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Esportes
METEORO DO BOXE

Medalhista em 1968, Servílio fala com exclusividade sobre a carreira

Servílio de Oliveira teve uma carreira curta, mas brilhante no boxe. O ex-atleta conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1968, no México. 28/07/2016 às 09:50
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Servílio acredita que os atletas brasileiros farão bonito nos Jogos do Rio (Foto: Arquivo Pessoal)
Valter Cardoso Manaus (AM)

O dicionário define meteoro como um “fenômeno luminoso que ocorre por ocasião da passagem de um corpo sólido do espaço para a atmosfera terrestre”. E meteórico é realmente o melhor adjetivo para ser usado quando falamos da carreira de Servílio de Oliveira.

O fenômeno do boxe brilhou nos ringues por ocasião da passagem de golpes sólidos por entre as luvas dos adversários. Golpes estes que garantiram a primeira medalha do boxe brasileiro há quase 50 anos. Também foi um golpe que lhe tirou da carreira extremamente promissora.

Natural do bairro do Ipiranga, São Paulo, nascido em 06 de maio de 1948, sétimo filho, entre treze irmãos, sete homens e seis mulheres. Este é o normal Servílio. O lado extraordinário dele vem no currículo.  No boxe amador, realizou 35 lutas, e perdeu 5. No boxe profissional, realizou vinte lutas, invicto. 

Mas antes de se encantar com as luvas, a então criança se encantava com outro esporte. “O meu primeiro contato foi com o futebol. Antes, e depois de 1958, aos 10 anos de idade, com a brilhante conquista do Brasil, no campeonato mundial de futebol, na Suécia. Época de Zito, Garrincha, Pelé e tantos outros craques, que certamente, que jogando aquele futebol, ainda seriam titulares da seleção brasileira. Saudades”, lembrou ele.  Mas quis o destino que o ‘Pelé do Boxe’ mudasse o seu destino.  “Depois, com a primeira conquista do título mundial de Eder Jofre, no dia 18 de novembro de 1960, despertou em mim, a vontade de também, me tornar um campeão de boxe”.

Em 1967, Servílio ainda iniciava na carreira de boxeador (Foto: Arquivo Pessoal)

Servílio começou a praticar boxe, de maneira lúdica, aos 12 anos de idade e estreou no boxe amador, no Torneio de A Gazeta Esportiva aos 17 anos, em 1966.  

O auge
Apenas dois anos depois da estreia, a medalha olímpica. Nos Jogos Olímpicos do México, em 1968, teve a maior conquista de sua carreira: Uma medalha olímpica de bronze, a 14ª medalha na história do País nas Olimpíadas, primeira medalha no boxe.

“Não me considerava favorito, aliás, ficamos sabendo da nossa participação nos Jogos Olímpicos poucos dias antes do embarque. Segundo o Comitê Olímpico Brasileiro, não havia verba. A modalidade boxe, viajou com apenas três representantes. Técnico: Antonio Ângelo Carollo, voxeadores: Expedito Alencar, e eu. Categorias 67 meio médio, e 51, peso mosca. Das três medalhas conquistadas pelo Brasil, uma foi a nossa medalha”, lembrou Servílio de Oliveira.

Nos Jogos Olímpicos de Verão de 1968 enfrentou e venceu  Engin Yedgard da Turquia e  o ganês Joe Destimo, mas a trajetória nas Olimpíadas parou no mexicano Ricardo Delgado, na semifinal, atleta da anfitriã daquele torneio.

“Você sempre parte para a competição com a intenção de vencer e avançar. Mas para superar o lutador de casa, não basta vencer, você deverá convencer também, os cinco juízes postados em torno do quadrilátero. Naquela época, no boxe, o Brasil não tinha nenhuma representatividade”, analisou o
 ex-boxeador.

Com o regulamento da época, o lutador que fosse derrotado nas semifinais não precisava disputar o bronze, automaticamente ficava com a medalha. Mas mesmo assim, Servílio garante que não ficou com o sentimento de derrota ao fim da competição. Mas qual é o sentimento de ter uma medalha olímpica no peito? “Sentimento de missão cumprida!!  Ufa...”, brincou ele.

O golpe
Em 1969, um ano após a conquista do bronze, Servílio tornou-se pugilista profissional, onde alcançaria a marca de 20 vitórias em 20 lutas disputadas. Foi campeão sul-americano no Equador e chegou ao terceiro lugar no ranking mundial.

 Após dois anos colecionando recordes e adversários derrotados, Servílio teve uma luta decisiva contra Tony Moreno, quando recebeu um golpe no olho esquerdo. Como em um filme de Rocky Balboa, Servílio seguiu na luta até o fim e saiu do ringue vencedor, como de costume. Mas o golpe havia lhe provocado deslocamento da retina. Por causa desse problema, contra a própria vontade, o boxeador foi obrigado a abandonar o boxe aos 23 anos. Mas isso não significa que ele desistiu.

Em 1978, Servílio voltou aos ringues. Foram 5 lutas e 5 vitórias.  Tudo caminhava para uma nova chance na carreira, mas ao tentar disputar o título sul-americano,  o  Conselho Mundial de Boxe o impediu de participar ao problema de vista. Desta vez, Servílio realmente abandonou a carreira.

O legado


Depois de tanto tempo após o subir o pódio e ver a bandeira tremular, o que marca a vida de um atleta carregar uma medalha olímpica pelo resto da vida? Servílio é bem específico sobre isso. “Orgulho de saber que os jogos olímpicos da era moderna se deu em 1896 na Grécia, e que o Brasil participa desde 1920, e que de lá para cá, conquistou apenas 108 medalhas, e que eu faço parte efetivamente da história, em um País que ostenta duzentos milhões de habitantes”, respondeu Servílio de Oliveira.

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