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Operário: uma história sobre o futebol na Amazônia

Beto Ferreira navegou por 25 anos nos rios da região e hoje dirige o time e a embarcação onde conduz a equipes aos treinos em Manaquiri 23/02/2015 às 12:32
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Presidente é também o piloto da embarcação que conduz o time
Felipe de Paula Manaus (AM)

Poucos times profissionais do Amazonas guardam relação tão estreita com a região em que vivem como o Operário de Manacapuru. Sem campo para treinamento diário na cidade, por duas vezes na semana o time pega uma embarcação, popularmente conhecida como “a jato”, e faz uma viagem de uma hora (um pouco menos na ida e um pouco mais na volta, já que vem subindo o rio), até o município vizinho de Manaquiri, onde treina num campo de excelentes condições cedido pela prefeitura local.

Quem comanda o leme da embarcação que leva os jogadores é o mesmo responsável por dirigir também a administração do clube: o presidente Beto Ferreira. Natural de Manacapuru e oriundo de uma família toda ligada à navegação, o dirigente trabalhou durante 25 anos nos rios da região, em especial o Solimões, que banha a Terra da Ciranda. “Difícil um ‘caboco’ que não saiba nadar e não entenda de barco”, diz ele, que pilota a embarcação mirando a incrível paisagem amazônica e contando histórias da região.

Porém, a modéstia do comandante do Sapão da Terra Preta fica por aí. Presidente do Operário desde que o time virou profissional, em 2009, Beto se orgulha de contar que já conduziu o time a dois títulos da Série B, ambos sobre o Rio Negro, em 2010 e 2014. A isso, ele usa do seus conhecimentos dos rios amazônicos para “justificar” a prevalência sobre o rival. “É que o Rio Solimões corre mais rápido e mais forte. Quando chega na decisão, faz valer essa diferença”, brinca ele.

Paixões amazonenses

Para o presidente Beto Ferreira, futebol e navegação são duas paixões amazonenses. “A gente passa em viagem pela região e vê várias comunidades, todas com o seu campinho. Quando o campo é pequeno, fazem campeonato de pênalti. Temos o futebol no coração”, diz ele. “Tem dois jogadores que moram do outro lado do rio e vem treinar de rabeta”, acrescenta.

Na volta do treino, os jogadores que vem no barco do time conversam, dormem ou fazem a tradicional ‘zoeira’, típica dos bastidores do futebol, neste caso comandada pelo veterano Clemilton. O técnico do time, o carioca Carlos Tozzi, é que fica na proa do barco, admirando a incansável beleza amazônica. Depois de algumas passagens pelo futebol local, ele diz que já está acostumado com a logística feita muitas vezes por meio de embarcações pelo rio.

“Isso pra mim é normal, até porque quarta passagem minha no amazonas, não tem mais dificuldade”, diz ele, que conta, no entanto, não deixar de se impressionar diante da beleza natural da região. “Sempre digo, quando volto a trabalhar em outra região , que aqui foi o melhor lugar onde já trabalhei. Quando me convidem eu nem penso duas vezes”, disse o treinador.

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