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Nacional deixa mais uma vez seus torcedores na mão, eliminado dentro de casa diante do Salgueiro

No ano em que completou um século de existência, o Naça deu adeus à disputa da Série D dentro de casa 09/09/2013 às 09:44
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Ao fim da partida jogadores não acreditavam na eliminação
Paulo Ricardo Oliveira ---

O Nacional vestiu a camisa da vergonha do futebol amazonense no ano do centenário e deu adeus à disputa da Série D da forma mais melancólica possível, neste domingo (8), dentro de casa.

O empate por 2 a 2 no estádio Roberto Simonsen, Clube do Trabalhador (SESI), diante do Salgueiro (PE), tirou do Leão da Vila a chance de avançar para as quartas-de-final da Série D.

A sensação de frustração do torcedor nacionalino foi ainda maior porque o time da casa criou e desperdiçou várias chances de gol, além de vacilar nos dois gols que sofreu. No jogo de ida contra e equipe de Pernambuco, o Nacional não saiu de um empate sem gols. A desclassificação do representante amazonense aconteceu em razão de dois gols sofridos dentro de casa, conforme critério de desempate previsto no regulamento.

Ao Nacional resta juntar o cacos e tentar o Estadual no próximo, além de amargar por um bom tempo a decepção por sair de cena na Série D com a sensação de que poderia ir mais longe no certame, não fossem mudanças inesperadas no comando da comissão técnica e no próprio time no meio do caminho. O técnico Léo Goiano afirmou que o time foi guerreiro em campo, mas não teve tranquilidade para fazer os gols que precisava. “Acabou. Infelizmente. Não era isso que nós queríamos. Peço desculpas e assumo a culpa pela desclasificação. Quando a equipe vence, o mérito é dos jogadores. Quando perde, a culpa é do treinador. Não perdemos hoje (ontem) aqui, mas esse empate nos tira da competição. Não vou esquecer essa jogo tão cedo. Tenho certeza que fizemos tudo correto para dar certo em campo. Mas não deu”, comentou o treinador, com certo embargo na voz.

Partida de tirar o fôlegoFoi um jogo eletrizante dentro de campo, mas desesperador na arquibancada para a torcida do Leão da Vila, que fez sua parte, foi ao Sesi para incentivar o time, mas saiu frustrada. Aos 14 minutos do primeiro tempo, a zaga deu bobeira e Kanu subiu sozinho ao terceiro andar, cabeceando a bola sem chances para o goleiro Gilberto, abrindo o placar para os visitantes. A equipe da casa não se abalou com o gol e continuou atacando até que, aos 25 minutos, o zagueiro Rafael Morisco igualou o placar após confusão na área. Leonardo, que havia substituído Bismark, incendiou a torcida após receber de Danilo Rios, que entrou no lugar de Leandro Cearense, e chutar no ângulo do goleiro Mondragom. Os donos da casa continuaram a pressionar buscando o placar, mas esqueceram da retarguarda. Numa dessas, Clebson, o camisa 10 do Salgueiro, que lembra o ex jogador Biro Biro, deu um tiro certeiro nas pretensões do Leão e empatou a partida dez minutos depois. O segundo gol sofrido foi uma baque e tanto para os nacionalinos em campo. “Tentamos, mas não deu. Sofremos dois gols que não poderíamaos e ficou difícil fazer o terceiro, porque começamos a jogar contra o tempo também. Aí complicou para a gente. Agora acabou”, explicou o atacante Leonardo.

Tristeza de Lana

A saída de cena do Nacional da Série D foi vista com tristeza pelo ex-técnico Aderbal Lana, demitido do comando técnico da equipe de forma ainda não bem explicada até hoje. Ele disse que não assistiu ao jogo. Soube da desclassificação do ex-time por terceiros. “É uma pena. Isso é uma tristeza não só para o Nacional, mas para o futebol amazonense, que perdeu uma grande chance de subir à Série C. Existe uma praga no Nacional, que é difícil acabar. É dirigente escalando o time e interferindo no trabalho do treinador. É fofoca de um lado e de outro”, asseverou o experiente treinador.

Lana avaliou um erro de metodologia do atual técnico Loe Goinano dar prioridade à Série D em detrimento da Copa do Brasil. “Você escalar uma equipe mista, que nem se conhecia direito, para enfrentar um Vasco, é um erro de estratégia. O Nacional tinha uma equipe formada e bem entrosada quando eu saí. Tinha condição plena de vencer o Vasco e a classificação na Série D aconteceria naturalmente”, opinou Lana, para quem Léo Goiano perdeu o prumo do comando técnico ao chorar durante entrevista coletiva. “Se o comandante chora, passa insegurança para o jogador”.

União que faz a força no Carcará

A classificação às quartas de final da Série D fora de casa foi bastante comemorada pelos jogadores do Salgueiro. O lateral e capitão Tamandaré, um dos mais experientes da equipe pernambucana, disse que o sucesso na competição acontece muito em função da força e da união do grupo. “Foi difícil, complicado, brigado, mas nós conseguimos. O grupo todo está de parabéns. Nosso segredo, aliás, é que aqui não tem nenhuma estrela. Somos um grupo, uma família”, comentou o experiente jogador, que, em 2006, enfrentou o São Raimundo, pela Série B, defendendo o Sport (PE), no extinto Vivaldo Lima. “Ganhamos aquele jogo (Sport x São Raimundo por 1 a 0. Hoje classificamos com um empate. Manaus é um lugar que me dá sorte (risos)”, brincou o jogador, que levou 18 horas para chegar a Manaus na madrugada de sábado juntamente com os companheiros. “Foi uma viagem bem cansativa, embora nós tenhamos descansado um pouco no sábado”, admitiu o lateral, responsável pelo cruzamento que culminou com o primeiro gol do Salgueiro na partida.

Tamandaré afirmou que a delegação do Salgueiro saiu da cidade 9h da manhã de sexta-feira(6) e somente chegou na capital amazonense 2h da madrugada de sábado (7). “Saímos de Salguairo a Juazeiro do Norte, Fortaleza, Recife, Belém e Manaus”, revelou.

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