Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020
Jogo duro

Mesatenista amazonense que mora na Alemanha fala das dificuldades impostas pelo coronavírus

Siddharta Almeida, que retornou à Manaus para ficar com a família, relata diferenças abissais no combate ao novo vírus



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19/04/2020 às 17:32

O mesatenista amazonense Siddharta Almeida, de apenas 21 anos, que carrega o nome do fundador do Budismo, faz jus aos ensinamentos e preceitos milenares de Siddharta Gautama.

Em meio a pandemia do Coronavírus (Covid-19), o atleta baré deixou seu conforto na Alemanha - país que já lida de maneira controlada com a doença -, para voltar à Manaus e ficar do lado daqueles que ama, mesmo com os riscos na cidade, que é um dos epicentros de contágio no Brasil - são 1.719 casos da doença em pouco mais de um mês.



“Estar perto da minha família com certeza foi o principal motivo para que eu voltasse. Estava morando lá há sete meses. Nos momentos complicados, assim como esse, é melhor  estar perto dos familiares e unir forças. Aqui no Brasil estou vendo uma situação muito mais preocupante”, destacou o jovem talento baré, que completou um mês longe da Alemanha, onde atua na equipe TTC Wöschbach, da liga 3. Bundesliga Sud. 

Solidariedade de Buda

Ele comenta que fica triste por ter de parar com o esporte que se tornou sua profissão, mas fica ainda mais chateado pela maneira como a pandemia está sendo tratada no Brasil. Ao contrário do que o Budismo prega, Siddharta vê sua terra natal com falta de empatia pelo próximo. 

“Vejo muita gente sem noção da seriedade do que estamos enfrentando. Esse é um momento para união em prol de salvar vidas e não vejo nada disso. A situação aqui é ainda pior pela nossa falta de infraestrutura tanto na economia quanto na saúde”, disse o talentoso atleta, que explica alguns motivos pelos quais a Alemanha está contendo o aumento de contágios. 

“Lá parou tudo imediatamente. A liga, os treinos, as universidades, apenas drogarias e supermercados funcionando. Apesar disso com normas bem rígidas. A maioria das pessoas seguiu as orientações de isolamento social. A situação ficou sob controle rápido. Estive em contato com meus amigos de lá e me disseram que as coisas estão bem melhores”, afirma sobre o país onde está ganhando ainda mais força no tênis de mesa. 

Era de ouro

Ele revela que estava vivendo um de seus melhores momentos na carreira - já são quatro temporadas na Alemanha -, no caminho para tornar-se ainda mais ‘iluminado’ na modalidade, porém com o estouro do novo vírus, o continuamento da liga - que já está paralisada - está ameaçado. 

“Até meu último jogo eu tinha a melhor pontuação do campeonato na minha posição. A equipe estava em 4º lugar, de dez times. Estávamos indo bem. No segundo turno da temporada, eu nao havia perdido nenhuma partida”, recorda Siddharta, sobre o período ‘mágico’ no qual estava antes da quarentena. 

Incertezas no futuro

O atleta conta não saber qual será o posicionamento da federação alemã de tênis de mesa, em relação ao certame que foi interrompido. Existe uma previsão de que uma nova liga inicie em Setembro, mas há indecisão sobre o que fazer com o torneio que estava acontecendo. 

"Eles ainda não nos deram uma informação sobre isso. Mas se a temporada realmente for cancelada será muito desanimador. É triste tudo isso que está acontecendo porque temos um planejamento, mas agora só espero que todos fiquem bem e seguros”, concluiu o prodígio da modalidade.

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Repórter de A CRÍTICA

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