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Michell Parintins abre a série "Guerreiros do futebol baré"

Nova série do CRAQUE mostra as estrelas do Campeonato Amazonense de 2015 como você nunca viu. Material será publicado todos os domingos até o início do Barezão. 18/01/2015 às 12:21
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Michell Parintins quer tirar o Fast da fila
Felipe de Paula Manaus

No ano passado, o meia Michell Parintins foi um dos cinco maiores artilheiros do Brasil em sua posição. Fez 17 gols, três a menos que Ricardo Goulart, ex-Cruzeiro, e um a mais que Dario Conca, do Fluminense.

Um dos reforços do Fast para a temporada, o jogador conta com a qualidade no passe e o faro de gol para ajudar o clube a quebrar o jejum de 44 anos sem títulos, livrando-se do fardo de ter já caído em quatro finais de Amazonense com o Rolo Compressor.

Não à toa, portanto, foi ele o escolhido para abrir a série “Guerreiros do futebol baré”, que vai contar (todos os domingos, até o início do Barezão) um pouco da história e algumas curiosidades das estrelas do futebol amazonense dentro e fora de campo.

O jogador de 33 anos bateu um papo com a reportagem do CRAQUE e contou, com o típico bom humor dos parintinenses, um lado pouco conhecido do torcedor local. Disse que adora pescar, curtir o filho de dois anos, contou que é apaixonado pelo Boi Garantido e até que já rescindiu contrato por causa de uma namorada.

Paixões

Caboclo do rio Amazonas, Michell cresceu entre duas paixões amazonenses: o futebol e o boi-bumbá. Nascido e criado na Baixa do São José, berço do Boi Garantido, ele foi membro da Batucada do Boi Vermelho e Branco (tocava surdo), já trabalhou na confecção de alegorias para o Festival de Parintins e até ajudou a dar vida às entidades mitológicas que evoluíam no bumbódromo, movimentando-as de dentro dos carros alegóricos.

“Eu nasci e me criei aqui na baixa do São José. Sou Garantido, minha família toda, meus filhos brincam na Batucada, eu brinquei...”, diz ele, que tem o hábito de comemorar gols fazendo referência à cultura folclórica da ilha tupinambarana, uma de suas marcas. “No primeiro ano que eu joguei aqui, fazia o tripa (‘recheio’ humano que dá vida ao boi), no ano passado eu fazia a vaqueirada. Esse ano, vou fazer o pajé”, promete.

Saudade de ‘Parintins’Lembra da história da namorada? Pois é. A história aconteceu quando, após um amistoso, em Parintins, da Seleção Parintinense contra o São Raimundo de Santarém, em que marcou dois gols, ele foi convidado pelo técnico adversário para jogar pelo clube paraense.

“Eu tinha acabado de arranjar uma namorada linda, mas mesmo assim fui. Combinamos de nos falar por telefone. Aí eu fui fazer a pré-temporada em Ipixuna. Não pegava nem celular, pra eu falar com ela, tinha que andar um quilômetro”, diz o jogador. “Ela não tinha telefone e a gente marcava uma hora no orelhão. Não tava dando mais e falei ‘quer saber, vou me embora, não quero ficar aqui não”, completa ele, que voltou mesmo sob a indignação da diretoria do time, que mal pagou sua passagem de volta.

“Eu estava liso e passei cinco dias comendo só a comida do barco. Eles pagaram a passagem só até Santarém. Quando chegou lá, eu me escondi no barco e só saí em Parintins”, conta, por fim.



 

Trajetória no futebol
O futebol profissional chegou tarde na vida de Michell Parintins. Até os 21 anos, o jogador, que em 2009 conquistou, com o São Raimundo de Santarém-PA, o Campeonato Brasileiro da recém-criada Série D, de quebra sagrando-se artilheiro do campeonato com 10 gols, só havia jogado peladas e campeonatos amadores no Amazonas.

Levado do salão para o campo pelo técnico Carlos Meirelles, o Carlão, em 2003, ele competiu pelo Corinthians a extinta Copa Integração, que tinha times como Rio Negro, Nacional, Grêmio Coariense e 3B na disputa. Mesmo entre profissionais, Michell conseguiu o destaque que esperava e se aproximava mais da profissionalização.

Em Manaus, tentou uma vaga no São Raimundo de Delmo, também parintinense, mas o time não estava fazendo peneira na época. Com necessidade de pagar as contas e promessa de um emprego no distrito, ele integrou um time para competir o Peladão, onde finalmente apareceu ao futebol amazonense.

“Joguei a final do Peladão Intermunicipal por outro time porque o meu tinha chegado atrasado em uma partida e perdido de W.O. Aí uns amigos me chamaram pra jogar a final por Autazes, contra Manicoré. Era meu sonho jogar no Vivaldão. Aí arrebentei, fiz gol, fomos campeões e até o juiz me elogiou no final da partida”, diz ele.

Quem também assistiu à performance de Michell naquele dia foi então técnico do Nacional, Adinamar Abib, que o revelou para o futebol profissional pelo Nacional. “Ele perguntou: ‘tu quer jogar profissional’? Eu disse: ‘é meu sonho! Quanto é que ganha?’”, teria perguntado ele, que começou ganhando 600 reais no azulino.





Três perguntas para Michell Parintins
1)    Você foi quatro vezes vice-campeão com o Fast. Como é lidar com essa cobrança?

Olha, às vezes, quando a gente se destaca, as pessoas esperam você resolva, acham que é você que tem que resolver. Mas é um grupo, todos têm que resolver. Aí tem uns que dizem que eu amarelo em final. Eu sempre faço gol em final. Depois que fui vice-campeão quatro vezes pelo Fast, fui pra Santarém e fui campeão brasileiro.

2)    O que faz quando não joga?
 
Eu gosto de pescar, de estar com meus amigos. Gosto de manter a forma também, ir pra academia e curtir meu filho, Michell Filho, que vai fazer três anos agora dia 3 de abril. Curto muito ele, a gente se diverte, é um “cara” tranquilo, também tem um chute forte (risos).

3)    Qual sua música e qual sua toada preferida?
Música é “Tente outra vez”, do Raul Seixas. E toada é “Para o mundo ver”, que o Jorge Aragão fez para o Garantido.


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