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Esportes
FERA SOBRE RODAS

Lenda do skate mundial, Bob Burnquist desvenda os mistérios da Amazônia

Skatista supercampeão visita pela primeira vez Maués, a Terra do Guaraná, encontra fãs da modalidade, conhece as belezas naturais amazônicas e fala, entre outras coisas, sobre sua nova atividade: a de dirigente 27/12/2017 às 14:52
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Na proa do iate no qual estava hospedado, na praia da Maresia, em Maués, Bob fez fotos com os fãs também skatistas: idolatria que expande fronteiras / Fotos: Paulo André Nunes e Divulgação/Ambev
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Supercampeão do skate mundial, figura reconhecida em todo o mundo e com um currículo fenomenal no esporte das quatro rodinhas, o competidor Bob Burnquist, 41, teve um ano de 2017 cheio de novidades. Uma delas foi conhecer finalmente os mistérios, cultura e encantos da Amazônia. A lenda esteve de 6 a 11 deste mês pela primeira vez em Maués (a 253 quilômetros de Manaus) acompanhando a 38ª Festa do Guaraná a convite do Guaraná Antarctica.

 Ele viajou de barco, tomou banho de rio, visitou comunidades, comeu peixe e a farinha locais, viu animais exóticos como o boto tucuxi e sentiu o carinho do povo amazonense. Antes de Maués, Bob esteve no Amazonas uma única vez em Manaus em 2002, quando participou de um evento de rampa vertical com o Greenpeace. A rampa era feita de madeira certificada. Na oportunidade ele foi ao extinto hotel de selva Ariaú Towers onde teve a  experiência de caçar jacarés, por exemplo. Mas essa viagem de 253 quilômetros e uma imensidão das águas dos rios Negro, Solimões e Amazonas da capital até a Terra do Guaraná foi marcante para o competidor internacional.

“Essa viagem de barco a Maués foi a primeira vez. Vimos comunidades na beira do rio e começamos a entender um pouco mais como é a interação e o estilo de vida. Fiz visitas a fazendas de guaraná. No Centro de Maués vi a procissão de Nossa Senhora da Conceição, a galera toda. Foi muito legal de ver tudo isso de perto. O povo é encantador demais. Fiquei felizão”.

Relação com a Amazônia

A relação de Bob com a Amazônia começa, em primeiro lugar, com o fato dele ser brasileiro, diz o astro. “A Amazônia é algo do qual nós temos que defender, educar e tentar de todas as maneiras proteger, pois acaba sendo um patrimônio  mundial, pois estamos falando de natureza. Nós como brasileiros ficamos orgulhosos mas temos que aprender cada vez mais como interagir e viver de uma maneira em harmonia. A natureza ainda é muito forte aqui, a conexão que temos com o ser humano é muito forte. É óbvio que eu gostaria de vir pra cá pois é um lugar muito bonito, para difundir mais o skate, construir pistas pelo Brasil inteiro”.

Fãs em Maués                            

O astro do skate curtiu o fato de ser reconhecido em meio à floresta amazônica: na estadia em Maués, os estudantes Vinícius Monteiro, 15, e Kennedy Moraes, 16, foram para a praia da Ponta da Maresia, tradicional local e cartão-postal da cidade, em busca de tentar falar com Bob. O competidor foi para a proa do iate no qual estava hospedado e conversou com os fãs, dizendo que só não desceria para falar com eles em terra porque estava cansado. Apesar disso, ele foi atencioso. Os meninos, ambos skatistas, acharam o maior barato.

“Estou sem palavras. Quero andar de skate com ele”, disse Vinicius sobre o que representava ver, ao vivo e em cores, seu ídolo BobBurnquist. Extasiado, o garoto disse que soube que o campeão viria a Maués pelo Google, e a notícia se espalhou em um grupo de whatsapp

“Ver o Bob em pessoa é uma coisa extraordinária e do qual não esperávamos. Ele aqui no Amazonas, um cara que só vemos pela televisão”, disse Kennedy.

A dupla de amigos não sabia se sorria, se chorava, ou se apenas curtia os momentos de emoção conversando com o competidor, que ao mesmo tempo em que falava com os garotos, também autografava latinhas do Guaraná Antarctica. Segundos depois, do iate em que estava hospedado ele presenteou a dupla com duas latinhas autografadas. “Prazer te conhecer, Bob”, disse Kennedy. “O prazer é meu, valeu. Vão com Deus aí”, respondeu o campeão, que curtiu o contato com a dupla.

“Isso é muito legal. Em todos os lugares que eu vou acaba que os skatistas saem pra falar conosco. Não tinha idéia se havia muito skate aqui em Maués, mas só de aparecer eles dois, e a galera que apareceu aqui nestes dias, já vimos que o skate está aqui e precisando de incentivo e ajuda. E estamos aqui recebendo esse carinho, nos dá mais vontade de voltar e, de repente, até conectar com a prefeitura local para ver como faz para se ter uma pista pública aqui. O pessoal da federação amazonense também veio falar comigo. Acho que é legal e importante. São momentos assim que se plantam as sementes, como do guaraná, também com o skate. Agora, com essa galera, é plantar motivação  e inspiração para que o skate não pare de crescer em Maués”, comentou o skatista.

Sobre a idolatria internacional, Bob disse que fica muito feliz pois “apenas  sabe andar de skate”, sendo seu dom, e entende que a conquista, o orgulho brasileiro de sair e conquistar faz parte de uma inspiração em grupo. “Tanto eu sou inspirado, quanto inspiro e isso é muito legal de ter esse retorno, que as pessoas me recebem bem, incentivam, gostam e são fãs. É muito bom você fazer o que gosta e ainda ser reconhecido por isso. Entendo, conheço e sei a minha responsabilidade”, analisa o campeão.

Bob agora também é dirigente

O skatista divide suas atenções em duas frentes. Ele continua competindo, principalmente nos eventos de megarampa, mais solto, no entanto sem a mesma frequência de antes – no entanto, aprendendo manobras  e produzindo conteúdos (o último foi o projeto da megarampa no escuro, quando Bob ficou iluminado apenas por lâmpadas de led).

Desde o último mês de outubro, Bob Burnquist passou a enveredar por um caminho que muitos não imaginavam: o de presidente da Confederação Brasileira de Skate. “Senti que eu poderia ser útil e que existia uma necessidade. Corri atrás disso e consegui alinhar uma confusão que havia de confederações. Estou fazendo um plano olímpico, direcionando  e interagindo com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) pros fundos que vêm dos esportes olímpicos,  já que agora o skate está nos Jogos Olímpicos. Estamos difundindo os eventos e o calendário profissional. Os recursos do COB virão para nósdifundirmos e montar eventos. Isso só no ciclo olímpico, mas tem todo um trabalho no skate como todo. Então, tem todo um outro lado que eu estou participando mais, ativo, direcionando, e está sendo bem interessante. Estou aprendendo muito, obviamente isso adiciono u muitas responsabilidades, mas eu já tinha uma certa ‘responsa’ nas costas. Estou com uma equipe boa e as coisas estão indo muito bem. Quando eu conheço pessoas como da Federação Amazonense eu conheço a ver possibilidades e assuntos diferentes muito legais”, explica o agora presidente da Confederação.

Currículo de campeão

Robert Dean Silva Burnquist é filho de mãe brasileira e pai norte-americano. Nascido no Rio de Janeiro, começou a praticar skate aos 11 anos de idade, e se tornou competidor profissional aos 14 anos ainda no Brasil. Lenda no esporte, ele viajou o mundo mostrando a sua habilidade e revolucionou a modalidade ao aperfeiçoar o switch, um jeito diferente de andar, com as bases dos pés trocadas.

Bob é maior medalhista da história do X Games, com um total de 30 medalhas. Entre seus feitos está ter sido o primeiro brasileiro a levantar um título mundial, fato ocorrido em maio de 1995 e o primeiro brazuca a ganhar o Prêmio Laureus, o Óscar dos Esportes, em 2001. Foi eleito sete vezes o melhor skatista do ano, 10 vezes campeão mundial (oito vezes em megarampa e 2 vezes em vertical), maior medalhista dos X-Games (com 30 medalhas, sendo 15 de ouro). Ele inovou ao acertar um 900 na Megarampa, de costas para o obstáculo, feito que até agora só ele concretizou. Num dos feitos mais arriscados e notórios, em 2006 ele saltou o Grand Canyon, nos Estados Unidos, utilizando uma rampa de skate, corrimão e um pára-quedas nas costas! Por falar em voar literalmente, o irriquieto esportista tirou o brevê de avião e helicóptero, que lhe deixou mais à vontade para as espetaculares manobras.

No quintal de sua casa, na Califórnia (EUA), ele construiu um verdadeiro paraíso para skatistas, que ele denominou de Dreamland, traduzido, “Terra dos Sonhos”: é o maior complexo de rampas de skate do mundo, incluindo uma megarampa. 

*O repórter viajou a convite do Guaraná Antarctica

Frases

“A vida é uma coleção de sonhos. Nós somos os criadores. Só levante depois das quedas e continue sorrindo”

Bob Burnquist, skatista

“Eu aprecio o skate ao máximo. Além das medalhas, os prêmios, o reconhecimento e o dinheiro. É amando o que você faz que determina quem você é”.

Bob Burnquist, skatista

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