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Lutador amazonense Adriano Martins fala com exclusividade ao CRAQUE sobre sua participação no UFC 192

E ele não falou apenas sobre o combate que fará no dia 3 de outubro. Martins lembrou momentos marcantes da carreira e projetou seu futuro no Ultimate  19/09/2015 às 21:05
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Martins vai enfrentar lutador russo ainda invicto
Leanderson Lima ---

Nada foi fácil na vida do amazonense Adriano Martins, 32. Antes de chegar à maior organização de MMA do mundo, o UFC, ele teve que lutar e muito - em todos os sentidos.

A primeira batalha foi ter que dividir o tempo de treino com empregos convencionais. Ele também teve que ralar em eventos de pequeno porte. Em um deles, chegou a enfrentar três adversários em uma mesma noite – venceu todos. As pelejas, porém, valeram a pena.

Os tempos difíceis ficaram para trás. Hoje, Adriano está vivendo em Deerfield Beach, na Florida, Estados Unidos, onde se prepara para seu mais novo desafio: o russo Islam Makhachev, nove anos mais jovem e invicto na categoria dos leves. A luta acontecerá no próximo dia  3 de outubro, no UFC 192, em Houston, Texas. 

Martins sabe que uma boa vitória abrirá caminho no ranking da organização, onde poderá começar uma caminhada mais sólida rumo a seu principal objetivo: o título mundial. Tudo isso, é claro, sem pressa, dando um passo de cada vez.  

Confira então os principais trechos da entrevista onde a fera “baixou” a guarda e respondeu sobre tudo.   


Me fala sobre o início da sua carreira. Como foi a tua ida para o mundo das artes marciais, como foi o seu começo?

Comecei a treinar com 11 anos judô, conquistei alguns títulos importantes para nosso Estado, como o de campeão brasileiro. Aos 14 anos comecei a treinar jiu-jitsu e também fui conquistando títulos importantes para o nosso País. Fui campeão mundial duas vezes, várias vezes campeão amazonense, entre outros (títulos)... Sempre no inicio é difícil, não tinha apoio de nenhum órgão estadual ou municipal, minha mãe vendia rifa para que eu pudesse pagar minhas inscrições. Meus professores promoviam feijoadas, bingos etc. Aos 17 conheci o MMA por um a caso, pois estava em Boa Vista com meu professor Cristiano Carioca quando ele se lesionou e não pôde lutar. Foi então que lutei no lugar dele, na época (o MMA) ainda era bem rústico, não havia luvas, coquilha e protetor bucal.  Dei início a minha carreira no MMA profissional. Eu não acreditava muito, porém meu professor fez com que eu acreditasse. E também observei depois da estreia e primeira vitoria que poderia ter benefício financeiro.

Você começou como a maioria dos lutadores, batalhando em eventos menores, com boas vitórias, mas de repente você teve uma chance de aparecer para um grande público (o evento foi transmitido para vários países) quando lutou a primeira vez no Jungle Fight 2, quando você enfrentou o francês Boris Jonstomp. Mas você não conseguiu vencer e algumas pessoas criticaram teu jogo por você ter decidido trocar muito com um cara que era campeão de kickboxer e você campeão no jiu-jitsu. Foi um lutão, mas você acha que isso, de alguma forma, atrasou a sua projeção em nível nacional e internacional?  

Acredito que tudo é no tempo certo. Hoje estou preparado mentalmente, fisicamente, tenho uma boa estrutura familiar, e estrutura profissional. Penso que poucos sabem, naquela luta eu estava em over training (resposta negativa do corpo causada principalmente por excesso de treino) e todos nós estávamos também aprendendo muito. Não acredito que isso tenha atrasado minha carreira, porque pra mim nunca foi fácil mesmo... ainda mais sendo da região Norte, humilde e de pouca influencia na sociedade.



Martins está treinando nos EUA

Ainda sobre combates mais antigos, você teve duas lutas que considero antológicas contra o Daniel Trindade. O que você lembra desses combates? E quais lutas você considera inesquecíveis na tua carreira?     

Daniel Trindade é um grande lutador, sempre que lutei com ele enfrentei um leão, mas graças a Deus e minha equipe mantive sempre a vitoria. Um torneio muito marcante foi um comitê de lutas (Gladiator of the Jungle), que participei em Manaus na qual fiz três lutas em uma noite e me sagrei campeão do torneio, sendo que eu era o menor da categoria, na qual não havia limite de peso e muitos me perguntavam o que eu estava fazendo naquele lugar? Muitos nem acreditavam que eu iria lutar. E todas as minhas lutas foram muito importantes e marcaram uma fase da minha vida.

Você é um espelho, hoje, para muitos lutadores que estão começando, mas quem foi o ídolo do Adriano Martins no início?

Bom, não tenho ídolos, meu grande exemplo de vida é Jesus, mas tive lutadores que admirei muito, como Mohamed Ali e Manny Pacquiao. Na verdade os admiro até hoje.

Você é um cara muito família. Como driblar a saudade da família quando você está em fase de preparação no exterior?

Bom, dessa vez vim para passar mais tempo nos Estados Unidos, mas sempre que posso trago minha família esposa e filhos. Já estamos há quatro meses nos Estados Unidos, minha esposa e filha estão me acompanhando e meu filho que mora com a mãe em breve estará conosco. Sinto falta dos meus pais e filho (Pedro Henrique), porém o fato de minha esposa e filha (estarem comigo) ajuda bastante a amortecer a saudade.

E como está sendo o seu camping para esta luta? O que você tem trabalhado?

O meu camping esta sendo todo feito na America Top Team, com a equipe da America Top Team, treinamos de tudo um pouco e fazemos também treinos específicos.

O seu adversário, o russo Islam Makhachev tem um cartel com 12 vitórias sendo duas por nocaute, seis por finalização e quatro por decisão dos juízes. Dá pra vê que é um lutador que gosta da luta agarrada. Você vem do jiu-jitsu. Imagina uma luta mais no chão ou você vai continuar mantendo seu jogo como striker que é?

Vou fazer meu jogo e estou preparado para qualquer circunstância de luta. Gosto de trocar, gosto muito de boxe, porém também gosto de jiu-jitsu, sou faixa preta e estou preparado. Se tive que trocar muito vamos trocar e se tiver que fazer chão vamos fazer.

A diferença de idade entre você e o seu adversário é de nove anos. Ele está invicto na carreira, mas você é lutador bem mais experiente. Como administrar a questão do “gás”, já que o rival é mais jovem? 

Acredito que a idade não seja problema, não vejo o MMA como um esporte específico para pessoas muito jovens. Na maioria das vezes, os grandes campeões chegam ao auge da carreira em uma idade mais madura e podemos citar vários no UFC.

Em termos de subida no ranking, o que uma vitória contra o russo pode significar na tua carreira dentro do UFC?

Não sei porque a forma que eles avaliam é muito particular: na última luta ganhei do 15º do ranking e não assumi a posição oficialmente. Não me preocupo com quem vou lutar, vou subindo cada degrau por vez e atingindo o meu objetivo.

Depois que o Jon Jones perdeu o cinturão, José Aldo virou o número 1 peso por peso. Para você ele é o melhor peso por peso ou tem outro lutador que você considera melhor ou mais completo que o Aldo dentro do UFC?  

Acredito que o José Aldo está em um lugar merecido, ele lutou, ele fez muito para estar onde estar. Nós, lutadores, sabemos o que passamos e não é fácil ser campeão, e ainda mais se manter no primeiro lugar.

Para finalizar, Adriano, eu queria que você deixasse um recado para a torcida amazonense que vai te prestigiar neste combate no dia 3 de outubro.

Eu estou contando com a torcida de todos, agradeço o carinho e a consideração de cada um, quando eu entrar no octógono não vou entrar sozinho, vou dá o meu melhor para meu Estado e para meu País.


Perfil

Nome: Adriano Martins
Time:  American Top Team (EUA)
Idade: 32 anos

Cartel:   27 vitórias sendo 12 por nocautes (44%), três finalizações (11%), 12 decisões dos árbitros (44%). Sete derrotas: 2 nocautes e cinco por decisão dos árbitros.  

Meta: Entrar no ranking dos principais lutadores da categoria leve do UFC e depois ser campeão mundial.

Patrocinadores: Equador Petróleo, Prefeitura de Manaus, Top Life  e Programa Josué Neto. 

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