Sábado, 25 de Maio de 2019
Craque

Mesatenista amazonense, Lígia Silva, disputará mais um Pan em busca de superação

Atleta mais experiente da seleção brasileira de tênis de mesa, a atleta falou ao CRAQUE como será disputar seu quinto Pan-Americano em Toronto, no Canadá



1.jpg
Talento. A amazonense é a mais experiente da seleção brasileira
09/07/2015 às 21:18

A busca por um sonho foi o que moveu a carreira da mesatenista amazonense Lígia da Silva, de 34 anos. O sonho de não ser mais uma no tênis de mesa foi o combustível para que a atleta deixasse o Amazonas aos 17 anos em busca de crescimento no esporte que começou a treinar quando tinha 13 anos. De lá para cá, já foram quatro jogos Pan Americanos. Os jogos de Toronto serão a sua quinta participação no evento continental e a mescla de experiência com a juventude da equipe de tênis de mesa do Brasil é a aposta para conquistar o ouro para o Brasil

Aos 13 anos
Lígia nasceu em Manaus, no dia 6 de março de 1981. Aos 13 anos começou a treinar tênis de mesa na Vila Olímpica da cidade. O curioso é que o esporte não era a primeira opção. Lígia iria se inscrever nas aulas de natação, mas como o professor havia faltado, foi parar na escolinha de tênis de mesa. E logo no começo, Lígia já precisou de muita dedicação, para treinar no mesmo ritmo dos atletas federados.

O começo
“Comecei na Vila Olímpica de Manaus, aos 13 anos. Quem me descobriu foi o Seu Clóvis. Naquela época, não tinha um treinador para a base, então tinha que treinar com os federados. Para mim, foi uma experiência muito legal. Tive muita força de vontade para ir em frente”, disse.

Aos 17 anos, porém, Lígia saiu de Manaus rumo a Santos em busca de evolução e não demorou muito para ser convocada para a Seleção Brasileira Juvenil.  Nos Jogos Olímpicos Sidney 2000, a atleta fez história ao se tornar a primeira mulher do País a disputar o torneio individual olímpico. A mesa tenista também disputou as Olimpíadas de Atenas (2004) e Londres (2012). No Pan Americano, Lígia vai em busca no ouro inédito para o Brasil.

O melhor de si
Evolução, essa é a busca constante de Lígia e a vontade de crescer que norteia as atitudes da atleta desde cedo. Mesmo com a experiência, Lígia não acha que isso é o suficiente e se empenha para aprender sempre mais. “A evolução faz parte do processo. Cresci muito como pessoa e atleta. Tento evoluir a cada dia. Meu propósito é buscar sempre evoluir, sem olhar para trás. Procuro sempre crescer com as meninas da seleção”, disse.

 O melhor
Além da vontade, Lígia também tenta dar o melhor de si em cada competição que participa. Campeonato complicado? Isso não existe para a amazonense. Para ela, todas as competições são importantes.

“Em todas as competições, independentemente da importância, tento dar o meu melhor. A maior frustração para um atleta é chegar na cama para dormir e saber que não deu o seu máximo. Então, para mim, o que importa é a atitude dentro da mesa para ir dormir tranquila, sabendo que dei o meu melhor”, destacou.

Experiência
Os seis atletas da seleção brasileira de tênis de mesa têm como comandante o mesatenista multicampeão Hugo Hoyama. Será a oitava participação de Hoyama em jogos, mas dessa vez ele passará orientações aos atletas. “Está sendo excelente trabalhar com o Hugo. Ele é um multicampeão, está nos passando a experiência que tem. Estou tentando lapidar tudo o que ele me passa”, comentou Lígia.

Mesmo sendo a atleta mais velha da seleção brasileira de tênis de mesa, a atleta amazonense não se vê como uma professora que ensina tudo para os atletas mais novos. A amazonense acredita que há mais uma troca de conhecimento do que ensinamento.

Troca
“Minha relação com as mais novas não é no sentido de ensinar tudo a elas. Até porque a experiência que elas estão tendo não havia na nossa época. Não é por ser mais velha que tenho só de ensinar a elas. Também aprendo muito com elas, e elas, comigo. Há sempre uma troca”, disse.

Rumo ao ouro
Lígia destaca que  o trunfo da seleção para a conquista de medalhas é o comprometimento cada vez maior da equipe.

“Mudamos muito a maneira de conquistar uma medalha, de se unir, buscar o comprometimento. E o esporte mudou muito. As meninas do juvenil, por exemplo, já carregam uma bagagem muito grande. Isso é excelente para o desenvolvimento do esporte”, comentou.

Para Lígia, não existem seleções mais fortes ou menos fortes. Ela acredita que, na América, houve uma evolução geral do esporte e que a atitude do time brasileiro será a principal sacada para conquistar o ouro.

 “Todas as seleções são muito fortes. Do mesmo modo que evoluímos, toda a América Latina cresceu. Vamos em busca da medalha, mas sem criar expectativa, passando pelo processo. Estamos fazendo por onde, todas focadas. Cada uma sabe a sua ambição. Vamos dia a dia buscando o nosso objetivo. Não tem um segredo para vencê-las. É preciso atitude na mesa. Todas vão querer ganhar, então os detalhes farão a diferença. A nossa união será o nosso ponto forte. Estamos muito concentradas”, explicou.


Três perguntas para Lígia Silva

1. Há quanto tempo você mora longe de Manaus? Qual é a sua relação com a sua cidade natal?
Saí de Manaus há 17 anos. Minha relação com Manaus sempre foi legal. Sempre vejo o Estado do Amazonas bem representado nas competições que disputo. É uma relação muito boa. Por ter saído muito nova, passei uma boa referência para o Estado.

2. Qual é a sensação de chegar ao quinto Pan? Mesmo com a experiência, ainda bate o frio na barriga?
Sempre vai existir um frio na barriga, independentemente da competição. Quando perder esse frio, posso parar de competir. Em todos os eventos que entro, bate isso. Mas vamos nos adaptando com o passar dos dias; estamos muito acostumados a lidar com isso.

3.No Amazonas, há alguns mesatenistas que se destacam. Qual é o seu recado para esses novos atletas que treinam longe dos grandes centros?
Que todos se dediquem e nunca desistam dos seus sonhos, como eu nunca desisti dos meus. Sempre buscar evoluir, sem olhar para trás, deixando as coisas pequenas de lado. Saber que não existe longe ou perto para chegar ao seu sonho. Não é porque moro em Manaus ou em Porto Alegre que vou ser melhor ou pior. Não existe isso. Você pode estar no melhor lugar do mundo, mas, se não quiser fazer acontecer, não vai resolver. Fui para São Paulo porque sabia que tinha de evoluir, mas nunca esqueci o Amazonas, minhas origens. Isso faz parte de mim e sempre fará.



Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.