Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
MOTIVADOR

Lenda do atletismo e das corridas de rua amazonenses, 'Passarinho' conta trajetória

O corredor de 64 anos é querido por todos e leva uma rotina que inclui muito amor ao esporte. Ele se tornou uma "lenda viva" das corridas no Amazonas



passarinho_5_F84266EE-FE2F-46C9-9479-F334106B1D31.jpg Apesar de ser magro, Passarinho tem muita força e corre forte (Fotos: Junio Matos)
03/03/2019 às 09:07

 Ele corre de forma leve e bonita, quase voa, como um passarinho, e é assim que Edson Medeiros, 64, é conhecido por todos, como o Passarinho. Ele corre desde os 20 anos de idade, viveu muitas coisas boas por causa do esporte, ganhou amigos, qualidade de vida, e se tornou uma “lenda viva” das corridas no Amazonas – por conhecer boa parte da história das corridas no Estado e por ser uma figura adorada por onde passa, sempre que marca presença. 

“As pessoas costumam dizer que eu corro muito, que voo nas corridas, que ninguém me pega (risos)”, disse Passarinho, que apesar de ser magro, tem muita força e corre forte, com passadas largas. “Já venci várias provas, e gosto de fazer bons tempos nas corridas”, afirma ele. 

Pela simpatia e força na corrida, Passarinho é conhecido por todos, mas de onde surgiu esse apelido? Ele lembra que foi no trabalho. “Tinha uma máquina pesada, e um cara disse, dá pro Passarinho carregar, e, no dia seguinte, eu pensei: o cara tá com raiva, me chamou de Passarinho, será que é comigo mesmo? Mas o apelido acabou pegando, eu corria com meu tio, e ele uma vez chegou me apresentando como Passarinho, e pegou. Hoje ninguém sabe meu nome, só me conhecem como Passarinho. Nas corridas e no trabalho é assim, até o reitor da universidade me conhece assim”, afirma Edson, que é técnico administrativo da Ufam. 

Como todo passarinho, Edson quer sempre ir de um lado para o outro. Geralmente, ele corre pelos percursos que a própria Ufam oferece, corre antes do expediente, mas nos finais de semana e feriados, ele faz um trajeto de 10 km da sua casa no bairro Santo Agostinho até a Ponta Negra, ida e volta. “Vou pela grama para não desgastar a musculatura, os joelhos, e tem dia que eu faço mais voltas pela praia e volto, chegando a fazer até 18, 20 km. Já fiz até 25, 30. Mas fazia o tempo mais baixo antes (risos), acho que é a idade”, disse.

Além do cuidado com os músculos, Passarinho também só sai de casa levando seus documentos dentro de um saquinho guardado no bolso. “A família fica preocupada comigo correndo sozinho, mas levo identidade e o contato de todos para caso aconteça algo”. É o preço para abrir as asas e voar.

Passarinho é tão livre que não possui técnico ou equipe; ele mesmo organiza os seus treinamentos. Corre 45 minutos por dia e faz treinos mais longos nos fins de semana. “No início, eu não sabia correr, não sabia me equipar, só saía correndo, mas fui aprendendo como é que faz, vi na televisão”, disse ele. 

Mirando novos horizontes, Passarinho disse que tem vontade de viajar, correr em outras cidades também, como já fez outras vezes. “Tenho vontade de ir para o Sul-americano Máster, no Uruguai; já corri em Montevideo e também por algumas cidades do Brasil, como Porto Alegre, São Paulo, e é sempre muito bom”.

Frase: 

"A corrida me traz saúde, a pessoa foge da bebida, das drogas, e aconselho todos a praticarem qualquer esporte, não só corrida, pois todo esporte traz coisas boas", Passarinho, corredor.

Número

44 - anos de corrida tem Passarinho, que corre desde março de 1975, quando tinha 20 anos. Sua primeira corrida foi a Duque de Caxias, que saía do Comando Militar da Amazônia, até o Relógio Municipal, no Centro.

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