Sábado, 14 de Dezembro de 2019
BATE PAPO

O brasileiro fenômeno do tênis de mesa mundial, Hugo Calderano, conversa com o Craque

Bicampeão Pan-americano em 2019 e atual 6º colocado no ranking mundial de tênis de mesa, o brasileiro Hugo Calderano é condiserado um dos favoritos para trazer medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020



Caldera_portal_71AA3669-E7A5-45B9-99C0-2916A4D7AA78.JPG Foto: José Hudo Castañer
10/11/2019 às 14:23

O tênis de mesa brasileiro está vivendo um de seus melhores momentos no cenário mundial, encabeçado principalmente pelo jovem atleta Hugo Calderano, de 23 anos de idade. Atual sexto colocado no ranking internacional da modalidade, o carioca iniciou sua trajetória com a raquete ainda aos oito anos de idade. 
Aos 14 ele se mudou para São Caetano, onde passou a treinar com integrantes da seleção brasileira de tênis de mesa. Um ano depois tornou-se uma ‘realidade’ no cenário nacional quando derrotou  Hugo Hoyama, considerado o melhor mesatenista do Brasil até o momento.

As conquistas do brasileiro impressionam: o atleta sagrou-se tricampeão latino-americano e bicampeão pan-americano em 2019. Também faturou medalha de ouro por duplas e medalha de bronze por equipes nos jogos em Lima. Além disso, Hugo defende a equipe Ochsenhausen, na primeira divisão da Bundesliga alemã de tênis de mesa.



Calderano vem quebrando recorde atrás de recorde ao longo de sua carreira. Em 2013, Hugo foi o mais jovem mesatenista a vencer uma etapa do Circuito Mundial e o primeiro a vencer, no mesmo ano, etapas do Circuito Mundial Juvenil e Adulto. Em 2014, conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, na China. Foi a primeira medalha do tênis de mesa brasileiro em uma competição olímpica. Em 2018, tornou-se o primeiro brasileiro finalista de uma etapa platinum do Circuito Mundial, no Aberto do Catar, e o primeiro latino-americano a figurar no Top-10 Mundial. 

Além disso, o mesatenista é recordista em prêmios de melhor atleta da modalidade em solo nacional, faturando o título anualmente desde 2013. 
O CRAQUE bateu um papo com o fenômeno da modalidade, que já mira os Jogos Olímpicos de 2020, onde disputará na  categoria individual e por equipes.

Como foi o apoio familiar para você seguir carreira no tênis de mesa? A partir de quantos anos a ‘coisa’ começou a ficar séria?

Meus pais sempre me apoiaram desde que comecei a jogar tênis de mesa. Eles sempre me deixaram livre para fazer o que eu gostava. Ao mesmo tempo, sempre iam comigo para me apoiar nas competições. Todo esse apoio familiar foi muito importante desde o início. Com 14 anos, eu me mudei para São Caetano e acho que foi o momento em que eu decidi que ia me dedicar, principalmente, ao tênis de mesa na minha vida.


Hugo, hoje você é a principal potência do tênis de mesa no território nacional e um dos mais cotados para quebrar a hegemonia de atletas asiáticos na modalidade. Como lidar com tais ‘responsabilidades’, que tipo de preparo mental você realiza para que isso não entre no jogo?

Tem uma certa responsabilidade e sei que muita gente tem grandes expectativas sobre mim, mas isso não interfere na maneira como eu penso e jogo. Procuro estar sempre focado nos meus treinamentos e no que preciso fazer para seguir evoluindo meu jogo.

Nos jogos Pan-Americanos de Lima você teve um desempenho extraordinário. Como foi a preparação para esse torneio?

É claro que o Pan estava na minha cabeça muitos meses antes, mas tenho muitas competições e estava sempre viajando. Algumas semanas antes do Pan, disputei o Aberto da Austrália e a T2 Diamond, na Malásia, por isso foi muito difícil fazer uma preparação muito específica para um ou outro. Mas, muitas vezes, as coisas são assim no tênis de mesa: tem que ter uma certa regularidade, conseguir manter o seu nível durante todo o ano. Acho que me preparei mentalmente para o Pan. Foi mais eu mesmo focando e visualizando para chegar lá com o meu nível mental o mais alto possível.


No dia 27 de outubro, você, juntamente com seus colegas de equipe, conquistou vaga coletiva nos Jogos Olímpicos e já estava confirmado na modalidade individual. Qual importância de estar presente nas duas modalidades?

É sempre uma honra jogar pelo Brasil. Não é fácil voltar para a América Latina e ainda fazer uma viagem a mais para disputar o Pré-Olímpico, mas sei que é muito importante para o país e para o tênis de mesa brasileiro. Fiquei muito feliz por ter ido e ajudado a conquistar essa vaga, que também garantiu mais um atleta nosso no individual.

A partir de agora o foco é total nas Olimpíadas ou vão haver alguns outros campeonatos no caminho que também serão importantes?

O foco principal, sem dúvidas, está nas Olimpíadas, mas até lá ainda tenho muitos campeonatos importantes para o ranking mundial. Tem muita coisa ainda pelo caminho.

Como você enxerga o tênis de mesa em solo brasileiro? Por que apenas agora estamos tendo um atleta com potencial para ameaçar os mais bem posicionados no ranking da modalidade?

Sempre ajuda bastante para as crianças que estão começando ver um atleta no topo do esporte. Mostra a todos eles que é possível, que o sonho deles não é tão distante. Com muita perseverança, é possível chegar. Fora que pode abrir outras portas. No Mundial por equipes, por exemplo, chegamos às quartas de final. Meus resultados, como os dos outros atletas da seleção brasileira, abrem mais portas para os que estão vindo. Isso faz crescer o nível do tênis de mesa no país em geral.

Que tipo de diferença podemos enxergar nos treinos e até mesmo estrutura dos atletas asiáticos para os nossos?

É difícil comparar porque, em geral, o tênis de mesa é um esporte bem mais popular na Ásia do que no Brasil. Então, tem muito mais jovens praticando a modalidade, a estrutura também é muito melhor. Mas espero que isso melhore no Brasil. Com o crescimento da popularidade do esporte, temos tudo para conseguir evoluir.

Se você pudesse passar um recado para jovens atletas que buscam seguir carreira no tênis de mesa, mas esbarram em diversas dificuldades, qual seria?

Diria para esses jovens continuarem correndo atrás dos seus sonhos, para não desistirem dos seus objetivos na vida. Treinem bastante, com muita inteligência também, pois isso é fundamental no tênis de mesa. Continuem se dedicando até conseguirem chegar aonde querem.

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Repórter de A CRÍTICA

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