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Iranduba tem menor média de idade entre todos semifinalistas do Brasileirão 2017

Com média de idade de 22 anos, o Verdão interiorano tem a menor média de idade entre todos os semifinalistas do Brasileirão 2017 e mostra que o Hulk tende a ficar mais forte 04/07/2017 às 09:06 - Atualizado em 04/07/2017 às 09:15
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Monalisa (19), Micaelly Brazil (16), Vitória Almeida (17), Kemelly (18) e Thaís Regina (18), essas são as atletas do Hulk convocadas para a Seleção Brasileira Sub-20 (Foto: Clóvis Miranda)
Denir Simplicio Manaus

Quando a diretoria do Esporte Clube Iranduba da Amazônia lançou, em janeiro do ano passado, audacioso projeto visando fortalecer seu departamento de futebol feminino não imaginava que teria retorno tão imediato.

Na época, o presidente do clube, Amarildo Dutra, firmou parceria com o diretor de futebol Lauro Tentardini e estipulou prazo de cinco anos para consolidação da marca do Hulk no cenário do futebol feminino nacional. No entanto, é como dizem por aí: “a juventude tem pressa”, e com um dos elencos mais jovens deste Brasileirão, o Iranduba está fazendo história.

Fundado a apenas seis anos, o  Iranduba tem no plantel um espelho. Com média de idade de 22 anos, o Verdão interiorano tem a menor média de idade entre todos os semifinalistas do Brasileirão 2017 e mostra que, se mantido, o Hulk tende a ficar mais forte a cada temporada.  

‘Novinhas’ do Hulk

 Dos quatro semifinalistas do Brasileirão, o Rio Preto é o time mais velho. Da equipe que venceu o Corinthians no jogo de ida, em São José do Rio Preto, a média de idade é de quase 28 anos. Já o Timão só fica atrás do Iranduba quando o assunto é plantel jovem. Das “Fiéis Corintianas” que perderam pra equipe riopretense a média de idade é de 24,5 anos.

As rivais das Guerreiras do Hulk nas semis, as Sereias da Vila, tem média de idade de 26 anos. Das atletas que entraram em campo contra o Iranduba, na semana passada, a defensora Carol Arruda e a volante Maurine são as mais velhas, com 32 e 31 anos, respectivamente.

Do elenco do Hulk, a arqueira Rubi, de 29 anos, é a mais experiente entre as que atuaram contra o Santos, na Arena. Enquanto Micaelly Brazil tem somente 16 anos.

“Me sinto bem a vontade e tento ajudar a equipe da melhor forma possível pela experiência que  já tenho dentro do futebol. Isso é muito bom, passar o que você sabe e ser bem recebido também pelas meninas e pela comissão. Porque todas estão aqui pra somar, e o que eu puder contribuir para o avanço da equipe estarei disponível pra isso, tanto dentro e fora de campo”, comentou Rubi, que aponta que o Iranduba deixou de ser promessa pra ser realidade.

“Acredito que hoje já se pode considerar o Hulk um dos times mais fortes do Brasil. Estamos entre os quatro melhores times do Brasil, e, independente de idade, demonstramos que nosso time é forte. Claro que quando o time dá uma sequência de trabalho tentando manter o mesmo elenco, a tendência é melhorar”, declarou.

Sequência no trabalho

Grande parte da meninas do Iranduba veio do Kindermann-SC e estão juntas há bastante tempo. Lauro Tentardini, que trouxe a maioria delas pro Hulk aposta na sequência do trabalho como receita de sucesso e crê que o Iranduba tem tudo para se consolidar na elite do futebol feminino.

“A maioria dessas atletas estão comigo há muito tempo, algumas dessas atletas estão comigo desde que eram Sub-13, Sub-14 e Sub-15 na equipe do Kindermann-SC. Acredito que o futebol é conjunto, é repetição, é entrosamento. Então, nós sempre mantivemos a base. É claro que isso tem uma estratégia porque o Iranduba  tem time pra muitos anos e nós sempre falamos que esse projeto é pra cinco anos”, disse.

Questionado se essa é uma estratégia do clube, Tentadini disse gosta de trabalhar com atletas mais novas e que, nem por isso deixam de ser vencedoras.

“Sei que muitos dirão que falta experiência pra ‘segurar o rojão’, mas gostaria de lembrar que essas meninas já foram campeãs da Copa do Brasil (2015 pelo Kindermann-SC). É sim uma estratégia! Gosto de trabalhar com meninas jovens e quando pudermos encaixar uma mais experiente, e de qualidade, nós vamos fazer, se não vão ficar as mais jovens”, enfatizou.

Assédio rival

Com campanha de destaque no Brasileiro e diversas convocações para as seleções brasileira principal e de base, o assédio dos rivais do Hulk é quase inevitável. Tentardini também falou sobre isso.

“O que posso dizer é que o assédio existe desde quando elas jogavam as categorias de base porque elas têm muita qualidade. Sabemos que fica cada vez mais difícil segurar as atletas, mas dentro do Brasil tenho certeza que o Iranduba não perde jogadora pra time brasileiro”, enfatizou o dirigente.

Na semana passada, o Hulk sofreu uma baixa justamente para um time de fora do País. A atacante Kélen Bender trocou o Hulk pelo Gyeongju WFC, da Coréia do Sul.

“Nós podemos perder jogadoras pro exterior, mas nós vamos fazer o possível pra segurar. Agora, é claro que a concorrência aumenta, mas o Iranduba também está crescendo de tamanho”, disse Tentardini enfantizando que atualmente o Hulk é o Brasil Sub-20.  

  “Acho que ainda cabem mais jogadoras. Penso que a Gisele (Teles) já está merecendo a primeira oportunidade. Outras como a Laura (Spenazatto), a Elisa (Lopes) e a Thaís (Oliveira), que já passaram pela seleção têm condições de chegar novamente. E isso mostra que nós temos um trabalho muito forte e consistente. Hoje nós podemos dizer que o Iranduba é a base da Seleção Brasileira Sub-20”, concluiu Tentardini.

Quarteto da seleção

Monalisa (19), Micaelly Brazil (16), Vitória Almeida (17), Kemelly (18) e Thaís Regina (18), essas são as atletas do Hulk convocadas para a Seleção Brasileira Sub-20.

Ainda temos Djeni Becker (22) e Kamilla (22) no Brasil principal. O “Hulk do futuro” está aí. Se compararmos com o time do Rio Preto, que tem atletas atuando na equipe com 30, 35 e 36 anos, o Iranduba tem time para no mínimo dez anos e jogando em alto rendimento. Podem esperar, o elenco do Iranduba ainda tem peças que ainda não brilharam por pura falta de espaço no time.

O que prova que com um bom planejamento, se consegue resultados. Com resultados se obtém calendário e com calendário um clube tem tudo para evoluir.

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