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Lutadora de MMA se prepara para voltar ao octógono depois de ter seu primeiro filho

Há pouco mais de dois meses,  Davina Maciel ganhou o seu maior troféu, o pequeno Davi Luiz, que se transformou na principal inspiração para que a nova mamãe volte a competir 21/09/2014 às 15:51
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Davi, filho de Davina, nasceu há dois meses
Lorenna Serrão Manaus (AM)

Superar desafios nunca foi um problema para a lutadora Davina Maciel, a primeira mulher amazonense a participar de uma competição de MMA no Estado. Hoje, aos 29 anos, a atleta vive um novo momento e encara a difícil e deliciosa missão de ser mãe.

Há pouco mais de dois meses, ela ganhou o seu maior troféu, o pequeno Davi Luiz, que nasceu no dia 2 de julho, e se transformou na principal inspiração para que a nova mamãe, que agora sonha em conquistar o cinturão do Jungle Figth, volte a competir o mais rápido possível.

Davi nasceu de uma cesárea e por isso, Davina, segundo os médicos, deve esperar pelo menos mais três meses para retornar aos treinamentos normalmente, sem correr nenhum risco, mas é claro que a primeira amazonense a subir no octógono, atleta desde os 12 anos e que está acostumada a treinar de igual para igual com homens, não conseguiu ficar totalmente parada. 

Com uma nova meta a ser batida no esporte, ela já recuperou a forma física de antes da gravidez. “Eu caminho todos os dias, coloco o Davi no carrinho e vou andar pelo bairro. Não fiz nenhuma dieta para perder os 20 quilos que ganhei durante a gravidez, mas acho que a amamentação foi fundamental para que eu voltasse ao peso de antes, agora estou com 57 quilos”, comentou.

Em 2006, Davina fez história ao protagonizar, ao lado da japonesa Kanako Inaba, a primeira luta feminina no Jungle Figth. A amazonense venceu por nocaute técnico, finalizando a adversária, mas, apesar da excelente apresentação e da vitória incontestável no 2º round, Davina não levou o cinturão.

“Naquela época não havia cinturão, infelizmente. Por isso, este ano, quando assisti à luta feminina no card principal do evento, fiquei com muita vontade de entrar no octógono, lutar e vencer, claro! Vi aquele cinturão e fiquei imaginando como ele vai ficar bonito na minha cintura, ele combina comigo”, disse a atleta, cheia de otimismo.

Desde então, ela não parou mais de pensar no seu retorno ao Jungle Figth. Aliás, voltar a pisar no palco de um dos maiores eventos de MMA do País é o que Davina mais deseja no momento. “Eu quero muito lutar no Jungle Figth, mas sei que não vai ser nada fácil. Afinal preciso fazer, no mínimo, três boas lutas, para ser convidada para o evento. Minha categoria é até 52 quilos, ou seja, terei que perder alguns quilos. Por conta da cirurgia, ainda não posso voltar ao treinamento de MMA. Estou ótima, mas a recomendação médica é que eu espere por mais três meses”, completou.

Para se manter, Davina dá aula de jiu-jitsu para três amigos e também, algumas vezes presta serviço como faxineira. Mas, ela também conta com ajuda dos seus patrocinadores: Doutor Guilherme Carvalho, Senki Kimonos e Deuza Eventos, que nunca deixaram de apoiá-la. “Eudson Lima, que é um grande amigo, queria treinar comigo, mas agora com o Davi, fica difícil eu ir para academia. Então, ele (Eudson) me deu um tatame e agora nós treinamos na minha casa, sempre que possível”, comentou a atleta.

Além de Eudson Lima, Jean Carlos e Diego Lima também treinam com Davina. Eles contam que gostam de tirar dúvidas com a lutadora e não se incomodam nem um pouco com o fato dela ser mulher. “No tatame não tem sexo, cor e nem raça. Somos todos iguais. Treinar com a Davina é bom por isso, ficamos à vontade, nem percebemos que estamos lutando com uma mulher. Ela é uma ótima atleta”, contou Diego Lima, que voltou a treinar depois de perder o filho em um acidente de trânsito.

“Eu parei de treinar jiu-jitsu em 2007 para me dedicar ao trabalho e aos estudos. Já tem um tempo que eu queria voltar, mas sempre aparecia alguma coisa. Com a perda do meu filho, encontrei no tatame a forma ideal para amenizar a minha dor, isso aqui (jiu-jitsu) é a minha terapia”, pontuou Diego Lima.

A palavra do mestre

Ângelo Carioca é o mestre de jiu-jitsu de Davina Maciel, a conhece há muito tempo e por isso, com convicção, afirma que ela tem todas as chances de voltar a brilhar no octógono do Jungle Fight. “Ela é uma grande guerreira, tem uma técnica apurada e tem muita experiência. Além do mais tem uma força de vontade tremenda, ou seja, possui todos os requisitos que uma verdadeira lutadora precisa ter para vencer”, disse ele.

O mestre, que também é preparador físico, acredita que seis meses é tempo suficiente para Davina recuperar o ritmo, voltar a treinar e a competir. “Tenho certeza que, com seis meses de trabalho árduo na academia Carioca Team ela terá de volta o lugar que é seu por direito, que é o lugar mais alto do pódio. É só pegar o ritmo dos treinos, a pior parte, que ela vai arrebentar de novo, com certeza”, completou. Ainda segundo ele, os trabalhos devem começar logo após as eleições, mas por conta da cirurgia dela, com muita calma. A preparação física terá o apoio também de uma nutricionista.

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