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Marcos Piter confirma que chegou a ser demitido, mas ressalta que o elenco quis que ele ficasse

Demissão do treinador do Penarol chegou a ser anunciada no site oficial do clube. Depois, o próprio clube publicou uma nova nota dizendo que voltou atrás na decisão. 02/06/2015 às 23:44
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Marquinhos Piter passou para os seus comandados que, a partir de agora, o campeonato é outro
Denir Simplício ---

Um dia que ficará marcado nos anais do futebol Baré. Assim podemos classificar o que ocorreu no Penarol Atlético Clube nas últimas 24 horas. A diretoria penarolense demitiu o treinador Marcos Piter depois das declarações dadas pelo técnico logo após a derrota para o Nacional. Pouco tempo depois, o elenco do Leão da Velha Serpa simplesmente “bateu o pé” e disse que não entraria em campo contra o Naça, caso o comandante do grupo não fosse readmitido no cargo.

Na quebra de braço entre jogadores e dirigentes do Penarol venceu o elenco do Leão de Itacoatiara, que ficou do lado de Marcos Piter.


Divulgação

A notícia da demissão do técnico foi divulgada  no site oficial do clube na internet na manhã de ontem, que trazia a seguinte manchete: “Marcos Piter não é mais técnico do clube”. Horas depois a torcida penarolense voltou a se surpreender com a mesma página que anunciava: “Em novas conversas, diretoria volta atrás e mantém Marcos Piter no Penarol”.

O disse me disse só foi elucidado quando o diretor do conselho deliberativo do Penarol, Illa Rabelo, confirmou a “rebelião penarolense”. “Foi verdade. Eles (jogadores) ameaçaram não entrar em campo se a diretoria não chamasse o treinador de volta”, revelou constrangido o dirigente, dizendo ainda que os dirigentes tiveram que acatar a exigência do grupo de jogadores para não causar mais problemas. “Estamos no fim do campeonato. Eles apoiam o técnico e achamos melhor não criar mais confusão”, explicou.
 
Piter fortalecido
“Fui demitido sim, mas os jogadores não aceitaram”, confirmou o ex-demitido Marcos Piter. O técnico, que está no cargo desde o início do Campeonato Amazonense, disse que foi procurado no hotel onde está hospedado e foi comunicado da demissão.

“O diretor veio aqui no hotel. Me chamou e disse que eu não era mais treinador do Penarol. Eu fiquei tranquilo e disse que tudo bem. Me disse que viria me pagar às 10h e não veio. Depois me ligaram do clube e me pediram pra ir lá e que havia uma reunião”, relatou Piter, dizendo que se surpreendeu quando adentrou na reunião e viu todo o elenco do Penarol pedindo pelo seu retorno.

“Fiquei surpreso. Todos os jogadores estavam lá pra me dar apoio. Eles sabem que eu sempre estive do lado deles. Que em momento algum eu disse que joguei a toalha. Sou profissional e homem o bastante pra lutar até o fim”, desabafou o treinador, lembrando das críticas que teceu contra a diretoria.

“Fui mal interpretado. Mas não tiro uma vírgula do que eu disse. Eu critiquei não foi pra denegrir a imagem do Penarol. O Penarol é grande, é bicampeão amazonense e merece ser respeitado. Foram críticas construtivas para que no ano que vêm o clube possa estar melhor preparado”, disse o treinador.

Liderança

Um dos líderes da “Primavera Penarolense”, o volante Filipe Cristiano, tentou amenizar a situação, mas confirmou que todos os atletas do Penarol foram contra a demissão de Marcos Piter. “O Piter é um cara que está junto da gente nos apoiando na derrota, na vitória. A gente até  compreende a decisão da diretoria, mas nós jogadores temos a nossa (opinião) e nessa reunião conversamos. Foi uma reunião muito tranquila e a diretoria ouviu a nossa opinião e voltou atrás”, revelou o jogador.

A presidente do Penarol, a empresária Patrícia Serudo, deixou Itacoatiara momentos antes da “insurreição” dos atletas e, mesmo à distância, acompanhou a reunião. Em comunicado destinado à imprensa, a  mandatária culpou a “falta de comunicação” pela demissão do técnico e afirmou que os jogadores e diretoria haviam entrando num consenso e optado pela permanência de Piter. “Nossa equipe de comunicação divulgou a demissão no nosso meio de comunicação oficial, que é o site. Foi um equívoco. Um problema interno que nós vamos resolver por aqui”, pontuou Serudo.

Fechados com Piter
Filipe Cristiano, que não vai poder jogar a segunda partida das semifinais contra o Naça, por ter sido expulso, comentou que elenco acredita em Marcos Piter e, apesar do revés contra o Nacional, ainda crê na classificação.

“O grupo tá fechado com o Piter. O grupo está tranquilo e depois de uma derrota, eu te falo que está tudo bem? Não está! Mas sabemos que só a gente que pode dar a volta por cima, e no mínimo fazer um grande jogo contra o Nacional”, disse o volante, revelando que pra reverter o placar de 2 a 0 contra o Leão da Vila Municipal, o Penarol terá de beirar a perfeição.

“Vamos ter que ser quase perfeitos pra conseguir uma virada. Mas se temos chance, vamos até o final”, comentou o jogador.
Para chegar a final do Barezão, o Penarol terá de bater o Naça por três gols de diferença no próximo sábado, na Colina.

Da “tempestade” que assolou o clube da Cidade da Pedra Pintada quem saiu desacreditada foi a diretoria do Penarol. Alvo de críticas do treinador Marcos Piter, a cúpula penarolense teve de “engolir seco” a “rebelião” dos jogadores e ainda readmitir o comandante da equipe à contragosto.

Ameaçados pelos atletas do próprio clube, os dirigentes recuaram da decisão tomada em mais de três horas de reunião na segunda-feira (1º) com receio de perder por W.O. para o Nacional o jogo da volta das semifinais do Barezão. O pior foi ter anunciado a demissão do técnico na página oficial do clube, segundo sua presidente, sem sua prévia autorização.

Piter não quis revelar o nome do cartola que foi ao hotel demiti-lo, mas deixou bem claro que desse “temporal” que caiu no Penarol nenhuma gota respingou no treinador, que chega a terceira semifinal de Estadual seguida.

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