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Esportes
Emoção

Sentimentos à flor da pele de um Chapecoense de coração

A Chapecoense sempre foi o time do coração do catarinense residente em Manaus Luiz Lauschner. Ele ficou muito triste com a notícia da tragédia que aconteceu com o time, e lembrou de sua história com a cidade de Chapecó e com o Furacão do Oeste. 30/11/2016 às 10:44
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Luiz ficou consternado com a notícia da tragédia ocorrida com o time de Chapecó, jornalistas e tripulantes. (Foto:divulgação)
Jéssica Santos Manaus (AM)

O escritor catarinense Luiz Lauschner vive há mais de 30 anos em Manaus, mas jamais esqueceu suas origens. Seu coração de torcedor sempre bateu forte pela Chapecoense. Mas, na manhã de ontem (29), Luiz recebeu a triste e inesperada notícia do desastre com o avião que levava o time Chapecoense para o primeiro jogo da final contra o Atlético Nacional, de Medellín, e contou um pouco do que está sentindo, e da sua relação com o Furacão do Oeste.

A notícia

Luiz ficou sabendo da tragédia com o avião que levava o time de Chapecó, além de jornalistas, convidados e tripulantes, logo no início da manhã de terça (29), quando acordou. “Eu fiquei estático, sem fala, sem ação, demorou a cair a ficha”, disse ele. O catarinense também disse que deixou seus compromissos de lado, porque não conseguiu sair de casa. “Só consegui ficar chorando em frente a TV, hoje. É difícil porque, apesar de eu não ter conhecido pessoalmente essa turma nova de jogadores, eles têm sobrenomes familiares, foi como se esse acidente tivesse acontecido no quintal de casa, disse Luiz”.

Sobre a repercussão da tragédia no mundo, Luiz diz ter notado que todos estão tocados pela tristeza do momento. “Percebo que as pessoas estão até sem ter o que falar, que não sou só eu que estou triste e chocado, mas todo o mundo, não é um luto só meu, mas de todos”.

Apesar da tristeza, Luiz tem uma boa perspectiva sobre o futuro. “Hoje o mundo todo conhece a Chapecoense, infelizmente através dessa tragédia, mas, tenho certeza, pelo que conheço daquele povo, que ele fará tudo para o time se reerguer”.

Torcedor do Furacão do Oeste

O catarinense Luiz Lauschner sempre torceu pela Chapecoense, apesar de ter nascido na cidade de Itapiranga. “Meu pai foi vereador em Chapecó, e a cidade que eu nasci, Itapiranga, fazia parte de Chapecó, antigamente, e eu cresci tendo essa relação com a cidade e com o time”.  

Ele afirmou que o Verdão do Oeste se tornou um time conhecido, uma opção a mais para os próprios torcedores do Rio Grande do Sul, pela proximidade, não apenas para torcedores de Santa Catarina, e disse que o time passou a envolver torcedores de várias regiões e cidades. “vários ônibus de cerca de 40 cidades saíam para ver os jogos da Chapecoense, que não se trata de um time, apenas, mas de uma entidade que representa uma cidade, um povo inteiro, do oeste catarinense”.

Luiz explicou que a Chapecoense pertence a um grupo de vários sócios que contribuem com o time; ele disse que as pessoas se envolvem com o clube e fazem campanhas para a arrecadação de verbas para o time. “A Chapecoense foi conquistando seu espaço, tornou-se conhecida, hoje tem patrocínios, e não foi à toa, foi um trabalho de vários e vários anos, de muito empenho de todos, de pessoas que se empenham pelo time”, disse ele.

“Sempre que me perguntavam para qual time eu torcia, eu pedia para a pessoa adivinhar e, claro, ninguém adivinhava. Quando eu dizia que torcia pela Chapecoense, as pessoas confundiam o time, não sabiam de onde era”.

Solidariedade

O adversário da Chapecoense na final da Sul-americana pediu para que o título fique com a Chape, e Luiz Lauschner viu isso como uma atitude de solidariedade do time colombiano.

“Foi a maior tragédia do mundo esportivo até hoje, então acho a atitude do Atlético uma simpatia da parte do time deles, que tem um valor emocional grande. Achei uma maneira de o futebol internacional ser solidário, bonito, e também de amenizar a dor da família. E o título pode marcar na historia a dedicação do time”, disse Luiz.

A todas as pessoas que estão sofrendo a dor dessa tragédia do esporte, Luiz deixou seu recado. “Eu diria aos catarinenses, aos torcedores da Chapecoense e aos torcedores brasileiros, que a vida continua, que todos fizeram seu melhor, e que algumas coisas são imprevisíveis e não podemos evitar. Acidentes assim não são nada comuns, e não se deve parar de sonhar por causa deles, portanto, chorem, mas lembrem que há um futuro e ergam-se novamente”.

Chapecó

Considerada a capital brasileira da agroindústria e capital catarinense de turismo de negócios, foi totalmente planejada, e seu traçado é em forma de xadrez. Com uma população estimada em 209 553 habitantes, atualmente é a quinta maior cidade do Estado, estando atrás somente de Joinville, Florianópolis, Blumenau e São José, está localizada no Oeste Catarinense, na inserção da bacia hidrográfica do rio Uruguai, cujo curso define a divisa com o estado do Rio Grande do Sul.

 

FRASES - 

“Quanto o time chega para representar o Brasil, todos torcem, então, eu estava achando sensacional ver meu time crescer, e ir representar o país”.

“O Chapecoense é meu time do coração. Não torço para outro.  Saí de Santa Catarina em 1980, mas contribuí, de certa forma, com a profissionalização do time, e sempre me orgulhei dele”.

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