Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
AÇÃO SOCIAL

Na Compensa, projeto concilia futsal e religião para afastar jovens das ruas

Responsável pela ação social "Deus Escolheu Você Futsal" há 11 anos, Emanoel dos Santos conta com a ajuda da esposa Joelma. Mesmo com dificuldades financeiras, os dois persistem no cuidado a jovens



WhatsApp_Image_2020-01-31_at_21.35.56_00B732B3-6FA9-4759-9463-29DBE29B8677.jpeg Foto: Eraldo Lopes/Freelancer
03/02/2020 às 09:09

Usando um termo bastante comum em análises de futebol, é possível dizer que a segurança pública não vive seu melhor momento. A cada semana vemos crimes fazerem vítimas na cidade de Manaus, o que afeta famílias de todas as classes sociais. Mas quando a estrutura familiar é quase inexistente dentro de casa, o caminho errado do crime acaba sendo a melhor "resposta" para jovens.

É com o intuito de afastar o perigo desses jovens que Emanoel dos Santos comanda a ação social chamada de "Deus Escolheu Você", que busca usar a palavra evangélica, junto com o futsal, para alertar quem vê no crime um bom caminho. As atividades acontecem às sextas-feiras e sábados, na quadra Dom Jackson, na Escola Estadual João Bosco, Compensa I.



Bem em nome de Deus

Mesmo que ainda não fosse o projeto, o horário que hoje é utilizado pelos garotos da Compensa já era da família de Emanoel. Há 11 anos, era Rosmildo, irmão de Mazinho - como é chamado por amigos -, o responsável pelo horário que tinha o intuito de somente divertir os "boleiros" das redondezas.

Hoje, o idealizador da ação faz questão de deixar claro que não se trata somente de um horário para jogar futsal, mas sim um encontro para que os bons princípios de Deus, como o respeito, sejam passados aos jovens. “Faço uma célula às quintas, prego as palavras de Deus. Não é só futsal, é uma família. Quero que eles possam contar comigo quando precisarem, que eles tenham uma mudança de vida”, afirmou Emanoel. 

Atenção às famílias

Hoje, sendo uma espécie de pai para os jovens integrantes da ação, Mazinho busca incentivar aos garotos, que pais e mães sejam respeitados, ainda que muitos não tenham uma base familiar estruturada, como explica. “Tenho aconselhado e falado do amor de Deus, e peço para que eles respeitem os pais dentro de casa, que procurem aceitá-los. Alguns tem seus responsáveis passando por problemas com álcool e drogas”, revela.

Até por não ter uma parceria com os responsáveis pelos atletas, o Deus Escolheu Você encontra dificuldades financeiras. Levando por conta própria junto com a esposa Joelma dos Santos, Emanoel não recebe incentivos para reforçar a questão de equipamentos. A ajuda, por coincidência, acabou vindo de um "fruto" da ação.

Encontros acontecem às sextas-feiras e sábados. Foto: Eraldo Lopes/Freelancer

“São poucos recursos, acabo tirando do meu salário. Quem acabou me ajudando foi o Antônio, um jovem que era do projeto e que eu consegui um emprego onde eu trabalho. Ele comprou todos os coletes com o salário e nos abençoou”, contou Emanoel, que fez valer o ditado "plantar para colher".

Exemplo a ser seguido

Com o passar dos anos, alguns jovens acabaram não se rendendo as tentações do "mau caminho". Porém, comparado aos garotos que fizeram sucesso, são minoria. Um dos que brilharam fazendo parte da ação foi Joel Costa, que chegou ao Deus Escolheu Você com 15 anos de idade. Hoje com 23, fala sobre a disciplina adquirida.

“Já estou há oito anos aqui, sou um dos mais antigos. Consegui um emprego através dele, lá na Moto Honda da Amazônia (local de trabalho de Emanoel). A importância do projeto é a disciplina e o respeito que levamos. A principal regra, por exemplo, é não falar palavrão, com um respeitando ao outro”, comenta Joel, que também é exemplo para os mais novos e recebeu ajuda de Emanoel há cinco anos, quando começou na empresa como menor aprendiz.

Outro a ser auxiliado foi o haitiano Christopher Joseph, que mesmo vindo de outro país também recebeu o carinho. “Acho legal vir para o projeto porque faço novos amigos e pratico uma atividade. Minha família veio antes para o Brasil. Como vim depois, aproveito a oportunidade e faço amigos”, contou o estrangeiro de 21 anos, que também passa por dificuldades para conseguir um emprego.

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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