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Esportes
Craque

Os irmãos Piola penduraram as chuteiras há muito tempo, mas são reverenciados até hoje

Os irmãos Antonio e Édson Piola representaram uma época de glória do futebol estadual. Ambos estiveram presentes nos dois últimos títulos de Campeonato Amazonense do Fast Clube na história – em 1970 e 1971 19/02/2015 às 14:43
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Edson e Antônio tem um senso crítico apurado quando o assunto é o futebol amazonense
Paulo André Nunes Manaus

Ambos estiveram presentes nos dois últimos títulos de Campeonato Amazonense do Fast Clube na história – em 1970 e 1971. E lá se vão quase 44 anos de jejum. Eram a habilidade ao pé da letra e da bola. Os irmãos Antonio e Édson Piola representaram uma época de glória do futebol estadual. Louve-se uma família predestinada para o mundo da bola: o irmão deles já-falecido Zequinha, que era quarto-zagueiro, brilhou junto ao dueto fastiano.

Antônio Piola, hoje aos 69 anos, foi lateral-direito e volante. Já Édson, 72, um ponta de lança que é considerado, por muitos analistas esportivos e torcedores, o melhor jogador do futebol amazonense da história. Além da habilidade e senso de jogo fora do comum, esses dois ex-jogadores clássicos têm, no senso crítico, outras grande característica. Nela, vem atrelado o lamento de não conhecerem qual é o time do Fast que disputará o Estadual deste ano.

“Não tenho nenhuma expectativa quanto ao Fast Clube neste Campeonato Amazonense. Não conheço nenhum jogador. Ninguém sabe quais os times que vão jogar”, lamenta Antonio Piola, que relata a equipe do Fast bicampeã em 1971: “O nosso time do Fast era muito bom. Tínhamos Marialvo, eu, Casemiro, Zequinha Piola e Pompeu; Zezinho, Iolanda (ou Waldoci), Mano, Laércio, Édson Piola, Afonso e Adinamar. O técnico era Oswaldinho”.


Edson Piola é empresário do setor gráfico. Foto: Antonio Menezes

Muito unido ao irmão, Édson, que é empresário do setor gráfico, vai além sobre o futebol “moderno” local. “Não estou acompanhando e nem tenho perspectiva para esta temporada pois não conheço nenhum jogador amazonense. Honestamente não sei. Nós não temos ídolos. Como é que a torcida do Amazonas vai ver um jogo se não conhece os atletas? Na minha época tínhamos categoria de base nos clubes locais. Hoje, o Amazonas não tem ídolos. No meu tempo iam aos jogos o meu pai, mãe, vizinho, empregado, etc. E sabíamos a formação de todos os times da época. Eu sei todas as escalações que joguei na Rodoviária, Fast, Nacional, Rio Negro e Olímpico”, comentou Édson, presidente da Associação de Senhores de Futebol do Amazonas, que reúne 80 veteranos. Em Manaus sempre foi um grande goleador. Em Belém, é como um rei: jogou em 1965 pelo Paysandu, foi artilheiro e, junto com Antonio, quebrou a hegemonia do Clube do Remo no Campeonato Paraense.

Denúncias
Além de toda a magia que desfilou em campo, Antonio Piola mostrou que é craque fora dele. Ano passado, denunciou que parte dos treinadores de categorias de base de clubes do Amazonas que usam da autoridade para aliciar sexualmente crianças e adolescentes. As declarações deram origem à reportagem especial reportagem especial “Jogo sujo - Um retrato da exploração sexual no futebol de base em Manaus”, publicada no jornal A CRÍTICA, e um inquérito junto à Polícia Civil que está em andamento.


Antônio Piola tem projetos ligados ao futebol. Foto: Érica Melo

Antonio ex-lateral, hoje ele coordena projetos sociais
Antonio Piola dá um exemplo de dedicação e amor ao futebol ao coordenar os projetos “Gol de Letra” e “Futebol Sem Drogas” para crianças carentes. Funcionando em cinco pólos na cidade - Igarapé do 40, Petrópolis e nos CDC´s da Compensa, Manoa e São José - a atividade tem 600 crianças inscritas e com inscrições gratuitas.

“A finalidade é tirar as crianças da violência e do mundo das drogas. Trabalhamos com a prevenção, antes do uso da droga porquê, quando se entra, é complicado sair. Atuamos com palestras e assistência social no projeto”, diz o coordenador que mantém uma escolinha no Clube da Polícia Federal, na rua Efigênio Sales, bairro V-8.

Por sua atuação à frente do futebol, Piola recebeu, em dezembro do ano passado o título de Personalidade do Ano pela Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM). Ele trabalhou durante 30 anos na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), onde ocupou cargos como o de diretor da Faculdade de Educação Física (FEF).

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