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Esportes
Volta por cima!

Medalhista nas paralimpíadas, Guilherme Costa revela que quase abandonou o esporte

Medalhista paralímpico, Guilherme Costa retorna a Manaus e confessa que pensou em desistir da carreira antes das Paralimpíadas do Rio, mas deu a volta por cima e já sonha com os Jogos Tóquio 2020 04/10/2016 às 05:00 - Atualizado em 04/10/2016 às 08:14
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De passagem em Manaus, jogador visitou a Mini Vila Olímpica do Coroado e ainda jogou com as crianças no local. (Foto: Antônio Lima)
Valter Cardoso Manaus-AM

Qual o recado de um medalhista paralímpico para as pessoas que torceram para ele após uma conquista histórica? A pergunta parece ser simples, mas a resposta não é. Guilherme Costa, mesatenista medalha de bronze no Rio 2016, parou alguns segundos analisando a pergunta antes de respondê-la. “É difícil, antes eu sempre respondi essa pergunta de primeira, só que agora eu levo com mais responsabilidade o peso dessa medalha”, revelou ele.

A pausa para a reflexão é compreensível, já que há alguns meses a pausa poderia ser definitiva. Guilherme chegou a pensar em largar o esporte para se dedicar à faculdade e às palestras que ministra. 

“A vida  de atleta é uma vida que lida com frustração e êxito o tempo todo e diretamente. Eu costumo dizer que é sem piedade. Ano passado foi um ano muito difícil. Foi um ano que eu pensei em desistir em vários momentos, chegou em outubro era largar ou continuar lutando e aí foi quando eu entrei numa psicóloga, um coaching esportivo e esse ano eu ainda agreguei com a psicóloga esportiva, que foi o que me levantou. Eles falaram ‘cara, você nadou isso para chegar na véspera das olimpíadas e desistir? Não, vamos lá, você tem potencial’. Eu sempre ouvi que era uma promessa para Rio 2016, só que não entendia isso e acho que ainda não entendi, a ficha ainda tá caindo, mas eu tô curtindo este momento e agradecendo. Tudo mudou com a medalha”, disse Guilherme, sorrindo.

Após a conquista da medalha, Guilherme tem enfrentado uma agenda cheia de compromissos. Além de uma série de entrevistas, o paratleta tem inúmeros convites para homenagens e cerimônias. 

“Querendo ou não, estamos em evidência, uma nação clama por nós, olha por nós. O Daniel Dias é um exemplo disso. É uma chance de divulgar tanto o esporte da Laiana (Batista), que é o vôlei sentado, quanto no meu esporte que é o tênis de mesa. E eu tô me deixando viver este momento, porque principalmente este ano eu abri mão de tudo, de dar palestra que é uma coisa que eu amo, da minha banda que é uma coisa que eu amo,  de entrevistas, para me manter focado, porque eu sabia que era necessário naquele momento”, explicou Guilherme Costa.

Em janeiro, o paratleta troca a maratona de entrevistas por uma maratona de treinos, focando os Jogos Tóquio 2020. O atleta que nasceu em Manaus, e está de passagem na cidade, mora em Brasília, mas em breve deve se mudar para São Paulo, onde os polo de tênis de mesa deve ficar concentrado. “Eu cheguei bastante desestimulado nas Olimpíadas, porque tinham acontecido várias coisas. Tava querendo seguir outros rumos. Dois dias de Olimpíadas eu liguei para a minha mãe e falei ‘Mãe, eu quero ir pra Tóquio porque isso é muito bom, quero viver isso de novo’. E a perspectiva, hoje, é de que o projeto continue”, revelou ele.

 Todas essas reviravoltas foram o motivo pelo qual Guilherme parou aqueles segundos antes de deixar seu recado, mas ele foi direto.
“Agradeço o povo amazonense, agradeço ao município de Manaus por ter acreditado em mim, por alguns momentos que até eu duvidei do meu potencial.
Esse momento bom que eu tô vivendo vai passar como os momentos ruins também passaram então é uma questão de ter fé em Deus e continuar lutando. Que tudo tá escrito para o nosso bem. É nisso que eu me apego e é por isso que eu agradeço, desde o dia que fiquei tetraplérgico até hoje, que me torneio um medalhista paralímpico, eu só agradeço a Deus por estar vivo”, finalizou ele.

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