Sábado, 24 de Agosto de 2019
Crônica

O dia em que os guerreiros do Norte receberam os guerreiros do Sul, no estádio Gilberto Mestrinho

Princesa e Chape se encontraram na primeira fase da Copa do Brasil em 2016. A classificação para o time amazonense não veio, mas boas lembranças ficaram desse duelo



zCR0430-01F.jpg Jogadores da Chape comemoram o gol da vitória em Manacá (Foto: Evandro Seixas)
30/11/2016 às 05:00

Era uma tarde quente do dia seis de abril de 2016. O Princesa fazia sua estreia na Copa do Brasil contra a Chapecoense. Eu estava animada, veria o Princesa jogar contra a ‘Chapeterror’ (apelido carinhoso dado ao time pelas façanhas dentro de campo), um dos times mais simpáticos e queridos do Brasil. E naquela tarde no Gilbertão, em Manacapuru,entendi o porquê da fama simpática do time catarinense.

Como apaixonada por futebol que sou, era impossível não gostar daquele time que dava trabalho para os times grandes, que se entregava em campo e conseguia vitórias inesquecíveis. Claro que batia a preocupação se o Princesa iria segurar o ímpeto de um time tão “chato” de se jogar, mas a certeza de um bom jogo era maior.

Chegando no Gilbertão, em meio ao mar vermelho nos arredores do estádio, um grupo de verde chamou a minha atenção: torcedores de um time do sul no interior do Amazonas? Todos eram do Sul, mas nem todos eram torcedores da Chape de fato. Alguns eram gremistas, mas vestiram o verde para apoiar o time. Sorridentes, eles repetiam “viemos ver a Chape pela primeira vez”.

Quanto ao time, a maioria dos jogadores trazidos pelo técnico Guto Ferreira – técnico da Chape à época – eram reservas. O time estava em busca de uma vaga na final do campeonato catarinense e, por isso os titulares foram poupados. Antes do início do jogo, por causa do sol, eu e mais alguns colegas da imprensa nos posicionamos em um ponto próximo ao banco de reservas da Chapecoense. Alguns reservas e membros da comissão técnica já estavam sentados. Na área dos reservas da Chape, havia um segundo banco onde alguns apoiavam os pés. Um membro da comissão ao sentar deu boa tarde, olhou para a gente em pé e falou “vocês querem sentar?”

Desconversamos e falamos que eles poderiam usar o banco. Ele insistiu. “Podem usar, nós não vamos precisar”. Levantou e junto com outro jogador colocou o banco ao lado  para sentarmos. Não lembro de nomes, mas lembro do ato de gentileza.

Dentro das quatro linhas, a Chape mostrou o espírito guerreiro que está no DNA do time, que homenageia o índio Condá. Começaram meio desencontrados. Viram o Princesa pressionar, fazer o primeiro gol com Michell Parintins, mas não se desesperaram. No primeiro refresco – tanto do adversário, Princesa, que baixou o ímpeto, quanto do clima que ficou nublado– o time se encontrou, cresceu em campo e conseguiu virar a partida com gols de Rafael Lima e Josimar.

A Chape jogou com seriedade, se portou com humildade e até tiraram fotos com fãs que queriam um click na saída do estádio. Registros e lembranças do dia em que guerreiros do Sul e do Norte se encontraram .

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