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Papo com o Craque: Zico fala com exclusividade sobre Seleção, CBF, Neymar, Fifa e muito mais

O Galinho de Quintino deu mais um show de bola e simpatia em sua passagem por Manaus no último sábado (27), no jogo solidário entre “Amigos do Aldo” x “Amigos do Pizzonia” e não fugiu às questões polêmicas que envolvem o futebol brasileiro e mundial 29/02/2016 às 12:56
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Zico falou com exclusividade ao CRAQUE e se disse triste com o futebol brasileiro.
Denir Simplício Manaus (AM)

Poucos jogadores de futebol no Brasil têm a honra de ser idolatrado por uma verdadeira “Nação”. Arthur Antunes Coimbra, o Zico, tem não apenas o carinho de todos os flamenguistas, mas também é ovacionado pelos rivais. O Eterno Camisa 10 da Gávea é o maior ídolo da história do Flamengo. Foi líder de uma geração de ouro do Rubro-Negro que até hoje jamais foi superada.

Com a camisa da Seleção Brasileira o destaque não foi menor. Fez parte de um time que, mesmo não vencendo uma Copa do Mundo, é tido como um dos melhores de todos os tempos. Honrou a camisa canarinho como poucos, brilhou com a rubro-negra como ninguém.

Chamado de “Deus” por uma torcida que se intitula “religião”, o Galinho de Quintino esteve em Manaus como a principal estrela do jogo beneficente entre Amigos do Aldo x Amigos do Pizzonia, no sábado (27), na Arena da Amazônia. Antes de deixar sua marca no estádio amazonense, Zico falou com exclusividade ao CRAQUE.

Entre os assuntos o eterno craque falou sobre a eleição para a presidência da Fifa - a qual ele mesmo tentou concorrer -, CBF, Neymar, Flamengo e Manaus como sede da Rio 2016.

Zico, na próxima quinta-feira (3) você completa 63 anos. Como está a saúde? Vai ter comemoração, uma festa de aniversário?

Está tudo bem... tranquilo. Não, não, nada (festa de aniversário)! Agora a gente até esquece que faz aniversário. Estamos trabalhando muito (Zico é comentarista esportivo do canal Esporte Interativo), acabamos de chegar da Europa onde fizemos uma bela cobertura lá desses primeiros jogos das oitavas (Liga dos Campeões da Europa) e na próxima semana já estamos viajando pra lá de novo, pra fazer mais dois jogos: Real Madrid e Roma, e também Paris Saint Germain e Chelsea, jogos da volta.

Você tentou se candidatar à presidência da Fifa, mas acabou não dando certo. Você acompanhou a eleição, o que achou da vitória do suíço Gianni Infantino para o cargo?

Acompanhei (eleição da Fifa), mas já era esperado (vitória de Infantino). Acho que é uma oportunidade de ouro que cai pro Infantino. Porque isso mostra a força que tinha o Platini para ser o eleito e caiu no colo do Infantino. É a força do futebol europeu, mas uma vez. Acho que a América do Sul, principalmente, precisa se cuidar, porque o poder hoje está todo concentrado lá na Europa. E esse comprometimento que há da UEFA, de todos, inclusive da Conmebol e de muitos outros lugares, faz com que ninguém conhecesse o trabalho que o Infantino faz no futebol e de repente ele é eleito na maior entidade do futebol no mundo. Então, eu acho que é uma grande oportunidade pra ele mostrar seu trabalho, e a UEFA está realmente fazendo um grande trabalho, e tomara que ele consiga restabelecer a credibilidade na Fifa porque é o que todos nós estamos precisando porque a entidade perdeu essa confiança e vamos ver se ele consegue por em prática aquilo que ele falou de transparência, democracia, todas essas coisas necessárias numa entidade.

A Fifa também anunciou algumas mudanças significativas para restabelecer o respeito que a entidade perdeu com os escândalos de corrupção. Você acha que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também deveria promover mudanças?

Acho que a CBF não precisa da Fifa pra mudar. Se eles quiserem, eles podem mudar, devem mudar e precisam mudar. A gente não pode ter uma entidade aqui no Brasil, um país pentacampeão do mundo, que tem um presidente preso, o ex-presidente indiciado e outro indiciado. Acho que isso tudo é lamentável pro nosso futebol e ele (Coronel Nunes, presidente da CBF) não precisa da Fifa pra nada! Ele pode fazer essas mudanças sem estar preocupado com o que está acontecendo lá no futebol europeu. A CBF faz parte da Fifa, mas a CBF é uma entidade independente, uma entidade privada, uma entidade que precisa fazer tudo aquilo que a Fifa também precisa fazer. A Conmebol da mesma forma... o que a gente viu de corrupção e de propina é triste. Principalmente pra quem é do futebol, pra quem gosta do futebol e quem trabalha pro futebol.

As Eliminatórias para a Copa da Rússia recomeçam em março, quando o Brasil pega o Uruguai em casa. Você tem visto os jogos do Brasil?

Não posso falar nada de Seleção Brasileira porque não vi nenhum jogo. Eu estava na Índia nesse período e lá não passa jogos da Seleção. O Brasil perdeu tanto a credibilidade que nem os jogos da Seleção Brasileira em Eliminatórias passam lá, ou em outros lugares do mundo - o que a gente lamenta. Mas na eliminatória é importante você sempre ganhar jogos em casa. O Brasil ganhou jogos em casa e empatou um fora, acho que está dentro da normalidade. Perdeu pra um dos favoritos à classificação - que é o Chile, que vem de uma safra boa... ganhou a Copa América - e acho que precisa fazer seus pontos aqui. Posso falar que a Seleção tem bons jogadores. Jogadores que estão bem na Europa, mas que a meu ver perderam um pouco da identidade com o futebol brasileiro.

Neymar foi um dos finalistas do prêmio Bola de Ouro da Fifa e muitos dizem que ele deve se tornar o melhor do mundo em breve. 2016 será mesmo ano do Neymar?

Acho que o Neymar pode ter vários anos e poderia ter ganho já em 2015, a Bola de Ouro da Fifa, porque jogou pra isso. Foi produtivo e por isso foi um dos eleitos. Então é um dos grandes nomes do futebol brasileiro. Tomara que as coisas não fiquem só nas costas dele. Porque já ficou mais do que provado que um jogador só não faz milagre, não consegue resolver sozinho. Muitas vezes consegue resolver jogos, mas não resolve o campeonato, e o maior exemplo que a gente tem é o Messi, na Argentina, que por mais que ele seja o melhor da Argentina, não consegue títulos importantes. Então a Seleção Brasileira precisa ajudar o Neymar.

Assim como em 1990 e 2011, o Flamengo começou o ano com título na Copa São Paulo de Futebol Júnior, mas pouco tem aproveitado a garotada. O que o clube deve fazer pra que essa geração não se perca, como as outras duas?

Não fazer besteira. Porque o Flamengo já perdeu duas gerações que venceram a Copinha e não aproveitou muito uma geração das melhores. Acredito que depois da nossa (final dos anos 1970 e início dos anos 1980), que a do Djalminha, Marcelinho, Luis Antônio, Marquinhos, Júnior Baiano, Piá, Nélio... e o Flamengo acabou se perdendo com muitos desses jogadores. Paulo Nunes, enfim, jogadores que tiveram sucesso em outros lugares. A outra, é lógico, que foi até mais jovem, que foi no primeiro ano que baixaram pra 18 anos (idade) e o Flamengo estava com uma safra boa, que tinha o Rafinha, Adryan, Thomás, Lorran, o Muralha, e também desperdiçou essa geração. Tomara que isso não aconteça com essa de agora, que já é mais experiente. Tomara que o Muricy, cada vez mais, olhe bem para esses garotos. Você tem lá garotos lá que poderiam jogar já no time titular, que já estão preparados, como o Vizeu (Felipe, atacante), como o Ronaldo (volante), como o Léo Duarte (zagueiro), o goleiro (Thiago) é muito bom. Então são jogadores já prontos pro time titular. Agora é questão de confiança e dar segurança pra eles.

Apesar de termos um dos mais belos estádios do Brasil, o futebol amazonense não é um dos mais prestigiados do País. Disputamos apenas a Série D do Brasileiro. Mas quando você atuava profissionalmente, chegou a enfrentar as equipes do Amazonas na elite do futebol nacional. O que você acha que deve ser feito para o futebol local voltar a crescer?

A gente tem que ter bastante evento aqui (Arena). Torcer para que as equipes daqui se motivem, cresçam, voltem ao cenário nacional. No meu tempo de jogador tinham grandes equipes aqui, o Nacional, o Fast o Rio Negro, joguei contra todos eles. Então é bom isso (mais jogos), a gente gostaria que aqui fosse novamente uma arena que tivesse os times locais disputando as grandes divisões, para que as grandes equipes viessem jogar aqui também”

Assim como na Copa, Manaus receberá partidas do Torneio Olímpico de futebol da Rio 2016. O que você pensa de uma cidade tão distante do Rio de Janeiro receber os Jogos?

Mas, no futebol, isso sempre aconteceu no mundo inteiro. O futebol acaba se dividindo entre o País inteiro. Isso não ser a primeira vez e nem vai ser a última. O futebol é diferente de tudo, então, é uma oportunidade boa pra Manaus receber bem - como sempre fez e como sempre faz. Manaus é uma cidade muito calorosa e tomara que dê tudo certo por aqui também. Tem uma Arena muito bonita, que foi construída pra Copa do Mundo e acho que seria importante também ter uma participação, como vão ter em outros estados aqui no Brasil.

Você entrou em campo pela última vez o ano passado, no seu “Jogo das Estrelas”. Tão próximo de completar 63 anos, o Zico continua dando show de bola nos gramados?

Agora a gente não joga mais... a gente vai em campo só (risos). 


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