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Esportes
Quero ser grande!

O pequenino Ronan e o futebol de gigante no Barezão Centenário

Jovem atacante do Fast Clube tem sonhos tão grandes quanto o futebol apresentado no Estadual com a camisa do Tricolor; gol de placa na Arena contra o Rio Negro foi um dos mais belos da história do torneio 25/09/2016 às 06:00
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Cara de menino e futebol moleque, Ronan tem brilhado no Barezão 2016 e sonha sonhos maiores para seu futuro. (Foto: Antônio Lima)
Denir Simplício Manaus (AM)

“Você é do tamanho dos seus sonhos”. A frase serve perfeitamente para ilustrar a curta e intensa carreira do atacante Ronan Nunes Freitas da Cruz, ou simplesmente Ronan. Do alto do seu 1,65m o jogador, que hoje veste a camisa do Fast no Barezão Centenário, tem mostrado talento de “gente grande” e ajudado o Tricolor na briga pela taça do Estadual 2016. 

Com apenas 21 anos, o ex-morador da Comunidade Rumo Certo, no município de Presidente Figueiredo (distante 107 quilômetros), tem encontrado a cada oportunidade o rumo dos gols e encaminhando seu sonho de ser um gigante do futebol brasileiro.

Mas não pense que esse garoto começou a sonhar agora. Antes de ser a revelação do Barezão 2015 com a camisa do Rio Negro, Ronan passou por pesadelos que quase o tiraram do futebol. Em 2011, aos 16 anos, o atacante foi aprovado numa peneira realizada por um suposto empresário representante do Náutico-PE. A família, claro, embarcou no sonho de Ronan  e gastou o que não podia para custear a passagem do atleta para Recife. Porém, tudo não passava de uma fraude e o garoto voltou para Manaus desiludido.

“Foram quatro jogadores aprovados numa peneira aqui em Manaus e viajamos pra Recife. Pra entrar no CT do Náutico foi uma briga e nem treinamos. Passei três meses lá e resolvi voltar pra casa. Na chegada, no aeroporto falei pro meu pai que não queria ser mais jogador de futebol”, relembra Ronan.

Gigante no Fast

O retorno aos gramados veio por meio de um projeto social criado pelo preparador físico Mozart Carlos, em Presidente Figueiredo. Ronan foi “adotado” por Mozart, que se tornou seu representante legal até hoje. Habilidoso, Ronan logo se destacou e em 2014 já estreava no Campeonato Amazonense com a camisa do Naça Borbense, mas as oportunidades foram poucas. Também passou pela Suíça, onde atuou por apenas três vezes, marcando três gols.

No ano passado foi parar em Santa Catarina. Pelo Camboriú as chances foram escassas e ele rumou mais para o Sul do País. No São Borja-RS, Ronan pode mostrar seu talento, tanto que foi sondado pelo Inter-RS, mas o negócio não foi adiante.

De volta a Manaus, Ronan foi integrado ao elenco do Fast do treinador João Carlos Cavalo e, mesmo atuando apenas na segunda etapa dos jogos, tem sido fundamental na campanha da equipe no Barezão. “Ele (Cavalo) confia muito no meu trabalho e eu no dele. Em relação aos jogos, tenho acatado a decisão dele de  colocar durante as partidas. Tem dado certo, estamos bem no campeonato”, disse.

Franzino, Ronan tem superado o tranco dos zagueiros na base da técnica e velocidade. Questionado se voltou mais experiente de sua passagem pelo Sul do Brasil, o atacante comentou que se aprimorou com os treinamentos. “Acho que os três meses na Europa e o ano no Sul me ajudaram muito. Treinei bastante, mas acho que isso é uma coisa natural também”, disse.  

Centrado para um jogador de tão pouca idade, Ronan não esconde a vontade de ser tão grande quanto seus sonhos. “Meu sonho agora é ser campeão amazonense com o Fast. Depois, sem menosprezar o Fast, que é uma grande equipe, meu sonho é atuar em um clube de maior expressão fora do País ou até mesmo no Brasil”, concluiu o jogador.

Gol de placa na Arena

Na vitória diante do Rio Negro, no meio de semana, Ronan marcou um gol de sonho contra seu ex-clube na Arena da Amazônia. O atacante, aliás, tem participado efetivamente de todos os gols do Fast até aqui no campeonato. Foram três assistências e três gols até o duelo contra o Galo. O jogador relembra o lance que mereceria uma placa no estádio.
“Pensei rápido. Mentalizei a jogada na cabeça e a matada certa na bola influenciou muito no decorrer do lance. Depois passei pelo zagueiro e fiz que ia tocar a bola pro meio e o goleiro passou reto, nem toquei na bola, aí foi só empurrar pro gol”, recorda Ronan, como se fosse a coisa mais simples do mundo. 
 

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