Terça-feira, 07 de Julho de 2020
Retomada

Na China há três anos, professor de jiu-jítsu amazonense comemora retorno à 'normalidade' no país

Ayres Neto mora na cidade de Baoding e amargava três meses sem abrir as portas de sua academia



WhatsApp_Image_2020-05-28_at_09.38.30_82154920-DE8B-4754-B8DD-72BB408E0CFB.jpeg Foto: Acervo Pessoal
31/05/2020 às 18:39

Com aproximadamente 1,38 bilhão de habitantes, a China, país mais populoso do mundo, entra no processo de reabertura dos comércios e estabelecimentos em geral, após a diminuição dos casos de coronavírus. Em maio, o país chegou a registrar apenas um novo caso da doença em um período de 24h: número muito comemorado se comparado à marca brasileira de mais de 26 mil diagnósticos dentro do mesmo período na última quinta-feira (28).

Em meio ao cenário otimista de recuperação no oriente, o guerreiro amazonense, Ayres Neto, pôde voltar à dar aulas de jiu-jítsu em sua academia, localizada na cidade Baojing, a 140 quilômetros da capital Pequim.



“Todos ficamos muito felizes aqui. É uma vitória grande. Os alunos estão cheios de energia e com muita vontade de treinar. Estamos nos precavendo, vamos fazer de tudo para que possamos continuar treinando com segurança”, destacou sobre o sentimento do regresso ao tatame. 

O faixa preta mora na China desde 2017, onde leciona na “A Miracle Of Jiu-jitsu” e desde janeiro não abria as portas para treinos. Ele explica que retornou às atividades no dia 11 deste mês, após decreto da prefeitura de Baojing, mas que em alguns pontos do país, o mesmo ainda não aconteceu. O decreto federal foi oficializado dia 9, porém as cidades possuem autonomia para aderir ou não ao retorno de atividades. 

“Cada um tem sua regra, porque os níveis de contaminação precisam ser levados em conta dependendo da cidade. A quarentena foi levada de maneira bem rígida por aqui. A fiscalização era pesada. Mesmo hoje, após a volta, nós checamos a temperatura dos nossos alunos antes deles entrarem na academia”, disse a respeito dos cuidados que o governo chinês exigiu de sua população. 

Ele ressalta outras medidas adotadas para que o retorno não seja a volta da normalidade, mas sim um 'novo normal' para que todo o esforço e avanços no combate ao vírus não sejam jogados fora. 

“Existe um aplicativo, permitido pelo governo chinês, que fornece os dados de viagem de determinada pessoa. Logo, antes de aceitarmos a galera para os treinos novamente, nós checamos esses dados, para saber se ela não esteve em contato com pessoas fora de Baojing. Além de que antes dos treinos e após, uso de máscara é obrigatório”, contou sobre o novo esquema de segurança. 

A China, foi o primeiro país a ser atingido pelo novo coronavírus no fim de 2019. A cidade de Wuhan foi considerada pelos especialistas como o foco inicial do Covid-19 e sofreu com falta de infraestrutura para suprir a demanda de pacientes com quadro grave. Agora, com a esperança de dias melhores logo à frente, o cuidado que parece ser exagerado em relação aos dados mais recentes, é justificado pela expressão ‘segunda onda’ - termo que ilustra uma nova contaminação em massa. 

“Ainda estamos totalmente fechados para entrada de estrangeiros, claro existem casos especiais, mas pessoas comuns não podem. Todos nós estamos com muito medo de viver aquele terror de antes, mas a principal forma que isso poderia acontecer é deixando de seguir medidas de segurança e permitir que as viagens aconteçam normalmente”

Ele explica que isso também reverbera no esporte, já que o jiu-jítsu é conhecido mundo afora por seus massivos campeonatos internacionais, onde é comum grandes aglomerações em espaços fechados. Desta maneira, treinar na academia serve como um grande ‘respiro’ para quem estava com saudade do tatame. 

“Os campeonatos são muito mais complexos, não conseguimos nem passar em cidades que ficam perto umas das outras, esse intercâmbio agora seria muito prejudicial. Na minha opinião é algo que levaria muitos meses para acontecer. Eu sei que é muito difícil para quem precisa das premiações dos torneios e os professores sem mensalidade também. Mas assim como está passando aqui, vai passar no Brasil e no mundo”, concluiu a respeito da complicada situação na sua terra natal e outros países.

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Repórter de A CRÍTICA

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