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Esportes
106 anos do Nacional F.C

Historiador amazonense coleciona acervo fotográfico sobre os primórdios do Nacional

Aos 65 anos, o historiador Francisco Carlos reúne grande acervo de fotografias e jornais antigos sobre o Nacional desde os 17 anos de idade 14/01/2019 às 19:44 - Atualizado em 15/01/2019 às 14:36
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Foto: Marcio Silva
Gabriel Ferreira Manaus (AM)

As memórias do “Mais querido” no acervo fotográfico do historiador do futebol amazonense Francisco Carlos Bittencourt traçam a linha do tempo dos primórdios do Nacional Futebol Clube de 1918 a 1959 no estado do Amazonas. As torcidas organizadas, a diretoria do clube e tantos colaboradores celebram juntos os 106 anos do Leão da antiga Vila Municipal no cenário do esporte do povão: o futebol.

Direto do Baú Velho do jornalista esportivo Carlos Zamith e o extinto Jornal A Gazeta, a história do Naça retratada na coleção especial do ‘seu Carlos’ começou da inspiração dos relatos que ouvira do eterno tio avô Jurandir Braulio Pinto,  jogador do azulão de 1918 a 1922.

Além das história do tio avô, a paixão de Francisco pelo futebol do Amazonas foi predominante para colecionar fotografias e recortes de jornal desde os 17 anos. Aos 65 anos todas as pesquisas feitas, os relatos de jogadores da época ainda seguem firmes na memória do historiador, e durante entrevista ao Craque, Francisco Carlos abriu o seu arquivo memorial do Nacional para homenagear e eternizar  o “Mais querido e sempre amado, pela sua tradição de campeão”. 

Linha do Tempo do Naça

A base da primeira equipe de 1913 do Nacional foi formada por jogadores de diversas equipes amazonenses e mostrou nos gramados o primeiro grande craque do futebol em solo baré, o atacante Cícero Costa. “Antes o Nacional não era nem conhecido, passa a se falar só no final de 1913. E foi fundado justamente por atletas do Brasil Futebol Clubes e de outras agremiações que já estavam se extinguindo praticamente, no dia 13 de janeiro de 1913”, relatou o historiador.

Nas cores azul e branco brilhou a estrela azul do norte do Brasil para recordar parte da bandeira nacional e mostrar para todo país o valor do esporte bretão no Amazonas. “Nesse período começou-se a trabalhar a origem do futebol, com bastante força de 1913 a 1922 até a paralisação em 1923 do futebol devido a recessão econômica no país”, disse Francisco Carlos.

Enquanto os outros clubes esfacelaram, a força de vontade foi pilar da resistência do Nacional. Ainda nesse período a equipe viveu grande fase na conquista  do pentacampeonato amazonense de 1916 a 1920. Saudoso Vivaldo Palma Lima, também marcou seu nome nesta época do time da estrela solitária azul. Como presidente do clube levou o Naça para jogar pela primeira vez fora do estado, após realização de excursão na cidade de Belém-PA. “Eles foram o primeiro clube amazonense a ir jogar fora do estado. Nesse processo todo passa a ter três jogos, venceram dois e perderam um, jogando pela primeira vez contra o Paysandu, quando perderam pelo placar de 5 a 2”, disse o historiador.

A partir de 1936 começa a nova fase do Nacional, levantando a taça do bi amazonense de 36 e 37. A desistência do futebol de inúmeros jogadores da equipe ainda marcou esse período. “Vários jogadores largaram o futebol, por conta dos estudos, a família não queria mais que jogassem futebol, e uma infinidade de coisas”, explicou o historiador Francisco Carlos. 

Teve vira-casaca também para começo de uma das maiores rivalidades do Nacional no futebol. Em 1938 a maioria dos jogadores do Leão da Vila Municipal, se afastaram e foram para o Rio Negro conquistar no mesmo ano o título do Barezão. 

Um ano após sofrer esse “baque”, o clube azul e branco em 1939 vai em busca de jogadores que haviam pendurado as chuteiras, e vencem o campeonato amazonense. 
De 1940 a 1946, o Nacional monta uma das melhores equipes de toda sua história: Comandados pelo técnico João Liberal, os jogadores Emanuel, Lupércio, Mariano, Luís Onety, Esmeraldo, Liberal, Pedro Sena, Caiado, Paulo Onety, Alfredo, Benjamim e Raspada desfilaram no antigo campo do Parque Amazonense um estilo de futebol primoroso e que encantava os torcedores nacionalinos. Durante esse período o Nacional venceu cinco vezes o amazonense, nos anos de 40 a 42, e depois 45 e 46. “Esse time foi uma das melhores equipes na década de 40 no amazonas. Independente de qualquer coisa era um timaço pra época”, enalteceu Francisco Carlos. 

De 1947 a 1957, vários personagens deixaram seu nome na história do clube, principalmente Barbosa Filho, técnico da equipe campeã amazonense de 1957. 

Como um dos grande feitos na trajetória futebolística, no ano de 1959, o Nacional venceu o Remo pelo placar de 3 a 0 no antigo campo do Parque Amazonense. A partida é considerada histórica, pois foi a primeira vez que o Leão bateu a equipe paraense.

Legado Memorial Azul e Branco

Para entender a história de um clube, é necessário conhecer as origens e, segundo Francisco Carlos, o principal objetivo da organização de arquivos do Nacional é deixar o material para que as pessoas conheçam do Clube, e tenham noção do seu passado. “A finalidade do meu trabalho aqui, é reunir todo esse material e mostrar ao povo toda a história desse clube. Fazer com que todo conheçam os primórdios do Nacional. É muito importante o torcedor saber como o seu clube começou. E esse arquivo será de grande importância para as futuras gerações”, explicou o historiador amazonense Francisco Carlos.

Na região norte do País a grande estrela solitária azul brilha para os quatro cantos do Brasil.  As fotografias antigas e imagens de jornais consumidos pelo tempo narram visualmente as raízes do Leão da Vila Municipal de Manaus. 

Os relatos de antigos jogadores não puderam ser mais ouvidos para detalhar ainda mais o início de tudo, mas o amante do futebol do solo amazonense  Francisco Carlos eternizou tudo em um  acervo para garantir as próximas gerações o conhecimento deste clube tradicional.

“Minha preocupação é deixar tudo isso para mostrar as pessoas a importância de personagens que ajudaram a construir a história deste clube. Os dirigentes, técnicos, jogadores e até torcedores que fazem parte desta grande festa dos 106 anos do Nacional”, relatou  Francisco Carlos, louco apaixonado pelo esporte bretão do Amazonas: o futebol.

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