Domingo, 26 de Maio de 2019
Craque

Não existe plano B para o Brasil’, diz o coordenador da Seleção, Carlos Alberto Parreira

O técnico não resistiu ao que chamou de “chance única” na carreira: participar da Comissão Técnica da Seleção Brasileira que disputará a Copa do Mundo, em 2014, no Brasil



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Novo coordenador técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira,
13/01/2013 às 14:22

Carlos Alberto Parreira, coordenador técnico da Seleção Brasileira, está dirigindo seu automóvel no bairro da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, com a esposa e os netos, quando seu telefone celular toca.

O homem recordista em participações em Copas do Mundo (oito, sendo seis no cargo de técnico), atende prontamente, mesmo sem reconhecer o número que aparece na tela e muito menos quem está do outro lado da linha.

Logo me identifico e solicito uma entrevista exclusiva para o CRAQUE, ele, como das outras vezes em que falou com o caderno, aceita, sob a condição de que o questionamento seja breve, pois quer curtir os poucos momentos que tem com a família.

Assim é Carlos Alberto Parreira. Uma pessoa de bom senso, que sabe a importância que teve, tem e terá para o futebol brasileiro. Bem sucedido, poderia ter assessores de imprensa, que filtrariam quem teria ou não acesso a ele, mas não funciona assim com Parreira.

Ele é simples, direto e cortes. Tem educação e paciência fora do comum no meio em que vive, mesmo depois de conquistar uma bela condição financeira capaz de garantir conforto por gerações de sua família. Longe de ser uma unanimidade – e quem é no que faz? –, Parreira sempre soube conviver com críticas, seja da torcida ou da imprensa, com rara cortesia.

A maior prova de seu comportamento diferenciado aconteceu quando segurou a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Enquanto o capitão Dunga xingou jornalistas, taça, e qualquer um que cruzou seu caminho, Parreira sorria e dedicava o título ao povo brasileiro.

A Seleção Brasileira de Parreira que nos deu o tetra, quebrando um jejum de conquistas de 24 anos, é a mais criticada entre todas que tiveram o mesmo êxito, mas ele nunca se sentiu perseguido, ou adotou a postura de injustiçado.

Nestes 18 anos que se passaram. Parreira seguiu trabalhando. Dirigiu o Brasil na Copa de 2006, na Alemanha, e aceitou o desafio de comandar a fraca África do Sul, no último mundial, em 2010.

Durante estas quase duas décadas, Parreira comandou o Corinthians e o Fluminense (time do coração do hoje coordenador e o único tema capaz de transformar a voz calma em empolgante durante a entrevista).

Parreira é tão apaixonado pelo Tricolor que considera o título da Série C que conquistou em 1999, ao tetra, em termos de importância em sua carreira. Para felicidade dele, foi no Clube das Laranjeiras que começou (1975) e encerrou (2009) o trabalho de treinador de clubes.

Pelo currículo que possui, Parreira poderia curtir a vida como bem entendesse. Passear com os netos, a esposa, as filhas, sempre que quisesse pelas ruas do Rio de Janeiro, ou de qualquer lugar do mundo.

Mas, o técnico não resistiu ao que chamou de “chance única” na carreira: participar da Comissão Técnica da Seleção Brasileira que disputará a Copa do Mundo, em 2014, no Brasil.

O risco de assumir a coordenação de uma Seleção, que após três anos de preparo, sob o comando de Mano Menezes, ainda não tem “corpo” e não venceu sequer uma competição que disputou, às vésperas da Copa das Confederações e a um ano e meio da Copa do Mundo.

Nem o fato de ser subordinado a um técnico de temperamento oposto ao dele, Luiz Felipe Scolari, é encarado como um risco. No melhor estilo Parreira de ser, ele afirma que o Brasil entrará em campo temido e forte. Forte como sua coragem de tentar mais uma vez fazer história.

Confira a entrevista com Carlos Alberto Parreira

O senhor disse, ao assumir o cargo, que o Brasil tem obrigação de ganhar a Copa do Mundo, isso significa que haverá uma mescla de jogadores experientes com jovens, para que estes não sintam-se ainda mais pressionados?

Bom, em se tratando de Seleção Brasileira ganhar a Copa do Mundo é a única opção, seja ela onde for, ainda mais em casa. O Brasil não pode perder outra Copa do Mundo atuando em seu território.

Nós temos camisas, somos respeitados e temidos por todos. Ninguém em uma Copa quer enfrentar o Brasil. Não sei por que minha declaração surtiu tenta surpresa na imprensa, todos nós sabemos que não existe plano B em Copa do Mundo para o Brasil.

O Brasil tem que vencer. Eu nunca ouvi da imprensa ou torcedor de que o importante é fazer um bom papel em Copa. Não, isso não existe. Para o brasileiro, o importante é vencer a Copa.

Quando encerrou sua participação na Copa do Mundo da África do Sul, o senhor disse que aquela seria sua última aparição em Copas, o que te fez mudar de ideia?

Disse que não iria mais participar na função de treinador... (pausa), mas surgiu esta oportunidade de estar novamente na comissão técnica do Brasil, e em uma Copa do Mundo no Brasil, e não poderia recusar. Além disso, eu fui muito bem acolhido pelo Scolari (Luiz Felipe Scolari, técnico da Seleção Brasileira, que substituiu Mano Menezes em dezembro do ano passado), que é um profissional competente e também já venceu uma Copa do Mundo e esteve em outra (Felipão levou o Brasil ao penta, na Copa do Mundo do Japão e Coreia, em 2002, e na Copa seguinte, na Alemanha, em 2006, levou Portugal ao quarto lugar, melhor classificação na história do futebol português), por isso era impossível dizer não. É uma oportunidade que só aparece uma vez na vida.

O Felipão disse que jogadores mais velhos têm chance de serem chamados, como Ronaldinho Gaúcho e Kaká. O senhor compactua desta opinião?

Olha, eu não falo sobre nomes. Nomes só com o Felipão.

A dobradinha de dois nomes de peso no comando da Seleção em Copas do Mundo não é uma novidade da CBF, funcionou uma vez e não deu certo na outra, e o senhor sabe bem disso, pois venceu a de 1994, nos Estados Unidos, com Zagallo, e perdeu outra, em 2006, na Alemanha, também com ele (nas duas vezes, Parreira foi o treinador e Zagallo, o coordenador). Mas o senhor e o Zagallo são amigos há tempos e se conhecem bem, já o Felipão não, e possui um temperamento completamente diferente do senhor. Como será essa parceria?

Tenho certeza que essa diferença de comportamento entre eu e o Luiz Felipe dará uma boa química. Temos o mesmo desejo de vencer, e quando se começa uma relação assim, ela tem tudo para funcionar. Estou muito otimista de que realizaremos um bom trabalho, que se Deus quiser, com o apoio da torcida e o comprometimento dos jogadores, culminará no título.

A intenção é dar continuidade ao trabalho do Mano Menezes (ex-técnico da Seleção Brasileira)?

Sim, claro. O Mano fez um ótimo trabalho. E não temos como fugir disso, ele (Mano) testou mais de 100 jogadores, e nosso time sairá destes 100 jogadores, ou você acha que tem mais 100 jogadores para serem testados? não temos nem tempo para isso.

A nova comissão técnica da Seleção Brasileira dará mais oportunidade aos jogadores que atuam no Brasil?

O nome já diz tudo, é Seleção. São os melhores. Independente de jogar aqui no Brasil ou fora, quem estiver no melhor momento estará na Copa do Mundo. Não dá para privilegiar alguém só pelo nome. Vai jogar quem tiver condições, convocaremos os jogadores que julgarmos estarem aptos a defender o Brasil na Copa do Mundo, e suportarem a pressão de atuar em casa, com a obrigação de sempre, que é vencer.

O senhor assumiu a seleção da África do Sul pouco antes da Copa do Mundo disputada naquele país, em 2010, então pôde acompanhar as obras dos estádios, que estavam bastante atrasadas. Comparadas com elas, como estão as nossas Arenas?

Acho que estamos no mesmo nível das da África do Sul. O importante é estar tudo pronto antes da Copa. Estive recentemente na inauguração do Mineirão e fiquei impressionado. A obra ficou muito bonita. É outro Mineirão. Outra realidade. O torcedor sairá ganhando, pois terá mais conforto para acompanhar os jogos. Acredito que o Brasil fará como a África do Sul, vai entregar os estádios em cima da hora, mas todos ficarão prontos, dentro das exigências estabelecidas pela Fifa.

O senhor, que é carioca, não ficou chateado com o fato da Seleção Brasileira só atuar no Maracanã se for finalista da Copa do Mundo?

Claro. Gostaria que jogássemos mais vezes no Maracanã, de preferência logo na primeira fase. Mas não será possível e não adianta ficarmos lamentando. Tenho certeza que termos apoio nas outras sedes.

Para encerrar, como você vê o momento dos times brasileiros. Em sua opinião, qual time começa 2013 mais forte na Libertadores?

O Fluminense, sem dúvida. Ele manteve o elenco que venceu com sobras o Brasileirão. Chegou a vez do Fluminense. É um palpite, e também um desejo (risos).


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