Domingo, 17 de Novembro de 2019
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Morte Flaviano Limongi : Adeus ao patriarca do futebol local

O jornalista e fundador da Federação Amazonense de Futebol (FAF) morreu neste sábado (13) em decorrência de problemas cardíacos



1.jpg Flaviano Limongi foi enterrado neste domingo (15)
15/04/2013 às 17:43

Por volta das 15h30 de sábado (13), o Amazonas perdeu o jornalista, juiz aposentado e fundador da Federação Amazonense de Futebol (FAF) Flaviano Limongi, que faleceu, aos 86 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. Ele estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Beneficente Portuguesa,  no Centro de Manaus.

O corpo de Limongi foi velado no Salão Nobre da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) durante a noite de sábado e pela manhã de domingo (14), e enterrado no Cemitério São João Batista, na Zona Centro-Sul. Nos últimos sete meses, ele sofreu uma série de complicações cardíacas, pulmonares e renais que o deixaram bastante debilitado.



Utilizando um marca-passo desde fevereiro deste ano, Limongi teve uma primeira parada cardíaca na última sexta-feira (12), um dia antes de sua morte. “Era uma grande pessoa, em todos os sentidos. Um avô, um pai maravilhoso. Não era só um parente, era nosso amigo. Ele sempre procurava saber como nós estávamos”, lembrou a neta Isabela Limongi.

No velório do desportista, somaram-se aos familiares o atual presidente da FAF, Dissica Valério Tomaz, os radialistas Arnaldo Santos, Waldir Correa, Zezinho Bastos, bem como antigos desportistas, a exemplo de Joaquim Alencar, Raimundo Benarrós e Fernando Loureiro. “Comecei a ouvir falar sobre o Limongi com 14 anos de idade, quando eu jogava vôlei na escolinha do Rio Negro. Ele, sem dúvidas, foi o divisor de águas do futebol no Amazonas”, disse Dissica Tomaz.

Quem não pôde comparecer ao velório foi o também jornalista e grande amigo de Limongi Carlos Zamith, 87, que sofre com sequelas de um edema pulmonar e paralisia parcial nos membros inferiores. Representando o pai, o analista de sistemas Carlyle Zamith acrescentou que o antigo companheiro de Flaviano Limongi sequer foi informado da morte do amigo.

“Não foi nem falado para ele, que não está sabendo (da morte de Limongi). A gente vai esperar a saúde dele melhorar para contar, mas independente disso eu peguei as anotações dele do site Baú Velho e postei bastante informações a respeito do amigo, com fotos”, adiantou Carlyle, que mostrou a homenagem na web aos familiares de Limongi por meio de um iPhone.

Velado na ALE-AM até 10h10 deste domingo, o corpo de Flaviano Limongi foi transportado em cortejo fúnebre ao Cemitério São João Batista, onde foi enterrado às 10h45. Junto ao túmulo dele, está enterrado o seu irmão Andréa Limongi, falecido em 1993, aos 71 anos. Logo ao lado, jaz os pais Filomena e Vicente Limongi. Flaviano deixou a esposa Maria das Graças, mais conhecida como Santa Limongi, mais três filhos.

FUTEBOL E AMIZADE


Mesmo contrariando o pai, Vicente Limongi, Flaviano cedo se rendeu ao futebol, quando ainda era estudante do Colégio Dom Bosco. Lá, foi goleiro de um time chamado Uberabinha e se destacou. Como bom desportista, Limongi conheceu bem a realidade e os fundamentos de um atleta, experiência fundamental que o tornaria o mais influente dirigente de futebol do Amazonas.

Ainda adolescente, o goleiro já dava indícios de que era um visionário e ajudou a fundar o Tijuca, clube formado em sua maioria por alunos do Dom Bosco. Na década de 1940, o time passou a disputar um campeonato da Liga Matinal, com partidas no campo do Luso. Para evitar as broncas do pai, que não se mostrava a favor do seu ímpeto competitivo, Limongi usava o nome Aymoré nas escalações de sua equipe, na qual era titular.

Aos 16 anos, Limongi foi chamado para defender a Seleção do Amazonas num confronto com o selecionado paraense. Na ocasião, ele esteve na reserva do experiente Iano, defensor do Rio Negro. Quatro anos mais tarde, no entanto, ele assegurou uma vaga como titular.

As atuações de destaque pelo Tijuca e pela Seleção Amazonense fizeram com que Limongi adotasse o seu verdadeiro nome nas relações, dada a sua importância nas partidas com o passar do tempo. Embora promissor, ele abandonou a carreira ainda jovem para se dedicar aos estudos.

Sempre no esporte

A saída do futebol não o impediu de continuar no esporte – ele se manteve integrado praticando basquete e vôlei, outras modalidades do Tijuca na época. Não demorou muito e ele se tornou cronista e narrador de partidas de futebol.

Na redação, um estilo inconfundível

No jornalismo, Flaviano Limongi deixou mais evidente seu lado descontraído aos profissionais da área, bem como o requinte irônico de seus textos na coluna Bazar, veiculada no jornal A CRÍTICA. Quem conheceu ou acompanhou o trabalho de Limongi nos veículos de comunicação do Amazonas hoje lamenta a morte do completo e exemplar desportista.

Diretor-presidente do Sistema A Crítica de Rádio e Televisão, Dissica Tomaz Calderaro dividiu o sentimento da perda em três partes. “Pelo que ele representou ao futebol amazonense, pela colaboração dele no jornal A CRÍTICA, e a amizade familiar, a relação de irmão que ele tinha com meu avô (Umberto Calderaro)”, declarou.

Dissica Calderaro também comentou a respeito da proximidade que tinha com o entusiasta do futebol amazonense. “Ele conviveu conosco durante décadas e tivemos essa admiração por ele. É difícil não citar essas etapas. Meu avô o considerava como irmão. A gente sente bastante e pedimos conforto aos familiares dele”, ressaltou.

Presença

Jornalista esportivo aposentado, Flávio Seabra lembra que Limongi não costumava frequentar as redações, mas era facilmente notado quando se fazia presente.  “Ele tinha a coluna Bazar, que fazia na sapataria que era dono, mas quando ele ia à redação era uma festa, porque ele era irreverente e muito criativo como dirigente. Vivia pensando no que fazer com o esporte”, disse.

As características do colunista também chamavam a atenção. “Ele criava pseudônimos, escrevia para outros jornais, era muito criativo, participativo, gostava de estar na brincadeira. Ele foi desportista, nadador, jogador, fez todo o ciclo”, ressaltou Seabra.

Bordões

Entre personagens e bordões, destacam-se a “dama de preto”, pseudônimo adotado por Limongi para designar fontes fidedignas.

No início da coluna Bazar, ele costumava citar: “domingo de pernas de fora e missa em todas as paróquias”, assim como encerrava os textos com o reconhecido bordão: “um abraço, uma saudade, uma rosa”.

Amigos para sempre


A amizade entre Carlos Zamith e Flaviano Limongi foi uma ponte construída pelo amor ao futebol. Assim definiu Carlyle Zamith, filho do jornalista responsável por abastecer o site Baú Velho, que contém inúmeros registros do futebol amazonense. Em postagem no dia da morte de Limongi, o substituto do “dono do baú” revelou a história de companheirismo e união entre os desportistas.

O ponto de encontro não poderia ser diferente. Ambos aos 16 anos, Limongi era goleiro do Clube Tijuca e Zamith um assíduo frequentador do estádio situado em frente ao Colégio Dom Bosco, na avenida Epaminondas, Centro de Manaus. A amizade se estendeu até se fortalecer no momento em que os dois se encontraram no jornalismo, com Limongi cobrindo esportes no jornal A CRÍTICA e Zamith como integrante de uma resenha esportiva da Rádio Rio Mar.

Um convite de Flaviano Limongi a Zamith para fazer parte do jornal A CRÍTICA aproximou ainda mais os dois, que tinham coluna sobre o futebol no noticiário. Na Federação Amazonense de Futebol (FAF), eles foram presidente e tesoureiro, respectivamente. Os dois foram determinantes para a construção do Estádio Vivaldo Lima e pela vinda da Seleção Brasileira em 1970, antes da Copa do Mundo no México.

A partir de então, o Vivaldão foi o ponto de encontro dos amigos até sua demolição, em 2010. Pouco antes disso, eles já se reuniam semanalmente desde a aposentadoria de ambos. Os encontros geralmente aconteciam na Praça do Lili, uma área verde localizada em frente à casa de Zamith, carinhosamente batizada com o apelido do amigo Limongi. Curiosamente, na semana que antecedeu a morte de Flaviano Limongi, Carlos Zamith insistia em questionar sobre a saúde do companheiro, de acordo com Carlyle. “Na última semana, com uma frequência fora do normal, ele questionava a respeito do Limongi, pedia para ligar para ele. Parecia uma coisa espiritual, de que ele estava sabendo que o amigo ia embora”, comentou.

O último encontro entre Carlos e Flaviano aconteceu no dia 23 de outubro de 2012, no hospital onde Limongi estava internado. Pouco tempo depois, Zamith teve complicações no quadro de saúde e atualmente tenta se adaptar a uma nova fase, mais limitada.






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