Terça-feira, 21 de Maio de 2019
CORRIDA PELA VIDA

Menina cadeirante do AM apaixonada por corrida de rua luta pela vida e pelo esporte

A paixão de Thayla Oliveira, de 8 anos, pelas competições leva ela e a mãe a se empenharem em treinos e provas. Ela também faz tratamento contra doença renal crônica



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Foto: Junio Matos
01/04/2019 às 07:40

O uso da cadeira de rodas pode mostrar as limitações do corpo de Thayla Oliveira, de 8 anos. Mas o sorriso fácil no rosto da pequena reflete o gosto pela vida, e as suas poucas palavras revelam uma das suas grandes paixões: a corrida de rua.

Ao lado da mãe Maria Nataliana Oliveira,30, no pequeno espaço de 42 m², no bloco 98, do Residencial Viver Melhor, Monte Oliveiras, Zona Norte, a menina Thayla consegue encarar batalhas diárias cheias de cuidados médicos em casa. E apesar dos tormentos vividos pelos problemas de saúde, o esporte mais “improvável” para Thayla mudou o trajeto de sua vida.

“Há dois anos eu encontrei o professor Alan, do grupo Jungle Runners, ele me convidou pra levar a Thayla pra correr, mas eu seguia enrolando ele, e quando foi esse ano, teve a corrida do Manauara, e eu decidi levar ela, e daí ela ficava me cobrando: Mamãe vamos pra corrida; E ela via no comercial e insistia: Poxa mamãe vamos correr; E daí nós fomos pra corrida, e ela ficou toda feliz. Então esporte veio como motivação pra ela”, relatou a mãe de Thayla, Natalina Oliveira.

“Correr”, uma palavra que define Maria Natalina e Thayla Oliveira. Mãe e Filha que ainda precisam vencer uma prova muito importante para as duas: A corrida pela vida.

“A Thayla nasceu com a doença mielomeningocele, que é a malformação na coluna, e desde lá a minha vida mudou, e aí fui descobrindo que ela tinha mais problemas, e com um ano, eu descobri que ela era renal crônica, e a minha vida passou a ser mais dela”. Nascida no dia 10 de outubro de 2010, a pequena Thayla, vive uma superação por dia, com dedicação total da ‘super mãe’ Maria Natalina.

“Não tenho como mostrar desânimo, porque ela me mostra o sentido da vida”! 

‘Longa’ jornada

A jornada de mãe e filha perpassa por adversidades, com as descobertas das doenças de Thayla ao longo dos anos. Emocionada, Maria Natalina relatou a rotina de luta ao lado da filha.

“Desde sempre foi a gente andando pelos médicos, correndo atrás, e cada dia era uma novidade pra mim, de procurar saber se ela ia andar, mas eu nunca baixei a minha cabeça pras dificuldades. Com seis anos ela começou a ter convulsões, e foi quando ela ficou internada na UTI por 15 dias, e foi quando ela começou a fazer a diálise peritonial, porque os rins dela não estavam mais funcionando, por ela ter problema renal crônico. E aí começou mais uma jornada, com os rins piorando e melhorando, e no dia 11 de setembro de 2018, veio o parecer definitivo de que a função renal dela tinha piorado”, explicou Maria Natalina Oliveira.

No entorno da odisséia de mãe e filha, todo processo médico é realizado dentro de casa há sete meses, com a sessão de 10 horas por dia, de diálise peritonial com uma máquina específica para o tratamento. Outra situação delicada é a busca para entrar na fila para o transplante de rim, que ainda é um desafio a ser superado, pois Thayla Oliveira necessita realizar procedimento cirúrgico para correção da bexiga neurogênica.

‘Saudades de casa’

Natural do municipio de Oriximiná-PA, distante a 486 quilômetros de Manaus, Maria Natalina Oliveira enfrenta também o obstáculo da longa  distância e a saudade dos familiares pois desde julho do ano passado não conseguiu mais visitar a mãe Maria Fernandes.

“Infelizmente hoje a gente não pode mais fazer viagem pra lá, porque houve uma mudança de logística. Ela não pode mais fazer viagens de longa distância, por conta das caixas, máquina, e então é muito complicado pra gente ir. E a Thayla sente muita saudade, e ela sempre pergunta quando a gente vai de novo, e isso me doí muito”, relatou.

Apesar da reviravolta na vida das duas guerreiras, a esperança de poder rever a familia permanece viva dentro do coração de Maria Natalina e Thayla.

Novos ‘passos’

Há cinco anos, a pequena Thayla participa do projeto Proamde (Programa de Atividades Motoras para Deficientes), realizado pela Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (FEFF), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Maria Natalina contou como encontrou o projeto que deu um gás a vida da filha.

“Eu estava no Hospital Getúlio Vargas (HGV), e a neuropediatra Dra Silvia me falou do projeto, e nós fomos conhecer e lá e ela era tão pequena ainda, mas mesmo assim deu tudo certo, a professora Minerva atendeu ela, e eles gostaram, e lá foi o desenvolvimento dela, onde ela começou a falar bem,  a perder a timidez, a engatinhar, a usar a cadeira de rodas, e foi assim um empurrão”, disse Maria Natalina. 


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