Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
Craque

'Minha missão é espalhar o jiu-jitsu’, diz Alexandre Ribeiro

Amazonense, lutador e empreendedor conquista os Estados Unidos com arte suave



1.jpg Mestre amazonense com a filha Vitória, de três anos e meio
07/04/2013 às 14:19

Na década de 1970, Rorion Gracie se aventurou nos Estados Unidos a provar a eficiência do jiu-jitsu e torná-lo conhecido mundialmente, mas o amazonense Alexandre Ribeiro e seu irmão Saulo fizeram a arte do pano evoluir ao nível científico. Além de instituírem a “Ribeiro Jiu-Jitsu Association”, os irmãos fundaram a “University of Jiu-Jitsu”, um sistema de ensino que envolve teoria e prática, a história do jiu-jitsu, e com direito a biblioteca virtual (bjjlibrary.com), com sede em San Diego, na Califórnia.

Saulo escreveu um livro “Jiu-Jitsu University”, que já está sendo traduzido para o português. Xande, como é chamado, trata de disseminar a luta pelos quatro cantos do mundo ministrando seminários, palestras e aulões mundo a fora, além de administrar os negócios.



É uma conquista e tanto se tratando de um jovem que chegou ao EUA aos 19 anos com a ânsia de conquistar a América pela arte do pano. E conseguiu. Hoje, aos 31 anos, Xande é um dos mais respeitados treinadores em atividade em solo norte-americano. Conseguiu provar em níveis científicos a eficiência do jiu-jitsu e seu processo de evolução.

Ele vive bem em Los Angeles, onde mora, e leva a vida em viagens de negócios seja para cuidar da University, em San Diego, seja para ministrar seminários. Embora tenha agenda cheia de compromissos ligados ao jiu-jitsu, Xande teve tempo para responder às seguintes perguntas por e-mail com exclusividade ao CRAQUE.

Perfil

Alexandre Couceiro Ribeiro

Nascimento:  20 de janeiro de 1981

Altura:  1,83m

Peso: 90 kg

Natural:  Manaus

Graduação em artes marciais:  faixa-preta 3º grau em jiu- jitsu, faixa-roxa em judô e corda azul escura em muay thai.

Títulos: Bicampeão mundial absoluto de jiu-jitsu, tetracampeão mundial peso-pesado de jiu-jitsu, bicampeão mundial de luta sem kimono (ADCC).

Metas para 2013   continuar a divulgar e ensinar jiu-jitsu pelo mundo. Agendados: Jordânia, Israel, República Dominicana, China e Europa.

Como funciona a universidade que você fundou com o seu irmão? Qual o conceito aplicado?

Eu e meu irmão Saulo fundamos a instituição  chamada University of Jiu-Jitsu, onde sua única sede fica em San Diego, Califórnia. A ideia desse projeto é realmente ensinar o jiu-jitsu verdadeiro com padrões morais, éticos, disciplinares e técnicos da mais alta qualidade, assim como estudos teóricos de história da modalidade e de livros didáticos de técnicas.

Há estudos teóricos e práticos sobre o jiu-jitsu nessa universidade?

Com certeza. Hoje em dia existem muitos livros e vídeos sobre técnicas de jiu-jitsu e de como adquirir forma física com isso. Meu irmão Saulo escreveu o único livro com ensinamentos teóricos e psicológicos da matéria. O livro se chama “Jiu-Jitsu University” e foi editado até agora apenas em inglês. Estamos  traduzindo para o português.

Em que cidade - ou quais – você tem academia(s) e quantos alunos você ensinou a arte do pano diretamente?

Minha academia é em Los Angeles, na Califórrnia, mas temos filiais Ribeiro Jiu-Jitsu em países como Brasil, Estados Unidos, Canadá, Taiti, Japão, Filipinas, Alemanha, Romênia, Irlanda entre outros. Dentro desses países existem filiais internas, acredito que já perdi a conta de quantas pessoas ensinei diretamente, com certeza algo em torno de cinco mil praticantes em 14 anos ensinando a arte.

Onde você vive hoje e que faz além da luta? Seu irmão Saulo é seu sócio nisso tudo?

 Hoje eu moro em Los Angeles e tudo em relação a meu trabalho é relacionado ao jiu-jitsu. Meu irmão Saulo é sócio em praticamente tudo relacionado ao nosso sistema de ensino. Fundamos e coordenamos a “Ribeiro Jiu-Jitsu Association” e hoje lançamos um sistema online de ensino chamado “bjjlibrary.com”, além de seminários no mundo em diferente academias e na nossa rede de ensino e produtos relacionados a marca, kimonos, e roupas.

 Você saiu de Manaus há alguns anos e conquistou a América assim como o fez Rorion Gracie nos idos de 1970. Quem o influenciou a tomar tal decisão e por que você resolveu ir?

Eu venho para os Estados Unidos desde os 17 anos para competir e desde os 19 anos para ministrar seminários com meu irmão. Como desenvolvemos negócios por aqui, eu tive a iniciativa de vir pra América e ensinar jiu-jitsu, pois aqui a oportunidade estava aberta e gostei muito do pessoal daqui. Morei no Rio de 1999 a 2001, então me mudei para Ohio, Estado na região meio oeste dos Estados Unidos.

 O que aconteceu de diferente entre a história do Rorion e a sua na “Terra do Tio Sam”?

O Rorion foi o pioneiro e veio em uma época onde a família Gracie teve que provar o valor e a eficiência do jiu-jitsu. Eu simplesmente trouxe a evolução do sistema Gracie de defesa pessoal e inserimos um aspecto mais esportivo, mas nunca deixamos de nos focar nas técnicas básicas de ensino. Na era da Internet e UFC ficou um pouco mais fácil de desenvolver, já que o trabalho de exposição já estava feito.

Qual legado você acha que deixará nas artes marciais nos EUA?

Já deixei muitos. Como disse já ensinei mais de cinco mil alunos e hoje temos em todas nossas filiais mais de dois mil membros. Já formei mais de dez faixas-pretas que hoje vivem de jiu-jitsu aqui e podem ter uma vida confortável e um futuro assim como diversos campeões em nível nacional e internacional. Inclusive o melhor lutador não-brasileiro da modalidade é meu aluno, o Rafael Lovato Jr, campeão mundial faixa-preta, além de nacionais e Pan Americanos.

  Você pretende voltar a morar em Manaus um dia e desenvolver algum projeto social na cidade?

Estou estabelecido nos Estados Unidos e hoje vejo que a minha missão de vida é continuar desenvolvendo o jiu-jitsu no mundo. Mas com certeza Manaus é um lugar onde estamos procurando treinar profissionais capacitados para ensinar o nosso estilo. Oficialmente não temos nenhum representante, mas temos um faixa-preta, o Fredson Alves que vai sempre a Manaus e sempre atualiza um grupo de amigos.

Qual seu nível de graduação nos estudos e quantos idiomas você fala fluentemente?

Eu me formei no Colégio Militar de Manaus no ensino médio e fiz três anos da faculdade de direito no Rio de Janeiro, na Cândido Mendes e abandonei os estudos para seguir carreira como lutador e professor de jiu-jitsu. Falo fluentemente o inglês e o português, mas posso ser educado em espanhol, francês e japonês, mas conversar ainda não dá.

Você somente vive do jiu-jitsu ou há outros negócios?

Tudo que eu faço é relacionado ao jiu-jitsu. Fora a competição existe a academia, livros, vídeos, biblioteca online (bjjlibrary.com ) e marca de roupas e kimonos.

  Quanto em média você cobra para ministrar um seminário fora dos EUA ou mesmo por aí? É em dólar?

Isso depende muito da situação econômica de cada lugar, pois  muitos lugares que eu vou eu acabo perdendo dinheiro. Mas a satisfação de ensinar em um lugar novo fala mais alto. Seminário em media custa US$ 100 (R$ 200) por pessoa dependendo da quantidade de horas e dias que irei ministrar.

Qual(is) o(s) lutador(es) famoso(s) do UFC você ensinou a lutar?

Nunca cheguei a ensinar nenhum desde a faixa-branca, mas tive a experiência de treinar o Diego Sanchez para varias lutas e disputa de título. Treinei o Demian Maia para a luta contra o Anderson Silva e já tive a chance de trocar informações com muitos deles, Wanderley Silva, Maurício Shogun, Junior Cigano, Rodrigo Minotauro entre outros.

 Por que você lutou poucos eventos de MMA?

O evento que eu participei acabou não vingando e na verdade o amor pelo jiu-jitsu falou mais alto. Sinto que minha missão é continuar a espalhar a arte suave, não socos e ponta pés, mas eu sempre treino boxe e muay thai. Quem sabe no futuro...

O que lhe realiza mais como lutador, disputar o ADCC ou um mundial de jiu-jitsu com kimono?

Com certeza o mundial de jiu-jitsu de kimono. O ADCC é com certeza um desafio para o meu jiu-jitsu, onde tenho que adaptar minha técnica a um estilo diferente.

Quando pretende se aposentar dos tatames?

Nunca.

Fale um pouco sobre sua vida pessoal. Você tem filhos? É casado. Tem namorada?

Eu tenho uma filha, Victória, de três anos e meio, e hoje eu estou solteiro.

Você mora em casa ou apto? Tem carro? Moto?

Moro em apartamento alugado e tenho um carro.

Qual outro esporte você gosta de praticar, surf?

Eu praticamente só faço jiu-jitsu e esportes relacionado a luta, de vez em quando surfo,  jogo um vôlei, mas a vida é corrida e o descanso é merecido na maioria das vezes.

Mande um recado para seus fãs em Manaus, incluindo seus familiares.

Queria mandar um grande abraço a meus irmãos amazônicos que apesar da distância nunca me abandonaram, meu colegas de escola, rua, futebol, jiu-jitsu e balada, além dos meus pais, irmã e sobrinha que moram no Brasil. Minha irmã e sobrinha moram em Manaus, logo vai um beijão ai pra elas.

 


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