Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019
Fim do Parque Amazonense

Moradores protestam contra construção de DIP no Parque Amazonense

Construção de delegacia no antigo campo de futebol indigna moradores que realizaram protestos para manifestar insatisfação com medida



1.png Obra no antigo Parque vai custar R$ 2.550.908,13 aos cofres
06/06/2013 às 08:43

A construção do 22º Distrito Integrado de Polícia (DIP) dentro do campo do Parque Amazonense, berço do futebol estadual, onde ficava localizada a grande área do gol da rua Libertador, indignou os moradores da comunidade do Bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul de Manaus. Nessa quarta-feira(05), um grupo deles saiu pelas ruas para chamar a atenção do que julgam ser o golpe de misericórdia em um patrimônio da capital  amazonense.




Fundado em 1906, a princípio como hipódromo e, seis anos depois, para receber o que viria ser o esporte mais popular do País, o futebol, o Parque Amazonense há 41 anos deixou de ser utilizado pelos clubes profissionais. Sua última partida oficial foi entre Rio Negro e o extinto Rodoviário (vitória do Galo por 3 a 1), no dia 8 de julho de 1973. Desde então, o abandono da área passou a ser cobrado pela população, sem que o Poder Público tomasse uma providência. Quando este decidiu agir, porém, os moradores se revoltaram. “Nós não estamos protestando contra a construção do DIP, mas sim contra a imposição do lugar. Custava conversar? O DIP vai ser bom para a comunidade, que terá mais segurança, mas não instalado dentro do campo. Isso vai reduzir o espaço da única área de lazer. Além do Beco do Macedo, este campo atende a outros bairros vizinhos como: Presidente Vargas, São Geraldo, São Jorge, Comunidade Seringal Mirim, Vila Amazonas, Vieiralves, Praça 14 e Chapada”, enumerou o jornalista David Almeida, 60, morador do Bairro de Nossa Senhora das Graças há 45 anos.

Explicação

O Secretário Executivo de Segurança do Amazonas, Amadeu Soares, disse que a construção do 22º DIP faz parte do Projeto Ronda nos Bairros, criado há pouco mais de um ano, e que a localização do espaço não foi uma escolha, mas  a oportunidade de criar uma delegacia em um local onde a insegurança é grande. “O terreno foi doado pelo proprietário daquele espaço para o Governo e cabe a nós levar segurança àquele bairro. E não é todo espaço do campo que será ocupado, apenas dois mil metros quadrados”, explicou Amadeu Soares.

Uma dupla de radialistas, que trabalhou no local, lamentou mais um triste capítulo do Parque Amazonense. “Sou favorável à construção do DIP, mas é uma pena ver um local histórico e de tanta importância para o nosso futebol ser esquecido por décadas”, disse Valdir Corrêa. “Não sou contra a construção, mas deveria ser respeitado o espaço esportivo da população”, comentou Arnaldo Santos.

Peladão marcou despedida

No dia 6 de outubro de 2007, A Rede Calderaro de Comunicação (RCC) escolheu o Parque Amazonense como palco de abertura do mais tradicional evento esportivo de Manaus, o Peladão. A intenção da coordenação do maior campeonato de futebol amador do mundo era relembrar os grandes momentos vividos no local. Em parceria com o Governo Estadual, parte do que restou do muro e o belo portão que dava acesso às arquibancadas do estádio foram pintados. “Lembro que nem a forte chuva naquela tarde foi capaz de tirar a beleza da homenagem. Veio todo um filme dos momentos que trabalhei ali na cabeça”, recordou Arnaldo Santos, lembrando que o secretário de cultura, Robério Braga, e o então vice-governador, Omar Aziz, marcaram presença no evento.

Ao contrário do que muitos pensam, o Parque Amazonense não é tombado pelo Patrimônio Histórico, como explica o secretário geral do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), Geraldo dos Anjos. “O Patrimônio Histórico não pode tombar um local onde não existe mais nada”, salientou.


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