Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020
Drama

Lutadores de MMA do AM comentam sobre as dificuldades da paralisação da modalidade

Além do público que perde o entretenimento, os atletas que tiram seu sustento do esporte sofrem em dobro: não praticam aquilo que amam e ainda perdem seu ganha pão



WhatsApp_Image_2020-04-05_at_14.46.57_C759CBA8-CDB0-4BBF-887E-03F90B41CDFF.jpeg Foto: Eraldo Lopes
05/04/2020 às 14:19

A pandemia de Coronavírus (COVID-19) vem causando estragos sem precedentes na saúde mundial, com inúmeros hospitais lotados, fatalidades e estados clínicos graves. Do lado econômico, apesar de reparáveis, os efeitos do novo vírus também são gigantescos. Com a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), para que o isolamento social seja feito, diversos eventos esportivos estão sendo cancelados ou adiados ao redor de todo o planeta. Além do público que perde o entretenimento, os atletas que tiram seu sustento do esporte sofrem em dobro: não praticam aquilo que amam e ainda perdem seu ganha pão. Três lutadores manauaras: Klinger Pinheiro, Sérgio Ribeiro e Lucas Ananias (todos da academia Márcio Pontes Brazilian Jiu-jítsu), que iriam participar do Jungle Fight 103 - uma das maiores organizações de MMA da América Latina -, no sábado passado (21), relatam as dificuldades impostas pela pandemia.

“É um momento extremamente difícil. Sem precedentes pra mim. Estava esperando essa oportunidade para defender meu cinturão e aconteceu essa situação aí no mundo todo. Não podemos treinar com nossos amigos, fazer uma preparação física boa. Isso está abalando todos do MMA. Pra falar a verdade agora renda minha eu não tenho, ainda recebo um pouco de ajuda dos patrocinadores e do meu pai”, revelou o atual campeão peso galo do Jungle Fight, que apesar do grande título que possui, logo pode estar trabalhando em uma área totalmente distinta.



“Estou com esperanças de que essa fase ruim vai passar, contava com a bolsa dessa luta. Até mesmo os patrocinadores estão precisando restringir suas atividades, então sabemos que essa ajuda não será por muito tempo. Eu sei mexer com parte elétrica de ar condicionado, posso fazer serviços de ‘office boy’. Espero que não precise chegar a esse ponto”, disse Klinger Pinheiro, que acumula cartel de oito vitórias e apenas duas derrotas na carreira. 

Para o lutador Sérgio Ribeiro, dar aulas particulares de MMA e até mesmo preparação física podem ser uma salvação financeira, tendo em vista que podem limitar o número de alunos e ainda conseguem algum sustento. 

“Tenho uma aluna que não quis parar, aí é a única no momento. Por enquanto é o que está dando um pouco mais de apoio,porque todos os eventos estão cancelados e essa é a maneira que ganhamos nosso dinheiro. Até mesmo pra manter a forma física é muito difícil. Nós sobrevivemos disso, o patrocínio só existe quando tem luta”, afirmou o peso galo que possui 11 vitórias e quatro derrotas em seu cartel. 

Ele também analisa a parte psicológica de se isolar do ‘dia pra noite’, deixando de lado a intensa rotina de atleta. 

“É tenso demais. Nós do MMA temos uma vida corrida, de muito esforço físico, são vários treinos num dia. Aí de uma hora pra outra você tem que ficar isolado em casa, sem fazer nada. Até penso que uma semana dá pra aguentar mas na outra a pessoa fica doida. Seu corpo está acostumado a um determinado ritmo e você tranca ele em casa do nada”, desabafou o guerreiro dos ringues.

Já Lucas Ananias, estava vivendo o seu melhor momento nos octógonos, com cinco vitórias seguidas - acumulando 12 vitórias e três derrotas no cartel -, ele era favorito para seu confronto no Jungle Fight e afirmaria ainda mais sua extraordinária fase em caso de resultado positivo. 

“Confesso que nunca imaginei que chegaria nessa proporção. Hoje eu tiro meu sustento exclusivamente da luta, com tudo adiado e sem data pra retorno, é muito complicado. Se eu não luto, o dinheiro não entra”, declarou o atleta que além do Jungle Fight, tinha compromisso marcado em luta na Sérvia juntamente de seu colega de academia Sérgio Ribeiro. 

Ele revela que já toma medidas para não ficar totalmente estagnado financeiramente e sabe que os patrocinadores fazem o que podem para ajudar em meio a pandemia. 

“Esse mês eu tive que vender peças de carro que eu tinha, vendi um pedal de guitarra, que é meu hobby. Tudo isso pra poder ajudar um pouco em casa. É muito preocupante porque até quem nos ajuda, as empresas, estão numa situação muito complicada com a paralisação. O maior problema é que não existe previsão nenhuma de volta das atividades”, contou o lutador peso-pena. 

Apesar de todo o cenário desanimador, Lucas garante que não vai parar de ‘lutar’ por seus objetivos, mas caso seja necessário, eles podem ser adiados um pouco. 

“Procuro fazer um bico aqui, outro ali. A princípio meu plano é conseguir uma renda fixa, mesmo que isso esteja sendo muito difícil no momento. Jamais vou desistir daquilo que acredito, é o meu sonho. Eu sou muito confiante de que logo tudo isso vai passar e as coisas vão voltar ao normal”, concluiu tendo esperança de dias melhores.

News whatsapp image 2019 06 21 at 16.12.51 7cbfadd4 8d2b 47cf a09e 336b83276e71
Repórter de A CRÍTICA

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.