Sábado, 15 de Agosto de 2020
DA INFÂNCIA A FASE ADULTA

Pai e filho coordenam projeto social há 17 anos no bairro da Glória

O gandula Adenildo ‘Bicheiro’ coordena, juntamente com seu filho, um projeto que inicialmente seria apenas para crianças. Porém, os anos foram passando, os participantes foram crescendo, e a pelada continuou para os adultos.



CRQ_Sandro_Pereira_3DB225EA-19D6-4CD7-A37F-406A24FF52E9.JPG Adenildo "Bicheiro" e o filho Demetrius Simões compartilham o objetivo de manter o esporte no bairro da Glória. Foto: Sandro Pereira/Freelancer
12/01/2020 às 14:08

Nas duas últimas décadas, diversas pesquisas foram realizadas para tentar explicar um pouco os motivos para o brasileiro ser tão apaixonado por futebol. Vários defendiam que estava literalmente ‘no sangue’, devido à miscigenação (o povo brasileiro é originado de diferentes etnias, afinal). Outros apontam para a cultura de absorção de costumes de outros povos, no caso, dos ingleses.

Apesar das controvérsias, o fato é que o futebol se tornou parte do Brasil. Da infância até os último dias de vida, o brasileiro quer ‘jogar bola’. Em Manaus, podemos ver um pouco dessa devoção atemporal ao esporte bretão. O gandula Adenildo ‘Bicheiro’, de 65 anos, coordena com o seu filho Demetrius, aos 25, um projeto que atravessa quase 17 anos.



“Para eles não desgarrarem das coisas que são realmente boas na vida, resolvi manter o projeto. A maioria aqui é universitário, quero que permaneçam no lado certo da vida”, disse sobre o principal objetivo de seu projeto no bairro da Glória.

Tanto Adenildo quanto seu filho estão ligados ao futebol desde muito cedo. Bicheiro em sua juventude era árbitro pela Federação Amazonense de Futebol (FAF) e Demetrius cresceu acompanhando o pai em jogos. O projeto surgiu derivado de um extinto programa do governo do Amazonas chamado de “Bom de Bola”, em 2004.

Adenildo "Bicheiro" e o filho, Demetrius Simões. Foto: Sandro Pereira

“Trabalhei nas categorias de base do Sul América e desde ali fui criando conexões com o meio do futebol em Manaus. Foi passado a mim a tarefa de coordenar o Bom de Bola aqui no bairro”, afirmou sobre seu início no mundo dos projetos sociais ligados ao futebol.

Depois disso, o projeto “Amazonas na Copa”, o qual Adenildo também coordenou, acumulando quase 200 alunos nos dois projetos. “Quatro anos atrás, quando esses projetos já não existiam mais, percebemos a carência do pessoal do bairro em relação à esportes”, disse Demetrius Simões sobre o fator decisivo para ele e o pai retomarem as atividades no bairro.

Tudo pelo projeto

Demetrius revela que não é fácil arcar com os custos de aluguel do campo, água, coletes e demais material necessário. Mas dão um jeitom claro.

“Cada um aqui contribui da maneira que pode. Temos alguns patrocínios de comércios aqui do bairro também, mas às vezes fechamos o mês no vermelho, é com muita luta que vamos levando”, declarou.

A exemplo de muitos outros, Caio Farias e Alisson Oliveira estão no projeto desde a infância. Hoje, com 25 e 26 anos, respectivamente, eles demonstram imensa gratidão ao projeto do ‘Velho’ Adenildo.

“Eu comecei aqui no projeto, que antigamente era Bom de Bola, aos nove anos de idade. Passei praticamente uma vida aqui, é um incentivo para jovens saírem de coisas erradas”, disse Alisson, que não pretende abandonar a tradição da famosa pelada no Sul América tão cedo.

Já Caio Farias, além de participar do projeto desde os oito anos de idade, também decidiu, assim como Adenildo, trabalhar como gandula.

“Nós respeitamos muito tudo que o Adenildo fez pela gente. É um cara que já se dedicou muito por esse e outros projetos. Desde criança ele nos ensina muito, aprendemos até hoje”, concluiu o jovem atleta.

Caio Farias e Allison Oliveira estão no projeto desde a infância. Foto: Sandro Pereira

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Repórter de A CRÍTICA

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