Terça-feira, 23 de Julho de 2019
MODALIDADE

'No AM, jiu-jítsu é o principal esporte', afirma faixa preta Ricardo Libório

Discípulo de Carlson Gracie, Libório hoje é mestre de Jiu-Jítsu Brasileiro na Universidade de Central Flórida. Ele fala do amor que tem pela modalidade



WhatsApp_Image_2019-06-21_at_22.28.44_01EFEED9-6580-4C14-86C8-8E526C5C04F1.jpeg No início de junho, o mestre esteve em Manaus para palestrar a crianças. Foto: Sandro Pereira
22/06/2019 às 14:58

Com um currículo construído em quase 40 anos de dedicação às lutas, Ricardo Libório se tornou um dos maiores nomes do jiu-jítsu brasileiro. O menino, que iniciara o contato com as artes marciais pelo judô, migrou para a arte suave com 15 anos de idade, tendo como primeiro mestre ninguém menos que Carlson Gracie. Da lenda da modalidade, recebeu a faixa preta e foi considerado um dos alunos mais talentosos. Hoje, com 51 anos, o carioca leva um pouco de Brasil para a América do Norte.

Um dos fundadores da American Top Team - academia de artes marciais mundialmente renomada -, Libório hoje é responsável por ministrar aulas de jiu-jítsu em uma das melhores instituições de ensino superior dos Estados Unidos, a Universidade de Central Flórida. No início do mês, o mestre esteve em Manaus para promover uma palestra a alunos da rede pública de ensino da capital e o CRAQUE aproveitou para bater um papo com a fera.

Libório contou mais sobre o projeto inserido na Universidade de Central Flórida, os aprendizados adquiridos com Carlson, o valor do jiu-jítsu na vida de jovens e de que forma a arte pode servir como terapia contra ansiedade e depressão.

Sabemos a lenda que foi o Carlson Gracie e sabemos que no tatame os ensinamentos foram infinitos. Mas fora do tatame, na vida pessoal de cada aluno, quão influente foi o Carlson?

Ricardo Libório: Para começar, o Carlson foi muito mais que professor. Ele é responsável por eu e Murilo Bustamante sermos tão bem sucedidos. A ideia de ser mentor ao redor do mundo, de ser exemplo e espalhar o esporte, veio dele. A prova é que grandes times de MMA ao redor do mundo têm raízes Carlson Gracie.

Como funciona esse projeto na Universidade da Flórida?

RL: Eu sou professor da UCF, dando aula de jiu-jítsu brasileiro. É um pedaço de Brasil dentro de uma universidade americana. Tenho 70 alunos, inscritos na disciplina, que vão ouvir falar da cultura brasileira. O que muitas pessoas de fora ouvem do nosso país tem a ver com corrupção e violência, então é uma oportunidade para mudar a imagem de uma nova geração que tem a paixão pelo esporte e que vai ter uma visão diferenciada através da aula. Lá eles vão aprender sobre o abraço brasileiro, o sorriso brasileiro, a caridade brasileira. Esses são alguns exemplos de como podemos representar o Brasil lá fora.

Como você analisa a força do jiu-jítsu brasileiro nos estados do Amazonas e Rio de Janeiro, lugar onde você nasceu? São os dois centros da modalidade no país?

RL: São dois dos maiores polos de jiu-jítsu do mundo. No Rio de Janeiro ainda tem muita distração, como futebol, que é muito forte, e voleibol. Já no Amazonas, o jiu-jitsu é o principal esporte. É lindo de ver. Se você perguntar para qualquer pessoa daqui, ou ele conhece alguém que pratica a modalidade, ou então ele mesmo faz. Alguns pais, que ainda vêem com certo preconceito, precisam entender que o filho que pratica o jiu-jitsu no Amazonas pode ter uma carreira.

E o que você sempre pretende passar para jovens que praticam a arte suave?

RL: Gosto de mostrar a importância do jiu-jítsu brasileiro no cenário internacional. O jiu-jítsu, hoje em dia, está para o brasileiro como o judô está para o japonês. Além disso, há valores na arte suave, como determinação, disciplina, controle, pontualidade, que podem ter uma influência gigante na vida de qualquer um. Sempre digo que o esporte me ensinou, acima de tudo, a perder com dignidade e não desistir. Isso é receita de sucesso para qualquer um. E através desse esporte, você tem condições não só de conhecer o mundo, mas também de arrumar emprego no mercado de trabalho como professor de jiu-jítsu.

Como foi sua infância? E como começou sua ligação com os esportes?

RL: Tive uma infância muito boa no Rio de Janeiro, com meus pais muito bons e que sempre prezaram pela educação. Abria a porta da janela de casa e via o Cristo Redentor. Comecei a fazer judô com quatro anos de idade. Depois tentei o taekwondo, mas tive muita dificuldade por ter as pernas curtas. Não conseguia chutar ninguém acima do joelho e vi que aquilo não era para mim. Em um churrasco de família com a minha primeira namorada, o tio dela olhou meu físico gordinho e pediu para eu aparecer na academia. Na segunda-feira eu estava lá e nunca mais parei. Esse tio dela era o Carlos Rosado, o único cara para quem o Carlson Gracie deu a faixa vermelha.

Libório, soubemos que a Universidade de Central Flórida, onde você ministra  aula, tem um projeto para usar o jiu-jítsu como forma de terapia contra ansiedade e depressão. Como funciona?

RL: O esporte, principalmente o jiu-jítsu, tem que ser visto como terapia. Estamos tentando fazer uma pesquisa na UCF, envolvendo várias disciplinas, para que seja comprovado que o jiu-jítsu melhora a parte mental. Todos sabem que o jiu-jítsu ajuda fisicamente e mentalmente. Porém, para que se comprovem os benefícios em relação a essas doenças, é necessário que a pesquisa manifeste isso de maneira científica. Em uma colaboração com o curso de psicologia da universidade, os alvos são, principalmente, os alunos que vêm do ensino médio e estão saindo de casa pela primeira vez, entrando na universidade. Isso gera uma ansiedade muito grande nesses jovens.

Como foi o processo da sua chegada aos Estados Unidos e a criação da American Top Team?

RL: Eu, Murilo Bustamente, Mário Sperry e Bebel Duarte tínhamos a Brazilian Top Team, no Brasil, e eu tive a ideia de levar essa bandeira para outros lugares, mas com um nome que remetesse aos países que estavam recebendo o projeto. Nos Estados Unidos eu apresentei essa situação ao meu sócio e comecei a trabalhar, primeiramente, analisando quem estava obtendo sucesso no ramo das artes marciais. Percebi que lá era adotado um modelo de escola, onde você recebia instruções individuais para depois entrar na aula coletiva. Um dos pequenos detalhes que tornavam as academias mais profissionais. Aderi a esse sistema e assim surgiu a American Top Team. Você não pode dar aula e ser o cara que está recepcionando quem chega à academia. É preciso profissionalizar.

Receba Novidades

* campo obrigatório
News ac1 c11005fb a54c 4884 8608 3c793bab9e30
Repórter de A CRÍTICA

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.