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Esportes
SEM ASSÉDIO!

Mulheres do esporte amazonense se unem a movimento nacional contra o assédio

Com a campanha “Deixa ela trabalhar”, eles querem combater episódios lamentáveis dentro de estádios, redações e entre colegas de profissão, e pedir algo simples: respeito 01/04/2018 às 05:15
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Jornalistas e árbitras do Amazonas se uniram para dar um basta no machismo. (Foto: Evandro Seixas)
Jéssica Santos Manaus (am)

Estamos nos campos, nas coletivas, nos treinos, nas redações, em campeonatos, e só queremos que nos deixem trabalhar! Somos jornalistas, árbitras, trabalhamos com o esporte, mas precisamos lidar com atitudes machistas e com o assédio no nosso cotidiano. Lutando contra isso, 52 jornalistas brasileiras lançaram, no último domingo (25), a campanha “Deixa ela trabalhar”, com o objetivo de combater episódios lamentáveis dentro de estádios, redações e entre colegas de profissão, e pedir algo simples: respeito.

No Amazonas, a situação das profissionais não é diferente, então, 28 mulheres do esporte local decidiram aderir à campanha nacional, vestir preto para demonstrar a insatisfação e, principalmente, contar as situações constragedoras e ofensivas pelas quais passam no dia-a-dia, unicamente por serem mulheres, para dar um basta no machismo.

Larissa Balieiro e Thaís Gama, ambas da Rádio Difusora, sofreram ataques pela internet, no último fim de semana. Larissa postou nas suas redes sociais uma foto dela, da sua colega, Thaís, e do locutor Arnaldo Santos, na transmissão desafiadora que fizeram no jogo entre Rio Negro e Nacional. Foi quando uma pessoa decidiu comentar a foto, julgando o trabalho das repórteres. “Postei feliz da vida. Aí um cara foi lá e ofendeu eu e Thaís (únicas mulheres da equipe), dizendo que não sabíamos de nada, mas ‘era o que tinha e ele ia aceitar’. As ofensas continuaram em comentários de baixo calão, e acabou ganhando repercussão”, conta Larissa.

Thaís também relembra com tristeza do episódio. “Todos tem sua opinião, mas ser machista e desrespeitoso, não precisa, né? Nas redes sociais existem muitos donos da razão e, entre muitas ofensas por parte do cara, surge uma professora, que também manifestava o mesmo pensamento, cercado de machismo. Mas tivemos apoio de jornalistas que também passaram por isso. Todas se uniram porque não dava mais para tolerar. É beijo na boca, ofensas, onde vamos parar? Ser mulher é ser menor? Não, somos tão capacitadas quanto os nossos colegas que desempenham a mesma função”, afirma Thaís, que trabalha há seis anos no jornalismo esportivo.

A jornalista Cíntia Valadares, da rádio Rio Mar, também passou por situação intolerável, recentemente. “Um jogador de futebol me assediou no estádio e ainda disse que achava que eu estava gostando. Eu falei, reclamei, disse que não estava gostando e qualquer pessoa, pela minha cara, já tinha percebido isso. Ele pediu desculpas, mas não aceitei. Esses caras precisam parar e pensar: ‘e se fosse minha mãe, irmã, namorada? Isso é falta de respeito e nós exigimos respeito. Essa campanha veio em boa hora porque nós mulheres sofremos com assédio, grosseria de dirigentes e alguns torcedores. É hora de dar um basta”, conclui Cíntia.

Hora de exigir respeito!

Júlia Magalhães, da TV A crítica, trabalha com jornalismo esportivo há 12 anos, e também sofre com o machismo. “A campanha é importante! Triste é precisar fazer campanha pedindo respeito ao nosso trabalho! É triste ser desacreditada pelo simples fato de ser mulher! São quase treze anos tendo que lidar com o machismo disfarçado de brincadeiras e com o machismo que ofende”, ressalta.

Camila Leonel, do Craque, também acredita que só com a nossa voz podemos mudar algo. “É preciso mostrar que não podemos aguentar caladas esse tipo de preconceito, mostrar que temos voz e pedir respeito que não é mais que um direito nosso. Esses casos acontecem em todo lugar e só refletem a sociedade machista que temos. O que a gente passa é só um reflexo de um cotidiano que é bem pior na rua, nas festas...Em todo lugar”.

Frases

"Vivemos numa sociedade muito julgadora. Os tempos mudaram. Não quero reconhecimento de torcedor, ou seja lá de quem for. Quero Respeito!", Larissa Balieiro, repórter.

"O apoio de colegas da área e de torcedores nos fortalece. E deixo um recado, estamos onde queremos estar e não vamos parar. Queremos respeito!", Thaís Gama, repórter.

"Não somos obrigadas a ser destratadas e aturar desaforos enquanto trabalhamos. Na verdade, não somos obrigadas a aceitar isso nunca", Cíntia Valadares, repórter.

"Somos tão profissionais quanto os homens e devemos exigir o mínimo de respeito! E é bom lembrar que isso começa dentro das redações!", Júlia Magalhães repórter.

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