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Paixão pelo Flamengo faz torcedor ganhar camisa das mãos de Luxemburgo

Fanático pelo Rubro Negro desde criança, autônomo pediu um autógrafo e recebeu uma camisa nova dada pelo treinador. O “professor” Luxa mostrou seu lado mais simpático perante o torcedor que é louco pelo time de coração 28/11/2014 às 22:06
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Paixão de Wellington pelo Flamengo incentivada pelo pai, agora está invadindo o coração dos filhos.
Denir Simplício Manaus (AM)

O torcedor do Flamengo é mesmo um ser diferente dos demais torcedores de futebol. A paixão pela camisa rubro negra pode ser comparada ao fanatismo religioso. Não à toa os fãs do Mengo costumam chamar o uniforme do time de “Manto Sagrado”. Foi esse amor pela indumentária do clube da Gávea que fez um mero mortal ser “abençoado” com a camisa do capitão Léo Moura, e vinda direto das mãos do comandante Vanderlei Luxemburgo.

A história da paixão do autônomo Wellington Meneses, de 33 anos, pelo Flamengo vem de longe e passou de pai pra filho, como uma doutrina. Desde criança o então, pequeno torcedor do clube da Gávea, incentivado pelo pai flamenguista, já admirava o craque Zico, que mesmo em final de carreira, era o gênio e comandava o Rubro Negro para as vitórias. Outras feras surgiam como o lateral Leonardo e o veloz Bebeto.    

O garoto cresceu e um belo dia o pai resolveu lhe dar de presente a própria camisa. Pois bem, nasceu aí o que o podemos chamar de paixão que “passa de pai pra filho”. Aquele uniforme de 1984, hoje muito surrado pela ação do tempo, apresenta furos e desbotados, marcas de muitas batalhas e principalmente, vitórias. Mesmo assim Wellington não o larga do couro.

Novo Manto nas mãos

Foi vestido com essa camisa que o torcedor foi fazer vigília na porta do hotel onde o Flamengo ficou concentrado para o jogo contra o Botafogo, no dia 25 de outubro passado. De tanto insistir em falar com os jogadores do time do coração, ele acabou sendo abraçado por alguns atletas. Tirou fotos com praticamente todo o elenco reserva que esteve em Manaus na derrota contra os botafoguenses.

Mas não pensem que o Wellington ficou triste, pelo contrário, o filho de flamenguista teve a oportunidade de conversar com o técnico do Flamengo, Vanderlei Luxemburgo, e lhe fez um pedido. “Eu pedi a ele que autografasse minha velha camisa. Ele pegou a caneta e disse que minha camisa era do tempo que ele jogava e sorriu”. O autônomo acabou conhecendo o lado do treinador que poucos conhecem: o Luxemburgo boa praça.

“Depois que ele autografou a camisa e virou pra mim e disse: Meu capitão não veio, mas eu vou te dar a camisa dele. Depois de algum tempo ele voltou e me deu a camisa do Léo Moura. O Luxa é muito gente boa”, revelou o torcedor presenteado pelo carinho e pelo novo Mato Sagrado doado pelo treinador do Flamengo.     

De camisa nova, o Wellington trouxe dessa vez para ver a chegada do time do coração, seus dois filhos. Os pequenos, José Wellington e Divino Emanuel, já seguem os mesmo passos do pai e já exibem eufóricos suas camisas rubro negras. Torcedor do Flamengo é mesmo um ser diferente: ele passa a paixão de pai pra filho como uma doutrina, uma religião.

Só sendo torcedor do Flamengo para entender o que escreveu o saudoso Nelson Rodrigues em uma de suas crônicas mais espetaculares sobre um clube de futebol.

“Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte:- quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas, tremem, então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará à camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável”. Oremos.

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