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'Me chamaram de mercenário': após acesso, Léo Paraíba fala de sua passagem pelo Nacional

Um dos destaques da campanha do Remo no retorno à Série C, o meia-atacante Léo Paraíba fala, entre outros assuntos, sobre a campanha com o Leão do Pará e porquê não disputou o Brasileirão da Série D pelo Naça 26/10/2015 às 15:19
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Velho conhecido da torcida amazonense, o jogador conquistou o seu espaço no Remo
Camila Leonel Manaus (AM)

No último domingo (18), o Clube do Remo consquistou o acesso para a série C ao vencer o Operário –PR em casa. Além do acesso, a equipe paraense – que em 2015 foi a única do norte a conseguir o acesso para a 3° divisão -  se classificou para as semifinais da série D. Um dos destaques da campanha do time paraense é um velho conhecido da torcida amazonense. O meia-atacante Léo Paraíba.

 O jogador, natural de Santa Rita, no estado da Paraíba, defendeu as cores do Nacional, onde foi campeão amazonense, em 2014 e foi um dos destaques do Leão da Vila Municipal. Em 2015, o jogador vestiu a camisa do Princesa do Solimões. No estadual, além do vice campeonato, Léo anotou oito gols no Tubarão.

E foi no Princesa que o jogador chamou a atenção do Remo, quando as duas equipes se enfrentaram pela Copa Verde no primeiro semestre. Após o término do Barezão, o jogador foi para o Pará defender outro leão, esta vez o Leão Azul do Pará.

Mas se em Manaus, o jogador já tinha status de ídolo da torcida, no Pará ele precisou conquistar o seu espaço, principalmente com peças importantes como Aleilson, Eduardo Ramos, Rafael Paty. O jogador precisou mostrar todo o seu futebol para conquistar a confiança do técnico Cacaio e da torcida. Léo jogou a partida de volta contra o Operário, pois estava cumprindo suspensão pelo terceiro amarelo, mas contou ao CRAQUE como foi a sensação de conquistar um acesso, do clima  entre o grupo e o foco para abocanhar o título da série D.

Como está sendo a experiência de jogar no Remo?

A experiência é muito boa. Eu sabia que  no começo ia ser difícil pela grandeza do Remo, pela qualidade dos jogadores  e da torcida, mas a gente tinha a confiança que ia chegar lá. E agora é agradecer a Deus  pelo que ele vem fazendo na minha vida e a minha família.

O Remo teve interesse por você quando te viu jogando no Princesa do Solimões, mas ao chegar no clube você teve que conquistar seu espaço, pois o ataque remista tem boas opções. Como é essa disputa por espaço e como foi que você foi adquirindo confiança pra ganhar credibilidade com o Cacaio e com a torcida?

 Acho que foi mais a personalidade confiar em Deus e em mim e no meu trabalho. Sabia que ia ser difícil. Como você disse, no Remo tem vários jogadores de qualidade, jogadores rodados, mas a vontade tá sobressaindo. É difícil sim conquistar espaço pelos jogadores que tem aqui e vem fazendo um bom campeonato pelo Remo, mas a gente acredita no nosso trabalho.

 Você não jogou a partida de volta contra o o Operário, mas estava no estádio. Como é para um jogador ver a equipe jogar daquela forma que jogou, ver a explosão da torcida? Pode comentar sobre as sensações desse jogo?

A sensação é bem ruim. Ficar fora de um jogo importante podendo ajudar os companheiros... a gente sabia da dificuldade o jogo. Eu ainda pensei se ia para o jogo, mas ficar acompanhando de fora do estádio é muito ruim, é melhor estar lá dentro. Mas  mesmo não jogando esse jogo contra o Operário eu só tenho posso dar graças a Deus porque ele vem me abençoando e agradecer os companheiros de ataque como o Aleilson e agora é centrar no Botafogo.

 E como é assistir o jogo com a torcida do Remo. Vendo a festa que eles fizeram com o acesso?

Sobre a torcida do Remo, não tenho o que falar não. É uma torcida espetacular e vem mostrando que é uma das melhores torcidas do norte e até do Brasil. Tem que tirar o chapéu.

Acesso conquistado, isso deixa o time mais leve?

Tira um peso das costas estava sabia que estava sendo difícil muito cobrado pela imprensa pela torcida tirou um peso, mas nada que deixe a gente relaxado porque temos um jogo difícil. Conquistamos o acesso é para torcida, mas o titulo e pra nós e nós vamos brigar por ele. 

Como tá o pensamento para a semifinal contra o Botafogo?

Pensamos que o Botafogo estar entre os quatro semifinalistas não foi em vão. A série D contava com vários times e independente do Botafogo vai ser difícil , mas vamos trabalhar para um resultado positivo e trazer para casa o título.

Muitos jornais do Pará falaram muito sobre a união da equipe e que isso foi fundamental para a campanha do time no campeonato. Como é o clima no dia-a-dia do Remo?

O clima é de família. Temos no Remo uma união de família. No começo do campeonato passamos dificuldades de salário atrasado, mas todo mundo continuou ali. Nunca joguei num grupo tão único com esse.

Vocês estrearam no Brasileiro com um empate e na primeira fase chegaram a perder para o Náutico –RR, um time considerado fraco. Em algum momento vocês desacreditaram da classificação? Em que momento o time engrenou na competição?

Na série D não tem negócio de time fraco, isso ou aquilo. Você está na série D de um campeonato nacional. O campeonato brasileiro e difícil, a qualidade é pra quem tem. Teve gente que foi na vontade e quem foi na qualidade. Quem foi na vontade pode ter se dado bem no começo, mas quem tem a qualidade se sobressaiu e nós temos qualidade e conseguimos o objetivo que é o acesso.

Você já jogou no Nacional, conhece a equipe e antes da partida contra o time amazonense, você falou que o jogo seria difícil e chegou a comparar com uma final. Pelo elenco nacionalino, você achou que o Nacional fosse eliminado tão cedo?

Não esperava que o Nacional cairia tão cedo. Para mim, o Nacional iria brigar sim pelo acesso e até pelo titulo da Série D pelo campeonato amazonense que fez, pelo grupo de jogadores e pela folha salarial que tinha, mas não sei o que aconteceu com o Nacional. Eu já joguei lá, tenho um carinho muito grande pelo Nacional que me acompanhou, me acolheu. Mas eu fiquei triste por algumas coisas que aconteceram. Disseram que eu era mercenário porque me chamaram pra receber um salário bem abaixo  e eu não aceitei. Fiquei chateado, mas não tenho mágoa. Fiquei chateado pelo Lana também. Ele falou muita besteira, tem uma língua muito grande e, por isso, ficou um clima tenso, fiquei chateado, mas tenho um carinho grande pelo Nacional. Não guardo nenhuma mágoa.

Você jogou no Amazonas e agora está no Pará. O que tem de semelhança e diferença no futebol desses dois lugares?

O paraense tem mais forte essa coisa de torcida. Aqui todo mundo torce pelo Remo, ou pelo Paysandu. Não tem divisória. E a torcida vai para os jogos. Lota estádio, lota treino. Então aqui eles têm mais aquele amor da torcida. Jogar com 35 mil no domingo, às 7h da noite não é em todo lugar que você vê isso.

E você já tinha jogado com uma torcida tão grande no estádio?

 Com torcida grande eu só tinha jogado contra. A favor não. Ver a torcida gritando seu nome é bonito, gratificante.

 E planos para o futuro. Pretende ficar no Remo?

Meu contrato vai até o final do ano, não tenho nada certo. Se for da vontade de Deus, do Remo e dos empresários renovar eu fico aqui. Mas ficando ou não, eu só tenho a agradecer a Deus.

Como é a relação do seu filho com o futebol? Em uma entrevista, disseram que perguntaram quem era melhor, você ou o Eduardo Ramos e ele respondeu que era o seu companheiro de equipe. Isso foi verdade?

Eles (a família do jogador) vieram essa semana para ver o jogo. Ele é muito apegado a bola. O pai gosta, então o filho gosta também. Fizeram a pergunta para ele e ele disse que era o Eduardo Ramos e eu fiquei feliz sim com isso. Isso é futebol! Até mesmo a criança que vem vendo futebol percebe o jogador que o Eduardo é. Ele é um cara que vem numa boa fase e torço para que ele conquiste mais coisas.


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