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Motoboy amazonense vai disputar elite do BMX bicicross em 2016 de olho no campeonato mundial

Entre as entregas do restaurante onde trabalha, Márcio Luis treina duas a três horas por dia, sesi dias por semana, e agora disputará categoria profissional 26/12/2015 às 17:06
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Marcio Luis treina diariamente na quadra do viaduto do V8
Felipe de Paula Manaus (AM)

Sob o sol do meio-dia e montado numa moto de 125 cilindradas, Márcio Luis corta Manaus para levar comida aos clientes do restaurante onde trabalha. Só depois das três, ele usa as horas que tem de folga antes das entregas da noite para treinar os hábeis movimentos acrobáticos em cima de uma BMX, modelo de bicicross usada para competições de velocidade e em manobras performáticas, o seu caso.

É assim, levando a vida a duas rodas, que o motoboy Márcio Luiz concilia o sonho de ser um profissional da bike com o trabalho, que atualmente sustenta não só o seu hobby, mas suas viagens para competições. Recém-campeão brasileiro de BMX Flatland, o motoboy agora ascenderá à categoria profissional da modalidade. Em 2016, vai competir na elite do BMX brasileiro e ganhar mais espaço para competições internacionais.

“É a realização de um sonho. Venho lutando há anos por isso. É muito difícil um piloto amazonense sair daqui, disputar com profissionais. Já disputei até com piloto gringo e em 2017 quero competir (etapas do Mundial) na Alemanha”, diz Márcio, que começou a praticar o BMX em 2002, mas teve de parar em 2007, voltando há três anos para o esporte no qual hoje é a referência no Amazonas.

Com duas ou três horas de treino por dia em no mínimo seis dias na semana, Márcio se prepara para buscar competições ainda mais disputadas, como etapas do mundial da modalidade. “Em 2017 quero competir na Alemanha“, diz ele, que já tem nível para torneios internacionais e já até participou de um deles, realizado no Brasil, em 2014: ficou em terceiro na categoria amador. “Entre 35, fiquei entre os três”, orgulha-se.

E tamanha dedicação num esporte ainda incipiente no cenário nacional, dominado pelo noticiário futebolístico, não é para qualquer um. “Muito piloto desiste porque não tem muito incentivo. Sou assim, tem que continuar, mesmo que eu não ganhe nada, porque um dia alguém vai aparecer, um brasileiro vai ser campeão mundial e o esporte vai ser mais divulgado”, diz ele.

E enquanto isso não acontece, entre uma e outra entrega, o motoboy Márcio Luiz vai aperfeiçoando a técnica e aumentando o número de manobras para levar o Amazonas cada vez mais longe na modalidade mais bonita do bicicross.

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