Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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Craque

‘Nunca perdi a confiança em mim’, diz Rafael Marques

Atacante do Fogão fala como atravessou um verdadeiro inferno de críticas 


21/04/2013 às 13:48

O atacante Rafael Marques, do Botafogo, é um exemplo de perseverança. No ano passado, o jogador atravessou um calvário que muitos não suportariam. Para um profissional do futebol que vive de gols para justificar o salário, a pressão da incômoda sequência de 20 jogos com a camisa alvinegra sem balançar as redes adversárias é quase insuportável. Mas ela não foi capaz de derrubá-lo. As vaias da torcida toda vez que tocava na bola, machucavam, mas a certeza de que teria competência para cicatrizá-la era absoluta. Maior do que seu 1,90m de altura. Confiança dividida com o técnico, Oswaldo de Oliveira, também contestado pela torcida, que bancou a permanência do homem-gol com a mesma crença.

O jejum de gols de Rafael Marques com a camisa da Estrela Solitária só terminou na primeira rodada do segundo turno do Campeonato Carioca, na goleada por 4 a 0, sobre o Quissamã, no dia 16 de março. O jogo foi festivo para o clube, que havia acabado de conquistar o primeiro turno. E gol de Marques foi a cereja do bolo. O tão esperado aplauso da torcida veio, e com ele a confiança dos botafoguenses. Tudo mudou após o fim da seca. Veio gol em clássico (contra o Vasco, na vitória por 3 a 0). Veio a titularidade. E hoje vem para você, leitor do CRAQUE, uma entrevista exclusiva de Rafael Marques.

Você foi o jogador mais pressionado pela torcida do Botafogo no ano passado, mas após ficar 11 meses sem marcar, ou 20 jogos, bastou você voltar a balançar as redes para cair nas graças da torcida e se tornar titular. O que você fez para atravessar essa fase difícil, onde buscou forças?

Acho que o segredo foi manter a tranquilidade. Em nenhum momento perdi a confiança. Continuei trabalhando firme e graças a Deus a hora da virada chegou. Agora estou mais tranquilo para trabalhar e isso é o mais importante.

Ter o apoio do técnico Oswaldo de Oliveira foi fundamental, pois o clube chegou a querer negociá-lo, mas ele insistiu na sua manutenção?

Oswaldo foi profissional em todo tempo. Ele me deu a chance, eu não fui bem e ele me tirou do time. Só voltei a ter oportunidade porque estava mostrando nos treinos que merecia. Fico feliz por finalmente poder retribuir essa confiança dele.

Uma das justificativas que você dava por esse período sem marcar era a questão da readaptação ao futebol brasileiro, mas é quase uma unanimidade que aqui os zagueiros são mais fracos. Isso não é um contra-senso?

A readaptação não tem nada a ver com a qualidade dos jogadores, e sim com a forma em que se atua em cada país. O que faltava era me acostumar com o ritmo de jogo daqui. Achei que seria fácil, mas senti um pouco de dificuldade. Discordo que no Brasil os defensores sejam piores do que no Japão e na Turquia (onde ele atuou). Os jogadores daqui, de uma forma geral, são bem melhores.

Como explica a coincidência entre a alternância de fases entre você e o Bruno Mendes? Pois ano passado ele fazia gols em todos os jogos e você não conseguia, e hoje isso se inverteu. São coisas que só acontecem com o Botafogo?

Tenho procurado dar muita força para o Bruno. Ele é um excelente jogador, tem muito potencial e tenho certeza de que ainda vai nos ajudar bastante nesse ano, como conseguiu na temporada passada.

O fato de não estar jogando mais adiantado, próximo ao gol adversário tem influência? Jogar como referência o prejudica?

Eu já me adaptei a jogar como referência. Faltava um pouco de costume. Hoje já conheço melhor os atalhos da posição, já sei onde ir para aproveitar melhor os espaços. Jogo na posição, mas da forma que gosto, no meu estilo, me mexendo bastante. Não gosto de ficar paradão ali (na área). Não é a minha.

O entrosamento com o Lodeiro, que é veloz, mais a ajuda do Seedorf e do Fellype Gabriel, num esquema 4-2-3-1, foi uma grande sacada do Oswaldo de Oliveira?

O Oswaldo é um treinador muito inteligente. Ele consegue tirar o melhor de cada um e é isso que eles está fazendo com o Botafogo. Quem joga ou quem entra está sempre motivado. Acho que achamos uma maneira de jogar interessante. O time deu liga, encaixou. E ele tem uma parcela enorme nisso tudo.

Como é atuar ao lado de um craque como Seedorf? E o dia a dia com ele? Ele é de fato um sujeito simples? Pode-se dizer que é o holandês mais carioca que já existiu?

O Seedorf é um cara super gente boa, carismático, uma pessoa do bem. Dentro de campo, dispensa comentários. Está sendo muito bom ter a chance de jogar com ele no Botafogo. Estamos aprendendo muito com ele, assim como tenho certeza de que ele também está aprendendo conosco.

O fato de ter marcado um gol contra o Vasco aumentou sua confiança?

Um gol num clássico sempre dá confiança. O primeiro gol já tinha se encarregado disso. Eu já estava mais tranquilo por vir numa sequencia boa, mas quando você marca ganha a tranquilidade para seguir em frente.

O Botafogo tem jogado o melhor futebol entre os clubes grandes do Rio de Janeiro neste início de temporada, no entanto decepcionou contra o Sobradinho-DF no primeiro jogo da Copa do Brasil. O que faltou para repetir as atuações que vocês estão fazendo no Campeonato Carioca, onde sobram?

Sabíamos que seria um jogo duro. A bola não quis entrar, mas tem o jogo de volta. Vamos com tudo para conseguir a vaga em casa.

O Botafogo não relaxou no segundo turno do Carioca, o que é costume dos times que vencem a Taça Guanabara. Isso é um indício de que o clube pode repetir 2010, quando foi campeão direto?

Tomara que sim. É com esse objetivo que estamos trabalhando. Quanto antes formos campeões, melhor.

O único clube grande que pode tirar o título de vocês é o Fluminense, o que seria uma repetição da final do ano passado. É melhor decidir um título contra um grande, pois a pressão é dividida ou contra um clube de menor expressão que não tem torcida?

Acho que quando você quer ser campeão não pode, nem deve, escolher adversário. O que vier temos que estar prontos.

Por falar em torcida, muito se fala da falta de apoio dos botafoguenses, mas em jogos decisivos a torcida compareceu em massa no Engenhão. E agora o time está com o apoio da torcida, mas não tem o Engenhão. Como os jogadores estão convivendo com essa realidade?

Estamos tristes porque o Engenhão é a casa do Botafogo, é onde estamos acostumados a jogar. Mas, como falei, não podemos ficar escolhendo o cenário ideal. O que queremos é ser campeões, dentro ou fora do Engenhão. Vamos correr atrás disso.

O fato de substituir um ídolo como o Loco Abreu pesou para você?

Foi até bom esse assunto ser abordado para eu ter mais uma chance de esclarecer que não cheguei para substituir o Loco Abreu. Quando fui contratado ele ainda estava aqui no Botafogo. Minha expectativa inicialmente era até jogar com ele. Mas aconteceu a coincidência dele sair e eu entrar na equipe quase ao mesmo tempo, aí acabou se criando esse rótulo que acabou me atrapalhando bastante. Mas graças a Deus isso já ficou para trás. Agora é só pensar para frente.

E as especulações de que o clube pode trazer o atacante paraguaio Roque Santa Cruz te preocupam?

Em nada, pelo contrário. Quanto mais forte o elenco ficar melhor para mim e para o Botafogo. Se for somar, pode vir que será bem recebido por todos nós.

O Botafogo vem forte para o Brasileiro, sente o time mais motivado e confiante do que no ano passado?

Tomara que o título (do Carioca) venha para entrarmos bem confiantes. Temos um grupo maravilhoso, trabalhador. Tenho muita fé na nossa equipe e confiança de que podemos conseguir todos os nossos objetivos.

Você disse que nunca foi de marcar muitos gols, mas gols decisivos. A torcida pode esperar por gols que ficarão na história do clube?

Eu sempre falo que o torcedor pode esperar sempre de mim muita luta, raça. É o que eu prometo. Se saírem os gols, melhor ainda. Vou continuar trabalhando com raça e dedicação.


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