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‘Nosso objetivo é a fase semifinal’, diz novo treinador do São Raimundo em entrevista

Treinador português, Luiz Miguel de Oliveira, retorna ao São Raimundo visando acabar os sete anos de jejum do clube amazonense 29/01/2014 às 10:15
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Luís Miguel sabe das dificuldades que vai enfrentar no São Raimundo e prevê um Estadual equilibrado
AUGUSTO COSTA ---

Quem conhece o espírito aventureiro dos portugueses que levou às grandes navegações no século XV com a descoberta de novas terras? Pois bem, o mesmo pioneirismo e entusiasmo se faz presente agora no futebol.

Um exemplo é o português nascido em Lisboa, Luís Miguel de Oliveira, que atravessou o Atlântico na década de 90 para ser treinador de futebol no Brasil. No Amazonas desde 2011, ele agora está pronto para encarar mais um desafio: quebrar o jejum de sete anos sem títulos no Campeonato Amazonense pelo São Raimundo.

De estilo sério e disciplinador, Luís Miguel sabe das dificuldades que vai enfrentar e prevê um Estadual equilibrado, pois a maioria das equipes estão reforçadas. Mesmo assim ele acredita que o Tufão da Colina vai voltar a soprar forte em 2014 e retornar ao bons tempos de glórias quando foi tricampeão da Copa Norte e conquistou três títulos estaduais em 1999, 2004 e 2006.

Confira agora a entrevista, na íntegra, do CRAQUE com o técnico lisboeta e suas perspectivas à frente do São Raimundo.

Quando o senhor começou a sua carreira como treinador e quais os clubes que já dirigiu?

Foram muitos. Comecei em 1995, dirigindo alguns times da categoria de base em Portugal, mas prefiro falar dos clubes no Brasil. Passei pelo Ajax do Rio de Janeiro, Vitória de Santo Antônio e Vera Cruz, em Pernambuco, Guarabira e Esporte Patos da Paraíba, Vila Rica, Santa Rosa, Ananindeua e Isabelense no Pará, até chegar ao Amazonas, quando passei pelo América, Iranduba, São Raimundo e Holanda.

Desde quando o senhor está atuando no futebol amazonense?

Estou por aqui desde 2011 quanto tive uma rápida passagem pelo América. Em 2012 também treinei o Iranduba e São Raimundo, em 2013 disputei o Campeonato Amazonense pelo Holanda e agora estou de volta ao São Raimundo.

Os portugueses sempre tiveram aquele espírito aventureiro e foram os responsáveis pelas grandes descobertas marítimas. Por que o Amazonas?

A minha história no futebol do Brasil começou desde 2004 e já tive passagens por equipes do futebol do Nordeste e paraense. Já tenho nove anos como treinador de clubes brasileiros. Ao contrário do meu patrício Paulo Morgado que atravessou o Atlântico e veio direito para o Amazonas, eu comecei pelo litoral brasileiro.

Em 2013 o senhor teve uma passagem tímida pelo Holanda; como está a motivação do Luís Miguel em 2014 pelo São Raimundo?

A pressão por não conquistar um título há sete anos sempre vai haver por parte da torcida. Sabemos que sem a Colina, estamos com alguns problemas para conseguir campos para treinamentos e a diretoria tem gasto dinheiro para alugar campos e transporte, para os treinamentos diariamente. Esses recursos poderiam ser usados para contratação de jogadores. Mas com o plantel que tenho estou motivado para fazer um bom trabalho. O nosso objetivo é chegar a fase semifinal e depois avaliar como vamos prosseguir.

Essa falta de campos para treinamentos está prejudicando o seu trabalho nessa preparação para disputar o Estadual?

Não. A diretoria tem conseguido bons campos para treinarmos, como o da Petrobrás. O que acontece é que o orçamento está limitado para investir em contratações. Existem clubes com o orçamento maior do que o nosso e têm feito mais contratações de peso e, por isso, tem obrigação de ser campeões.

A falta de estrutura de alguns clubes sempre foi um problema “crônico” no Amazonas. Na sua avaliação isso ainda continua?

O São Raimundo até o ano passado tinha uma boa estrutura quando possuia o estádio da Colina para treinar. Mas temos uma boa estrutura também esse ano com academia, campo para treinar coletivos, alimentação, material esportivo e toda estrutura que vem sido oferecida pela diretoria do clube.

Estamos em ano de Copa do Mundo e a seleção de Portugal vai jogar em Manaus contra os Estados Unidos. Como bom lusitano, o senhor vai assistir a partida?

Não vou ao estádio (risos). Vou estar em Portugal de férias na época da Copa do Mundo, mas não vou deixar de torcer pela minha seleção que tem tudo para fazer um grande mundial.

Como conhecedor da realidade do Amazonas, quais as dicas que o senhor daria para o técnico de Portugal, Paulo Bento, caso ele venha pedir informações sobre o clima e a cultura da cidade de Manaus?

Se ele quiser a minha ajuda, pelos anos que eu já tenho no futebol brasileiro e especificamente no Amazonas, estarei à disposição. Aconselho que eles façam uma boa adaptação ao clima quente e úmido da região amazônica. Basta vermos quando os times do Amazonas jogam na Copa do Brasil os times do Sul e Sudeste sofrem com o calor mesmo quando a partida é realizada à noite. O exemplo bem recente são os times que vieram aqui, como o Coritiba contra o Nacional pela Copa do Brasil que sofreu com a umidade. Jogando de dia é pior ainda principalmente na época de pico do verão, quando a temperatura fica bem alta. Sobre a alimentação não tem problema já que cada seleção traz os seus próprios alimentos. Eles têm que vir com o pensamento de fazer uma boa adaptação porque jogar aqui é difícil.

Na sua avaliação podemos dizer que a seleção de Portugal é um time de um craque só, Cristiano Ronaldo, que vai sofrer maior pressão durante o Mundial por ter sido escolhido como o melhor jogador do mundo?

Ele é o melhor do mundo na atualidade, mas se a gente avaliar bem a seleção portuguesa tem outras opções que podem se destacar juntamente com Cristiano Ronaldo na Copa. Temos o João Moutinho, o Fábio Coentrão, o Pepe, o volante Fernando, que é brasileiro mas deve se naturalizar e defender Portugal. É um grupo bem homogêneo. Acredito que o Cristiano Ronaldo vai fazer uma grande Copa e vai ser um dos destaques desse mundial.

Desse atual elenco do São Raimundo teremos algum destaque individual ou o time deve render mais pelo conjunto no Estadual?

Não é assim. Aqui não temos aquele jogador craque que custa caro. Estamos apostando no grupo. Temos uma equipe homogênia e o que vai se destacar é o grupo com muita determinação e velocidade em campo. Estamos unidos e focados no objetivo de levar o São Raimundo mais longe do que aconteceu no ano passado. O grupo é bom e unido e isso nos dá mais garantia de brigarmos para conquistar o título do campeonato.

A maioria dos clubes que vão disputar o Amazonense se reforçaram e investiram em bons jogadores. O senhor prevê um Amazonense bem equilibrado e difícil em relação ao ano passado?

O Princesa do Solimões manteve a base que foi campeã do Estadual no ano passado, o Nacional também contratou bons reforços, o Fast vem fazendo altos investimentos com jogadores rodados (experientes), o Penarol também. Acredito que essas quatro equipes também devem brigar pelo título. Mas também afirmo que o São Raimundo vai chegar muito forte, além do Holanda, do qual conheço a maioria dos jogadores que estão lá desde o ano passado e também devem fazer um bom campeonato.

Como está a sua expectativa para a estreia no Amazonense na segunda rodada contra o Penarol?

Será uma partida difícil, mas como ainda temos 15 dias de preparação, antes da estreia, tenho tempo de arrumar o time. Devo ir até Itacoatiara nesse final de semana para assistir a partida entre Penarol e Holanda e ver de perto como estão jogando os nossos futuros adversários.

O elenco do São Raimundo está atualmente com 25 jogadores. Devem chegar mais reforços?

Sim. Estamos fechando com mais um zagueiro, o Filipo, que atua no futebol paulista. Ainda vou conversar com a diretoria para ver se podemos contratar ainda mais dois jogadores, mas não posso falar ainda quais as posições e os clubes para não atrapalhar as negociações. O ideal é trabalhar com um grupo de 25 jogadores. Então é lógico que se forem contratados mais três, alguém vai ter que sair e podem haver dispensas

Há tantos anos longe de Portugal do que o senhor sente mais saudade?

Basicamente dos meus pais, que estão lá. Também gosto de comer o bom bacalhau português, mas fora isso a maioria das comidas do Brasil estão iguais às de Portugal.

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