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Esportes
Primeiros da história do AM

Medalhistas paralímpicos, Guilherme e Laiana esperam inspirar novas gerações

Os paratletas amazonenses se encontraram pela primeira vez em Manaus na manhã desta segunda-feira (3) 04/10/2016 às 05:00 - Atualizado em 04/10/2016 às 08:21
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Guilherme e Laiana se encontraram na frente do Teatro Amazonas. Foto: Evandro Seixas
Dani Brito Manaus

É bronze! Não, espera um pouco. É um bronze com valor de ouro! Após a participação histórica nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, no mês passado, os paratletas amazonenses Laiana Batista e Guilherme Costa se encontraram pela primeira vez em sua terra natal na manhã desta segunda-feira (3). E o MANAUS HOJE foi testemunha deste passeio no centro da cidade. A dupla conquistou as duas primeiras medalhas da história do Estado em uma edição de Paralimpíada. Laiana foi bronze com a seleção brasileira de vôlei sentado e Guilherme faturou o bronze por equipes no tênis de mesa. 

O encontro, no Largo São Sebastião, foi marcado por muitas risadas e lembranças. O curioso é que a dupla não se conhecia antes dos Jogos. Mas, durante as Paralimpíadas Rio 2016 (e em meio de 4.359 atletas), Guilherme e Laiana se encontraram e mostraram afinidade desde a primeira conversa. “Eu e a Lala não nos conhecíamos, só tínhamos ouvido falar um do outro. E eu não via a hora de conhecer essa conterrânea guerreira como eu. E no meio de uma delegação de quase 500 pessoas, eu procurei feito um louco por ela. Quando nos conhecemos, foi só alegria”, lembrou Guilherme.  “Na primeira vez que eu o vi, fiz uma grande festa. Era como se estivesse em casa no meio de toda aquela gente de tantos países. E juntos, demos muito apoio um para o outro nos momentos difíceis. E também comemoramos juntos as nossas medalhas”, destacou Laiana Batista. Várias pessoas que passavam pelo Largo na manhã de nesta segunda-feira parabenizavam os paratletas e aproveitava para garantir uma foto.

Lições de vida
As vidas de Guilherme e Laiana tem alguns pontos em comum. Ambos tiveram o curso de sua história modificada. E ao invés de se lamentar, aproveitaram para deixar os traumas de lado e se reerguer.

Laiana já jogava vôlei quando contraiu uma dengue hemorrágica e como consequência uma síndrome de Guillain Barré, que a fez ficar com uma deficiência nas pernas. “Quando me vi na cama sem os movimentos das pernas fiquei desesperada e por muitas vezes fui egoísta, pedindo até mesmo para morrer. Contudo, uma vez eu vi minha mãe ajoelhada ao lado da minha cama pedindo a Deus para passar todo o meu sofrimento para ela. Naquele momento, eu percebi que a vida estava ali, só esperando que eu reagisse”, relatou a atleta.

Já Guilherme praticava futebol e jiu-jítsu na época em que foi atropelado por um carro que estava a 105 Km/h. Foram 20 dias em coma, sete cirurgias, sete bactérias e a certeza de que tinha ficado tetraplégico. “No hospital eu vi muita gente triste e eu ao contrário, acordei do com vontade de colaborar com os médicos. Prometi para eu mesmo que se saísse dali, eu teria um porquê de estar vivo. Hoje o tênis é um dos maiores motivos”, declarou Gui.

Após tantas comemorações, os dois heróis amazonenses já planejam o futuro. Ano que vem os dois se mudam para São Paulo, onde devem continuar treinando já visando o próximo ciclo paralímpico. Enquanto isso, a dupla segue firme conciliando o tempo entre treinos e palestras sobre o valor de acreditar no seu próprio potencial.

Um espelho para o futuro
Nesta semana, os dois paratletas irão participar de uma reunião na Assembleia Legislativa do Estado para discutir sobre o futuro do paradesporto no Amazonas. Segundo eles, Manaus tem condições de se tornar um grande centro das modalidades e se igualar com restante do país. “Estamos deixando um ótimo legado. Hoje as crianças nos veem como exemplo, como heróis. Esta é a hora de as autoridades investirem, incentivarem. A base deve ser nas escola públicas”, destacou Laiana. Guilherme mora em Brasília, onde existe o centro de treinamento de tênis de mesa, contudo, no próximo ano ele também irá se mudar para a cidade paulista. Sobre a importância de tudo que está acontecendo ele garante que o melhor é a oportunidade deverá ser dada a partir de agora para novos paratletas. “Esse é o momento de a gente se unir para garantir que haja um futuro próspero para o paradesporto. Eu vivi uma coisa muito boa e espero que tenha abertos as portas para outros atletas”, ressaltou.

 

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