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Moradores do bairro Manôa, na Zona Norte de Manaus, se juntam para construir área esportiva

Cansados de esperar: Depois de pedir apoio das autoridades e não receber resposta, vizinhança toma conta do espaço para a pratica várias modalidades e prometem não parar agora que ampliaram a oferta 03/11/2015 às 11:07
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Área abandonada agora é utilizada pela população do Manôa, que teve uma boa ideia para o local até então sem atividades
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Cansados de cobrar melhorias e investimentos no esporte e lazer em prol da comunidade, os moradores do conjunto Manôa, na Zona Norte da cidade, resolveram arregaçar as mangas e eles próprios criaram uma área alternativa para a prática desportiva.

O espaço, localizado ao lado do campo principal do bairro (rua 2, próximo a estação da linha de ônibus n° 304 (Manoa-Centro), tem 25 metros de comprimento por 16m de largura, ao lado da Casinha da Saúde do bairro e, antes, era tomado pelo matagal e desocupados. Hoje, serve de local para a prática do vôlei, futevôlei, ginástica funcional e, dentro em breve, vai ganhar aulas de zumba.

A mobilização para a mudança de cenário começou em março, a partir das reuniões do projeto Caravana do Lazer, conta Maurílio Marques, presidente da Liga Desportiva do Conjunto Manôa. “Criamos a caravana em março visando  integrar a comunidade e resgatar brincadeiras antigas, como a queimada e o tacobol, fazendo com que os moradores saíssem um pouco do celular e do computador”.

E aí, instigados, os populares resolveram mobilizar: convocados, os moradores arrecadaram o equivalente para comprar duas carradas de areia e dois sacos de cimento.

Outros colaboraram com alguns outros materiais de construção, bebedouros e algumas cadeiras. Uma borracharia doou 60 pneus que se juntaram a outros 10 que já haviam sido arrecadados, junto com 280 garrafas utilizadas como lixeiras e que também servem como assentos.

As obras duraram menos de uma semana e há duas os comunitários já desfrutam do que construíram. Os moradores não vão parar por aí. Já começou o recolhimento de pneus para tornar possível a divisão do campo pequeno, que vai se transformar em dois, sendo que em um deles será construído um centro cultural.

Rotina familiar renovada

Um dos exemplos do quanto a comunidade do conjunto Manôa vem desfrutando de uma melhor qualidade de vida com o novo espaço é o casal formado pelo microempresário Lincoln Fábio Almeida Fernandes, 38, e sua esposa, Márcia Polyane Pereira de Souza, 30. Ambos vão juntos para se exercitar e praticar esportes. A situação era diferente há algumas semanas.

“Faço as atividades junto com minha esposa. Antes, há bastante tempo eu vinha sozinho para jogar bola. Agora, ela resolveu se juntar mais à comunidade, jogando vôlei, e estar aqui virou um dos prazeres dela”.

Hábitos novos, vida nova

A limpeza e reforma do campo também funcionaram como reabilitadores sociais de ex-usuários de entorpecentes, afirma Maurílio Marques,  contando a história de um morador que “mudou da água para o vinho”.

“Há um rapaz que era usuário de drogas no espaço que ficava o campo. Nós o chamamos  para construir o novo espaço conosco. E ele atendeu e, entre outras coisas, ajudou a fazer a lixeira de pneus. E incrível: ele é a primeira pessoa que chega, arruma e limpa a quadra, instalando a rede de vôlei, etc.

Ele deixou de usar droga para jogar vôlei. Isso é muito gratificante para nós”.Outro caso interessante é o de uma moradora do Vale do Sinai que, procurando uma atividade física após a perda de seu filho, procurou a direção da Liga para que fosse construído um espaço de lazer como o existente no Manoa.

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