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Membranas do estádio Arena da Amazônia vendidas como ‘auto- limpantes’ já estão encardidas

Inseridas no projeto de construção da obra como membranas translúcidas e auto-limpantes, o material não se adequou ao clima amazônico, já apresenta manchas de sujeira e terá de passar por uma limpeza manual 23/11/2014 às 17:56
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Cobertura foi construída em forma de um paneiro, pequeno cesto de vime
Denir Simplício Manaus (AM)

A Copa do Mundo se foi e o estádio que custou quase R$ 670 milhões aos cofres públicos ainda cheira a novo. No entanto, pouco mais de nove meses após sua inauguração, a cobertura da Arena da Amazônia começa a apresentar manchas de sujeira por conta da ação do tempo.

Inseridas no projeto de construção da obra como membranas translúcidas e auto-limpantes, o material não se adequou ao clima amazônico e terá de passar por uma limpeza manual.

O projeto, que foi concebido em uma parceria do escritório alemão Von Gerkan, Marg und Partner (GMP) com o brasileiro Grupo Stadia, visava, segundo seus autores, refletir a identidade amazônica. Porém, os projetistas não contavam com a peculiaridade do clima quente e úmido da região.

Construída em forma de um “paneiro” (pequeno cesto de vime), as membranas que cobrem e circundam o estádio deram uma beleza peculiar ao estádio que recebeu quatro jogos da Copa do Mundo.

Made in Alemanha

A empresa responsável pela fabricação das membranas, Cenotec, é de origem alemã. Construídas em fibra de vidro, revestidas com Politetrafluoretileno (PTFE), o material que envolve a Arena da Amazônia foi feito para durar 30 anos. Ao todo, foram instalados 252 painéis em tamanhos variados, sendo 180 na cobertura e 72 na fachada. A área total ocupada pelos painéis corresponde a 31 mil metros quadrados.

Por ser fotossensível, a aparência da membrana é alterada pela exposição ao sol, até atingir sua cor final, que é o branco. No entanto, essa parte branca da estrutura do estádio começa a ficar encardida por conta das chuvas que começam a castigar a capital.

Fundação Vila Olímpica

“Vendidas” como auto-limpantes, a administração do estádio, que está a cargo da Fundação Vila Olímpica (FVO), pelo menos até a Arena ser privatizada, terá de fazer a limpeza da estrutura. O que só deve acontecer depois da final do Campeonato Amazonense da Série B.

“Realmente as membranas da Arena da Amazônia estão apresentando esse problema (manchas). A estrutura parece não ter se adaptado ao clima amazônico. Mas vamos resolver isso em dezembro, com a limpeza da estrutura”, explicou o diretor técnico da FVO, Ariovaldo Malízia.

Com custos de manutenção girando em torno de R$ 700 mil, a conservação da Arena da Amazônia, que era de responsabilidade da Magiclean, passará a ser feita pela empresa J.M. Serviços Profissionais, Construções e Comércio Profissionais Ltda. Malízia não soube informar se a nova contratada será responsável pela limpeza das membranas.

“Não sei se a nova empresa será responsável pela limpeza das membranas. Talvez esse assunto não esteja no escopo do contrato. Mas essa manutenção será feita. Terá de ser realizada com uma equipe especializada, com alpinistas. Pois a limpeza terá de ser feita de cima para baixo, para que não haja danos na estrutura”, afirmou o diretor da FVO.

Duração de 30 anos

Uma estrutura com o mesmo material utilizado na cobertura da Arena da Amazônia foi montado para a realização de um teste com o intuito de estudar o efeito do clima da região sobre o equipamento. Sete membranas de Politetrafluoretileno, em tamanho menor, foram instaladas no local.

Segundo Malízia, da FVO, os painéis foram instalados há pouco mais de um mês e servirão de laboratório para futuras adequações na estrutura. “Não posso afirmar com toda certeza, mas deve haver uma garantia em contrato sobre a durabilidade das membranas. O certo é que, quando nos foi apresentada em reunião o projeto do estádio, a durabilidade das membranas era de 30 anos”, confirmou Malízia.

De cara, o teste com o protótipo da membrana de cobertura da Arena mostrou que o material de plástico não se adaptou à realidade local.  Caso o estádio seja privatizado, a nova administração terá que resolver esse problema.

Valor da Cobertura

A parte da cobertura da Arena da Amazônia, envolvendo toda a estrutura de ligas de aço e os 31 mil metros de membranas, teve um valor estimado de R$ 105 milhões. Todo o estádio custou quase R$ 670 milhões e são pagos todos os meses cerca de R$ 700 mil só na manutenção do local, contando com gastos com água, luz, gramado etc.

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