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Craque

Mesmo com parecer do MP e Procuradoria, atletas do judô não obtêm Bolsa Atleta

Atletas do nível de seleção brasileira e que atuam em competição internacional já começam a perder competições e pensam em 'desertar', abandonando o estado ou mesmo a modalidade 19/11/2015 às 10:14
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Antonio Barbosa, que é mestre de judô e advogado, pede cumprimento da Lei do Bolsa Atleta
Felipe de Paula Manaus (AM)

Há menos de duas semanas, a judoca amazonense Rita de Cássia conquistou a primeira medalha amazonense em campeonatos mundiais, a prata no Mundial Sub-21 de Abu Dhabi, e jogou luz sobre uma questão polêmica: o fim da concessão do Bolsa Atleta Municipal para os seis judocas amazonenses de nível nacional e internacional, entre eles a própria Rita, além de Rafaela Barbosa, campeão da seletiva olímpica da Seleção Brasileira Sênior em 2014, seus irmãos Raifan e Rafael Barbosa e ainda Adriano Rodrigues e Caroline Hernandez.

O mestre de judô Antônio Barbosa, pai de três dos atletas que tiveram o benefício cancelado pela prefeitura, diz ter procurado a Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel) na pessoa do secretário Sildomar Abtibol. E saiu frustrado. “Receberam minha defesa adminstrativa com o maior descaso”, disse Barbosa, que acionou o Ministério Público e Procuradoria Geral do Município e obteve parecer favorável à manutenção do benefício, apresentado o resultado à Semjel. Ainda assim, o benefício não foi concedido.

“A Semjel se baseia num decreto expedido em agosto deste ano que pede uma nota oficial no site da Confederação Brasileira (de Judô) que atesta a convocação do atleta. Porém um decreto não pode alterar uma lei (Lei do Bolsa Atleta, de 2011), é a hierarquia legislativa”, diz mestre Antônio, que também é advogado. “O secretário disse que os atletas de judô só voltam ao Bolsa Atleta mediante uma liminar. Isso é tirania! Não podemos deixar a tirania vencer e desconstruir um trabalho de anos de treinamento destes guerreiros”, desabafou.

Procurado pela reportagem de A Crítica, o secretário municipal de esportes, Sildomar Abtibol, disse não ter recebido nenhuma notificação oficial inferindo sobre a decisão do corte do Bolsa Atleta dos judocas do Amazonas por parte do Ministério Público Estadual e ou da Procuradoria Geral do Município. O secretário que a redução no número dos beneficiários do programa não traduz uma política de ajustes da prefeitura e alegou que o corte no benefício se deve a critérios técnicos.

O gestor do esporte na esfera municipal disse ainda que da seleção brasileira de judô tem passagens, hospedagem e alimentação custeadas pela confederação nacional da modalidade nas competições internacionais e que tem “consciência de que está fazendo o correto”, contudo informou que espera pelo parecer da Procuradoria Geral do Município para definir uma posição sobre o caso.

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