Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020
50 ANOS DO TRI

Memórias do Tri: Clóvis 'Aranha Negra' recorda confronto contra Seleção de 70

Meses antes do tricampeonato mundial no México, Seleção Brasileira esteve em Manaus para a abertura do Vivaldão. Goleiro da Seleção do Amazonas naquele dia, Clóvis Amaral teve a missão de parar Pelé, Jairzinho, Carlos Alberto e cia



WhatsApp_Image_2020-06-21_at_16.09.04_344ED1F7-6593-49CF-A8CE-80A229E1F0FD.jpeg Foto: Euzivaldo Queiroz
21/06/2020 às 17:34

Há exatos 50 anos, no dia 21 de junho de 1970, a Seleção Brasileira era tricampeã mundial no México, no gigante estádio Azteca, diante de mais de 107 mil pessoas. Com um time recheado de ‘camisas 10’, o Brasil derrubou gigantes do futebol mundial durante a campanha e, na final, derrotou a Itália por 4 a 1 em uma atuação de almanaque - gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres para os comandados de Zagallo; Boninsegna fez o dos italianos.

Fato é que, para os mais supersticiosos, a cidade de Manaus foi fundamental para a conquista da Taça Jules Rimet - troféu da Copa de 70. Afinal, no dia 5 de abril do mesmo ano, parte daquele elenco campeão esteve na capital amazonense para jogar na estreia do estádio Vivaldo Lima, o saudoso Vivaldão. Em dois confrontos entre Seleção Brasileira A e B e Seleção Amazonense A e B, o ‘Esquadrão de 70’ foi aclamado meses antes de ir ao México.



Quem esteve em campo naquele dia e encarou de perto o timaço de 70 foi o ex-goleiro Clóvis Amaral, o ‘Aranha Negra’. Um dos maiores ídolos da história do Rio Negro, Clóvis foi o arqueiro da Seleção do Amazonas A, que fez a segunda partida daquela tarde contra a Seleção Brasileira A - antes, o Brasil B derrotou o Amazonas B por 4 a 1, com quatro gols de Dadá Maravilha, primeiro a fazer gol no ‘Colosso do Norte’.


No confronto entre Brasil A e Amazonas A, Clóvis foi goleiro baré na abertura do Vivaldão. Foto: Euzivaldo Queiroz

O resultado não foi muito bom para o Aranha Negra. Também pudera, já que o goleiro recebeu a missão de parar Pelé, Jairzinho, Rivelino e Carlos Alberto Torres. Mesmo sem Gérson, que não veio a Manaus para os amistosos, a Seleção confirmou a força e venceu pelo mesmo placar da partida preliminar: 4 a 1, desta vez, com gols de Carlos Alberto, Paulo Cézar Caju, Rivelino e Pelé; Mário Vieira fez o gol do time baré.

“Camisas 10”

Na Seleção A do Amazonas, Clóvis, junto de Eraldo e Maravilha, era intruso no time que continha oito jogadores do rival Nacional. A lembrança do time adversário é simples: “Aquela Seleção tinha mais de uma ‘camisa 10’. Era Tostão, Rivelino, Gerson e Pelé. O Jairzinho vestia a 7 e jogava como ponta, mas tinha muita qualidade”, relembrou o goleiro ídolo do Galo da Praça da Saudade, ressaltando que o Vivaldão ainda nem estava pronto naquele jogo.

Diferente de hoje, onde as opções são muitas para acompanhar partidas de futebol, naquela época o movimento era duplo: no dia do jogo, ouvido no rádio; no dia posterior, olhos no ‘tape’ na TV. Na opinião do ex-goleiro, hoje em dia é impossível formar um time com tanta qualidade quanto o Esquadrão de 70.

“Naquela época, os jogadores queriam jogar primeiro em um clube grande daqui e depois na Seleção Brasileira. Hoje, todos saem para a Europa muito cedo. Outro ponto é que os treinadores não gostam mais tanto do drible. Acho que o Garrincha nem jogaria no futebol de hoje”, declarou Clóvis Amaral, que conheceu de perto a qualidade do time tricampeão mundial.


Personagens do esporte amazonense guardam memórias do tricampeonato. Foto: Reprodução

Memórias barés

Para resgatar mais memórias daquele ano histórico para o futebol brasileiro, o CRAQUE falou com outras personalidades esportivas do Amazonas. Arnaldo Santos, ícone da imprensa baré, afirmou que os jogadores do time de 70 guardam carinho por Manaus até hoje.

“O Félix, ao erguer a Jules Rimet na volta ao Brasil, disse: “Um agradecimento ao povo de Manaus, que sempre nos aplaudiu”, recordou Seu Arnaldo.

Para Roberto Gesta, especialista em Jogos Olímpicos, aquela “seleção extraordinária” valia o ingresso. “Normalmente, vou a edições de Jogos Olímpicos e não pude ir ao México. Mas aquele time realmente deu muitas alegrias”, completou o amazonense.

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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