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Esportes
TRAVESSIA DOS SONHOS

Após doença degenerativa e cirurgia, nadadora encara Travessia do Rio Negro

Cristiane Simões se locomoveu durante 29 anos com apoio de bengala ou cadeira de rodas. Agora, ela vai realizar a Travessia Almirante Tamandaré, no Rio Negro Challenge 11/11/2018 às 08:23 - Atualizado em 11/11/2018 às 09:08
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Cris está prestes a encarar o desafio que sonhou desde pequena, a travessia do Rio Negro. (Fotos: Junio Matos/ACrítica)
Jéssica Santos Manaus (AM)

Quando Cristiane Simões era criança, ela nadava, era atleta competitiva, mas, subitamente, aos 10 anos de idade, precisou lidar com uma doença degenerativa que destruiu o fêmur da sua perna esquerda. Ela parou de nadar e ficou, por 29 anos, caminhando com a ajuda de uma bengala e até de cadeira de rodas, muitas vezes. Cris sentia dores terríveis e nem queria sair de casa, mas, depois de tantos anos, ganhou vida nova após passar por cirurgia, e vai realizar um sonho antigo e inpensável até pouco tempo atrás: fazer a Travessia Almirante Tamandaré, a travessia do Rio Negro Challenge, que acontece no dia 9 de dezembro, na Ponta Negra, com 8,5km de distância.

“Quando era pequena, a Almirante Tamandaré já existia, e atravessar o rio sempre foi um sonho pra mim, mas que eu não tinha como realizar. E agora, eu, mulher com deficiência, estou podendo realizar esse desafio”, disse Cristiane, que só voltou a ter qualidade de vida e a praticar esporte após conseguir, três anos atrás, passar pela cirurgia de artroplastia total do quadril.

“Os médicos diziam que eu era muito nova para colocar a prótese na perna, mas em 2015, pude fazer a substituição do fêmur, e foi um ano e onze meses de aprendizado para eu voltar a andar, então, engatinhar primeiro, ficar de pé, e depois tive que me reencontrar, pois nem sabia o que fazer com a perna boa”, conta Cris.


Sonho renovado

Cris reaprendeu a caminhar, e o irmão dela, Adalberto Santos, que é triatleta, a incentivou a voltar para as piscinas. “Ele me disse: - agora você vai voltar a nadar! E me levou para a turma do ‘Coronel’ (Adelson), meu técnico”, disse Cristiane. Então, se antes Cris mal conseguia se locomover, agora ela seria atleta novamente. “Gostava muito de nadar, mas foi difícil voltar porque fiquei muito tempo parada. Voltei, mas além de nadar, tinha que perder peso”, relembra. 

Cris teve somente seis meses para reaprender a nadar e encarar o Rio Negro Challenge na distância de 1.500m, no final do ano passado. Desafio cumprido! Já este ano, dobrou o desafio e nadou 3 mil metros na prova. Agora, ela está prestes a encarar o desafio que sonhou desde pequena, a travessia do Rio Negro.

“Nadar no rio não é fácil como é nadar na piscina, mas eu gosto de sair da minha zona de conforto. O rio não tem raia, ele tem a sua força, sua vontade, então, posso até treinar muito como estou fazendo, fazer planos para a prova, sobre o ritmo que quero nadar, por exemplo, mas no rio, não existe garantia de nada”, admite Cristiane. 

O resultado da travessia pode ser incerto, mas a nadadora cosegue visualizar com detalhes o seu sentimento no grande dia. “Quando eu me aproximar da margem e tocar naquela boia da chegada, vai ser um momento de muita emoção. Não estou preocupada com colocação, e sim em completar a prova”. 

Mas o mais importante, que vai além das medalhas e travessias, ela conta que já conquistou. “Voltei a saber o que é fazer um esporte que se ama, o que é sentir aquela adrenalina de competição, e esses desafios são motivações para mim, neles me reencontro”. Como escreveu Fernando Pessoa:  É o tempo da travessia/ E se não ousarmos fazê-la/ Teremos ficado para sempre/ À margem de nós mesmos”.

Frases:

"As portas se abrem diante de uma firme determinação, e a Cris transforma seus sonhos em realidade". Adelson ‘Coronel’, Técnico

"Minha maior alegria foi voltar a ter essa liberdade de movimento. Agora quero vencer esse grande desafio". Cristiane Simões, nadadora

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