Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019
COM TODO 'GÁS'

Atleta de MMA do AM empresta força do trabalho em nocautes nos ringues

O guerreiro baré Jeferson Santos pega no ‘pesado’ desde a infância. Hoje, empresta sua força aos ringues para nocautear seus adversários



WhatsApp_Image_2019-11-17_at_18.22.57_113D180B-2305-46E3-ABC7-0E6EF7CEAE9E.jpeg Foto: Sandro Pereira
18/11/2019 às 07:33

O trabalho ‘pesado’ é a fonte de renda de milhares de brasileiros espalhados pelos País. Muitos desses precisam conciliar outras atividades para complementar sua renda e fazem do seu dia a dia uma ‘luta’ constante, de muita força e superação. 

‘Nocauteando’ as adversidades e ‘finalizando’ qualquer desânimo, os casos de atletas das artes marciais mistas que ‘emprestam’ sua força do trabalho para os octógonos são vários.



Agora, um amazonense que ‘arregaçou’ suas mangas aos 11 anos de idade para cortar madeira com o pai, aos 16 entrou no ramo de carregador de gás - passou quase toda sua vida realizando essa atividade - e aos 30 possui uma trajetória de sucesso no mundo da luta, não se encontra todo dia. O nome dessa ‘fera’ é Jeferson Santos. 

“Aos 11 anos comecei a trabalhar com meu pai, ele é madeireiro. Então desde muito novo cortava madeira e ajudava ele. Sempre trabalhei usando força”, destacou o lutador de MMA. 

É Jeferson Santos quem será a atração principal do Silva Combat Fight, que acontece no dia 30 deste mês, na Academia Atala, às 19h (de Manaus). O guerreiro que entra com todo ‘gás’ no octógono enfrenta Ramon Flecha pelo cinturão da divisão meio-médio, até 77kg. 

“Apareceu essa oportunidade, é um evento muito bom e aceitei. Acredito que eu ganhe essa luta. Não será fácil, mas acho que não vou ter muitos problemas. Estarei na minha área de conforto”, apontou o manauara, que acumula um cartel 12 vitórias e cinco derrotas em 17 lutas dentro do MMA.

Início de trajetória

Atualmente, trabalhando como segurança, o lutador possui uma trajetória de vida baseada no trabalho pesado, na força física e psicológica, mas sobretudo, na superação. 

“Desde os meus 11 anos eu trabalho, isso faz o diferencial na hora dos problemas, na hora da luta mesmo. Se estou numa posição desconfortável meu psicológico não se abate”, afirmou o especialista em muay thai. 

O início da jornada do guerreiro no mundo das lutas veio através da arte marcial tailandesa, modalidade na qual até hoje ele ainda não foi vencido.

“Desde criança sempre gostei de assistir luta. Com 15 anos comecei meus treinos de muay thai e gostei. Aos 20 anos migrei para o MMA, em busca de melhoria financeira. Era algo que também ia me tirar da zona de conforto, o muay thai”, comentou sobre a relação com o MMA. 

E quando Jeferson cita a modalidade como sua “zona de conforto”, ele sustenta essa fala com a impressionante marca de 16 vitórias no muay thai e nenhuma derrota.

Sacríficios no caminho

Para alcançar bons resultados nas artes marciais mistas, Jeferson teve de abrir mão de partes muito importantes em sua vida. Conciliando trabalho e os perídoso para treinos, o tempo para se dedicar aos estudos foi praticamente nulo. 

“Terminei o ensino médio, estudei até meus 17 anos. Não consegui fazer faculdade e foquei no mundo da luta. Meu foco foi inteiramente crescer na luta para obter retorno financeiro dessa forma”, disse Jeferson, que conseguiu trilhar uma bela caminhada no MMA, acumulando cinco cinturões por diferentes organizações. 

“Acho que a minha trajetória difícil fez muito bem para mim, melhorou muito o meu psicológico. Me fortaleceu bastante o fato de eu nunca ter tido uma vida tranquila”, afirmou sobre suas ‘lutas’ fora dos ringues.

No ‘pesado’ desde cedo

Na sua adolescência, após deixar o trabalho com o pai, Jeferson continuou usando de sua força para obter renda. 

“Com 16 anos comecei a trabalhar como carregador de gás. Na primeira empresa que trabalhei carregava uma média de 30 à 40 botijas por dia, das 7h às 17h. Não era tanto, mas na segunda empresa era uma média de 12 mil botijas para apenas quatro funcionários”, revelou o guerreiro baré das lutas. 

Isso fez com que o atleta conseguisse manter-se em plena forma para subir no octógono e ‘empilhar’ adversários no seu cartel.

“Eu não precisava nem fazer parte física. Carregando essa quantidade de botija por dia era só fazer os treinos específicos mesmo. De certa forma era uma vantagem”, disse o meio-médio. 

Além do serviço em distribuidoras de gás, Jeferson já passou por outros trabalhos que também exigiram sua imponência física e força bruta. 

“Já trabalhei em loja de material de construção, em supermercado, em distribuidora de cimento. Lá eu carregava em média 500 sacas de cimento por dia”, afirmou sobre suas experiências no ramo braçal. 

Apesar das dificuldades passadas, Jeferson sabe que está no caminho certo para melhorar sua qualidade de vida.

“Trabalhar como carregador de gás foi uma oportunidade que se abriu para mim. As coisas não estão fáceis, tem que procurar trabalho onde dá. O importante é estar trabalhando e tentar melhorar”, contou. 

Negócio da China

A vida de luta dentro e fora do octógono já está dando frutos para Jeferson. Além dos resultados expressivos no cenário regional, o lutador recebeu oportunidade através de um amigo para dar aulas de MMA na China, do outro lado do mundo.

“Um amigo meu está morando na China e no começo do ano tinha me chamado para ir morar lá também. Mas como tenho filho e precisaria me organizar, pedi mais um tempo. Aí resolvi mandar meu primo na frente, agora ele está com dois meses lá dando aula. O salário para o professor de arte marcial nem se compara”, revelou o lutador sobre a oportunidade que pode mudar sua vida para sempre.

Com planos de viajar para o continente asiático no ano que vem, Jeferson pretende, além de finalmente trabalhar fazendo o que ama, lutar em eventos na China e conquistar seu espaço no cenário mundial de MMA.

“No começo de 2020 pretendo estar viajando para morar lá também, eu e minha família. O foco é lutar em eventos grandes e também dar aula. Porque não dá nem para comparar a premiação de lutas aqui no Brasil e lá”, apontou o amazonense. 

Consciente de que precisa planejar seu futuro um passo de cada vez, Jeferson evita projetar outros rumos para o decorrer de sua carreira nas lutas.

“Claro que todos querem estar nos Estados Unidos, é a terra da esperança e dos sonhos. Mas agora é focar na China, no trabalho como professor de artes marciais que terei lá e, quem sabe, depois de três ou quatro anos pensar mais à frente”, analisou o lutador de MMA. 

Porém, pensando em Ásia e MMA, é inevitável lembrar do ONE Championship, maior evento do continente que possui grandes brasileiros dentro da organização, à exemplo do também amazonense Bibiano Fernandes, atual campeão peso-galo do evento. 

“Quem sabe não consigo assinar um contrato com o ONE, que é um dos maiores eventos do mundo. Vou trabalhar para que isso aconteça, dando o melhor para conseguir realizar meus sonhos”, concluiu.

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