultado, a professora de educação física conquistou a primeira medalha paralímpica da história para o Amazonas. “O que parecia ser impossível e inalcançável se transformou num sonho de bronze. Paralímpico. Obrigada gente, amo Manaus”, retribuiu a paratleta nas redes sociais.

Enquanto os torcedores ainda comemoravam a conquista do vôlei sentado no Pavilhão 6 do Riocentro, o dia se tornou ainda mais especial para o Amazonas em lugar bem próximo. Alguns metros mais longe, no Pavilhão 3, Guilherme Costa garantia a segunda medalha baré.

O amazonense, que mora em Brasília, conquistou a medalha após um jogo duro contra a Eslováquia, válido pela categoria de equipe masculina, classe1-2, no tênis de mesa. “Na verdade, fiz isso tudo por nós. Povo brasileiro. Povo amazonense. Povo brasiliense. Povo nordestino. Povo nortista. Sangue tupi. Cabra da peste. Cada Maria, cada João, cada Francisco, cada Silva, cada Pereira, cada Costa estavam comigo. Usei o manto sagrado da seleção com louvor e fervor. Teu servo trabalhou, ó pátria amada e agora eu que tenho que agradecer a cada um de vocês por nossa medalha”, desabafou Guilherme, nas redes sociais, logo após a conquista.

O caminho da superação
Se hoje o sentimento é de vitória é porque a caminhada foi longa até a consagração. Aos 18 anos, Laiana contraiu Síndrome de Guillain Barré. Atleta de ponta do voleibol de quadra desde os 14 anos, Laiana teve uma das pernas atrofiada por conta da doença e foi obrigada a abandonar o sonho de jogar vôlei profissionalmente. Após sofrer com a  doença, Laiana decidiu seguir a vida e superar as dificuldades, cursou faculdade e hoje é professora de Educação Física.

Em 2014, durante um curso antes da realização dos Jogos Adaptados André Vidal de Araújo (Javas). Laiana havia escolhido a bocha, mas acabou na turma de vôlei após um plano de amigos. Hoje, além da medalha de prata no Parapan de Toronto, no Canadá, e bronze no Mundial da Holanda, Laiana Batista pode se orgulhar de ser medalhista paralímpica.

Guilherme também precisou superar obstáculos mais fortes que seus adversários. O paratleta nasceu em Manaus, mas se mudou para Brasília aos dois anos de idade. Em novembro de 2006, Guilherme foi atropelado por um carro no Parque da Cidade, em Brasília (DF), e ficou tetraplégico. Ele chegou a praticar outros esportes como natação, capoeira, basquete, futebol e jiu-jitsu antes do acidente, e descobriu no tênis de mesa um recomeço. Começou a treinar em dezembro de 2007 e, em julho de 2008 competiu pela primeira vez na Copa Brasil.

Hoje, Guilherme estuda Direito. Agora além de  Campeão Brasileiro de Tenis de Mesa e palestrante, é medalha de bronze dos Jogos Paralímpicos Rio 2016.
 

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