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Esportes
Série 'Grandes Esquadrões'

Nacional: as lembranças da 'Era de Ouro' do Leão da Vila Municipal

Entre as décadas de 1970 e 1980, o Naça devorou os adversários tanto no Campeonato Amazonense como no Brasil de 1986; por pouco, o Nacional não conquista 11 títulos consecutivos do Amazonense. 23/10/2016 às 12:11
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O ex-xerifão da zaga do Nacional, Murica, relembra a época em que o Leão engolia os gigantes do futebol brasileiro dentro do Vivaldão (Foto: Márcio Silva)
Denir Simplício Manaus (AM)

Maior devorador de títulos do Amazonas, o Leão da Vila Municipal orgulha-se de ter conquistado 43 taças do Barezão, desde seu surgimento em 1914. Somente na era profissional (desde 1964) já são 25 troféus, um feito invejável para qualquer clube do País. 

Seguindo a série de matérias especiais sobre os grandes esquadrões do Campeonato Amazonense, o CRAQUE teve dificuldades para escolher qual Nacional citar, tamanha a variedade de ótimas equipes que vestiram a camisa azulina entre as metades das década de 1970 e 1980, quando o Naça conquistou o hexacampeonato entre 1976 a 1981 e, posteriormente arrebatou o tetra entre os anos de 1983 e 1986. De quebra, o Leão expandiu seus domínios, deixando sua marca entre os maiores clubes do Brasil na disputa do Brasileirão de 1986.

Leão de respeito

A “Era de Ouro” do Leão começou em 1976, quando o “Mestre Bibi” (filho do craque Didi) ainda desfilava seu futebol arte pelos gramados Barés. Mantendo a hegemonia, o Naça só teve sua sequência de conquistas interrompida pelo Rio Negro, em 1982. 

Daí em diante o Leão voltou a rugir alto no Barezão com equipes que tinham ídolos como: China, Marcão, Paulo Galvão, Marinho Macapá, Sérgio Duarte, Luis Florêncio, Camarão, Hidalgo, Tojal, Raulino e Bendelak. Além dos craques de Seleção como  Edu e Dadá Maravilha, o zagueiro Murica se destacou entre essas feras.

“Era um time de respeito. Bons jogadores... tinha um bom goleiro, uma ótima zaga, um ótimo meio de campo, um bom ataque e o principal que era o treinador (Aderbal Lana). Sempre nos saíamos bem e era um time muito respeitado”, relembra Amaury da Silva Coutinho, o Murica, lembrando que Lana comandou o Naça nos Estaduais de 1985 e 1986, quando o Leão também “devorava” os adversários pelo Brasil.

“Em 1986, Nacional e Rio Negro fizeram a final no Vivaldão. Tinham mais de 44 mil pessoas no Rio-Nal. Isso marcou muito. Fomos campeões com  gol do Raulino, que já até faleceu – que Deus o tenha em um bom lugar. Ele fez o gol do título e saímos com muito ânimo e muita alegria daqui”, recorda o ex-defensor.

Devorador de gigantes

A força do time do Nacional não se limitou ao Amazonas. Na temporada de 1986, comandados pelo mítico Aderbal Lana, o Leão “devorou” clubes grandes do cenário nacional durante a disputa do Campeonato Brasil. 

Hoje líder isolado do atual Brasileirão, o Palmeiras de 1986 veio até o Vivaldão e apanhou por 2 a 1 do Nacional. Da mesma forma, o Atlético-MG, que na época era dirigido por Telê Santana, caiu diante do Naça pelo mesmo placar. Assim como o Internacional-RS não suportou o melhor futebol do “Mais Querido” como é chamado por sua torcida, e voltou pra Porto Alegre derrotado.

“Quando jogávamos fora, nós só perdíamos os jogos por 1 a 0 ou 2 a 1 e nos minutos finais. O Lana sempre nos falava: ‘Atenção no final do jogo, hein? Vamos nos precaver porque estamos perdendo no fim dos jogos’. Por exemplo, contra o Vasco, em São Januário, estávamos empatando em 1 a 1 e veio o Romário aos 45, marcou o gol e acabou o jogo”, recorda Murica lembrando que os grandes sofriam com o Naça.

“Ganhamos do Palmeiras, Atlético, Inter, Santa Cruz... só time grande. Não dávamos moleza pra esses caras, não”, comenta o ex-xerifão da zaga nacionalina.

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