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No Amazonas, beisebol reúne colônia japonesa, traz títulos e projeto para o futuro

Jogadores de beisebol do Estado fazem sucesso em competições regionais, mas não conseguem realizar torneios aqui por falta de time. O projeto agora é investir nas próximas gerações 12/02/2017 às 06:00 - Atualizado em 12/02/2017 às 14:51
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Prática do esporte no Amazonas ainda é pouco difundida e conta principalmente com imigrantes de japoneses entre os praticantes. (Fotos: Clóvis Miranda)
Valter Cardoso Manaus-AM

Esporte criado nos Estados Unidos, o beisebol é uma das modalidades mais praticadas no mundo. Muito além das fronteiras norte-americanas, o esporte se tornou um dos principais em um país do outro lado do mundo: o Japão. O que pouca gente sabe que é o ‘pedacinho do Japão no Amazonas’ mantém a prática da modalidade viva na região.

“O beisebol iniciou com os primeiros imigrantes japoneses que trouxeram o esporte para Manaus. No início da imigração, ainda tinha  campeonato de beisebol, ao longo dos anos foi acabando e hoje não conseguimos fazer campeonato”, explicou Nobuo Miki, diretor social do Manaus Country Clube, onde acontecem os treinos. 

Com a baixa popularidade, os jogadores que formam as equipes de beisebol de Manaus são descendentes de japoneses.  Atualmente apenas  quatro times, no máximo conseguem ser formados. Por conta disso, os campeonatos  de beisebol precisam ser disputados fora do Estado, com sucesso.


“Nós não conseguimos fazer um campeonato interno. Nosso foco é participar de campeonatos fora de Manaus. Ano passado nós participamos do campeonato em Brasília, Campeonato de Belém e fomos para Tome Assú (SP). No nosso veterano, na região norte, nós somos cinco anos seguidos campeões, somos pentacampeões.  No absoluto a gente vem ao longo desses quatro ou cinco anos, sempre chegando às finais, ganhando umas e perdendo outras. No absoluto somos quatro vezes campeões”, pontuou o Nobuo Miki.

O desempenho de uma verdadeira máquina faz ainda mais sentido quando analisamos a construção da equipe. A maior parte dos jogadores da equipe são trabalhadores das fábricas de grandes montadoras japonesas instaladas no Distrito Industrial de Manaus.

 


Futuro

Como uma tradição japonesa, a prática do esporte vem sendo passada de geração em geração. Tanto que um projeto dedicado ao beisebol para as crianças foi criado.

“Comecei em 2012 porque meu pai apresentou. Ele participava por causa do trabalho dele e aí ele descobriu o projeto e trouxe eu e meu irmão para cá para a gente poder jogar também, igual ele”, explicou Manami Yokota, de 15 anos. Ela e o irmão Eduardo fazem parte da equipe de base que já participou de competições fora do Estado.



Nos próximos anos a ideia é fazer com que ainda mais jovens participem, ampliando o alcance da modalidade. Representantes locais já tem negociações avançadas  para a vinda de um instrutor direto do Japão para ministrar aulas em Manaus. Uma das condições para a vinda do profissional é que  o projeto seja ampliado, por isso a tendência é que em 2018 não só os descendentes japoneses possam mostrar o talento com o taco de beisebol, mas esteja aberto a toda a sociedade, parcerias com escolas tem sido estudadas para viabilizar o projeto e fazer o esporte, assim como a bola após a ação do rebatedor,  ser lançado para muito longe.    



Reforço Venezuelano

Em meio a uma crescente imigração de venezuelanos por conta da crise no país um movimento interessante aconteceu no Amazonas. Venezuelanos e japoneses passaram a estreitar laços por conta do beisebol. Esporte número 1 do país sul-americano, alguns deles encontraram na colônia japonesa uma forma de se manter perto do esporte. A relação é tão grande que o treinador do projeto é venezuelano. Carlos Lopez cruzou a fronteira em busca de emprego, conseguiu e além disso dá aula para os jovens. 

“Eu vim só para trabalhar, não vim para buscar o beisebol porque eu sabia que aqui era só futebol. Então por acaso eu tava pesquisando na internet e aí apareceu aqui a colônia japonesa, aí veio a alegria porque pensei que não ia mais jogar beisebol porque lá toda minha vida eu joguei. Aqui  fiquei surpreso, aqui é muito bom, gente muito boa, ajudaram muito”, relembrou, sorridente, o agora treinador dos jogadores mais jovens, como já fazia na Venezuela, no esporte pelo qual se diz apaixonado.

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