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Craque

Liga de vôlei LGBT: Um corte na homofobia

Torneio realizado desde 2011 usa o esporte pela autoafirmação e recebe apoio da FAV 06/10/2013 às 12:31
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Em 2013, a competição passa a ganhar ares de profissionalismo e credibilidade
Anderson Silva Manaus, AM

Este não é um torneio que visa apenas glória do lugar mais alto do pódio. O que está em jogo vale muito mais do que isso! É um prêmio que é fundamental para qualquer pessoa: a felicidade. É isso que buscam os atletas que participam do  3° Grand Prix de Voleibol LGBT, que teve a abertura realizada na última sexta-feira. O torneio dá um corte na discriminação e um bloqueio na homofobia, jogando para longe da quadra  qualquer coisa que possa contrariar o baixo astral.

O início

Realizada desde 2011, a competição passa a ganhar ares de profissionalismo, credibilidade e têm cada vez mais  participantes. “Em 2011, antes de competir eu tinha medo de me expor. Através do voleibol LGBT aprendi a não ter mais medo. Um dia a diretora de um hospital em que eu trabalhava chegou comigo e falou que me viu na televisão disputando uma competição gay. Fiquei chocada, pois as pessoas não sabiam que sou gay, mas depois todos brincavam comigo, sempre me respeitando. Foi muito legal”, disse o Elonilson Lima, 33, que adotou o codinome Leona. Hoje é atleta e  dirigente da seleção da República Tcheca e estagiário de Educação Física em uma escola da Zona Norte de Manaus.  

Família

Mas, se hoje tudo está mais tranquilo, há 15 anos as coisas eram bem diferentes. Vindo de uma família evangélica da cidade de Coari (a 370 quilômetros de Manaus), onde nasceu,  Leona tinha medo de se revelar. “Quando fiz 18 anos eu precisava da minha liberdade. Queria ser feliz perante minha família e não queria ficar me escondendo. Quis me revelar. Eu era infeliz, pois estava enganando minha mãe. Quando falei para ela, foi um alívio”, declarou o atleta, ressaltando o espanto da mãe. “Ela ficou em estado de choque. Nossa família me criticou muito por causa da religião. Ela pensou no lado moralista da família e muita das vezes eu era desprezado. Não nos demos bem depois que falei que era gay.

Um ano depois a gente passou a se entender e hoje ela me aceita como eu sou. Dos meus cinco irmãos, eu e mais um somos gays”, afirmou Leona.

Apoio

Ao contrário do amigo que não teve apoio da família no primeiro momento, Alessandro de Souza, 25, que adota o nome Havena, se diz gay desde criança. Quando falou para o pai sobre a opção escolhida ganhou apoio. “Desde pequeno sou assim. Meu pai foi o primeiro a descobrir e me deu o maior apoio. Minha mãe só depois veio aceitar. Hoje todos me tratam como uma pessoa especial e me dou muito bem. Sou muito feliz por ter esse apoio”, afirmou.

No braço

Intolerante quando ao preconceito, Havena não trata com bom humor quem pensa em tratá-lo com desrespeito ou até mesmo com ofensas. “Resolvo o preconceito no braço! A última delas foi na parada gay, em setembro. Um policial chegou nos empurrando e fui falar pra ele que não era preciso empurrar as pessoas. Aí ele veio com ignorância, mandou eu calar a boca e disse que não era para falar com ele. Pedi para ter educação e me tratou com mais ignorância. Peguei o nome dele e levei para o chefe do policiamento. Resolvi fazer um boletim de ocorrência. Eu e ele assinamos um documento, mas não retirei a queixa por preconceito. ‘Tá’ pensando que só porque é policial ele tem que nos desrespeitar?”, bradou.

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