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Parada em Manaus antes do Tri no México!

Com a Seleção Brasileira, Carlos Alberto Torres participou da inauguração do Vivaldo Lima, antes da conquista definitiva da Taça Jules Rimet, naquele mesmo ano 26/10/2016 às 05:00
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A seleção fez duas partidas em Manaus antes do mundial no México (Foto: Arquivo/AC)
Camila Leonel Manaus (AM)

A tarde de do dia 5 de abril de 1970 está na história do futebol amazonense por marcar a inauguração do estádio Vivaldo Lima, mas além de marcar o início das atividades do gramado do Colosso do Norte, aquele domingo também guarda a primeira vez que Carlos Alberto Torres, juntamente com a Seleção Brasileira, jogou em Manaus.

A partida da Seleção Brasileira foi contra a Seleção Amazonense e terminou 4 a 1 para o escrete canarinho. O primeiro gol do jogo foi marcado pelo Capita. Paulo César Caju, Rivelino e Pelé marcaram os outros tentos. Mário Vieira descontou para os amazonenses.

Apesar de todo o prestígio que o “Capita” ganhou juntamente com a Seleção após a conquista no México, naquele mesmo ano, quando jogou em Manaus a situação era diferente.

 O Brasil chegou na capital amazonense sob a desconfiança dos brasileiros. O fiasco da Copa de 66 e a troca de João Saldanha por Zagallo  no comando do time era os principais motivos para o brasileiro não acreditar na camisa canarinho.

 O jornalista Nicolau Libório, que participou da cobertura do amistoso do Brasil em Manaus descreve a situação.

“A seleção passava por um processo de descrédito. Ninguém acreditava na Seleção, mas por incrível que pareça, o Carlos Alberto, que era o capitão era um dos jogadores que passava o contrário. Ele passava credibilidade pelo espírito de liderança e somando às características ofensivas que ele tinha. Poucos laterais faziam isso naquele tempo. Então o Brasil precisava de uma vitória para diminuir um pouco esse clima de desconfiança”, relembra.

O jornalista conta que conseguiu furar o bloqueio e entrevistou o Capita e Pelé. Se passando por um dos jogadores, ele viajou no mesmo ônibus que a seleção.

Sobre a lembrança do Capita, Libório diz que a característica mais marcante era a liderança dentro de campo.

“Eu me lembro dele como um líder. Essa era a principal característica dele, de liderança. Eu entrevistei a primeira vez nesse jogo que a Seleção veio fazer aqui duas partidas contra a Seleção do Amazonas”, disse.

A liderança do ex-capitão da Seleção também é lembrada pelo o ex-zagueiro do Rio Negro Walter Costa. Ele que jogou na Seleção Amazonense A. mas não foi só em campo que ele teve contato com a Seleção e com Torres. O Brasil chegou a Manaus no dia 4 de abril e na véspera da partida recebeu os jogadores amazonenses.

Walter jogou contra a seleção brasileira capitaneada por Carlos Alberto Torres (Foto: Denir Simplício)

“A gente estava concentrado com eles na Maromba e tanto ele como toda a Seleção, o Zagallo  nos tratou muito bem e eu tenho uma lembrança muito boa. Chegamos onde eles estavam concentrados, nos receberam na porta na véspera do jogo”, conta.

Após quarenta e seis anos, Walter ainda se sente feliz pela honra de ter jogado no mesmo campo que Torres mesmo que tenha sido apenas na etapa final já que ele foi colocado apenas na segunda etapa do jogo.

“É uma honra muito grande. Uma passagem na minha vida que ficou marcado. A morte dele é uma perda muito grande para o futebol. Ele vem de uma época que o jogador era mais valorizado pelas suas atitudes e não pelo dinheiro”, finaliza o ex-jogador que nasceu no mesmo ano que Capita: 1944.

Imagem aérea do Vivaldão (Foto: Arquivo/AC)

Festa pela Seleção em Manaus

A Seleção Brasileira desembarcou em Manaus no dia 4 de abril de 1970 para realizar dois jogos contra a seleção amazonense.

Antes da partida principal, o time B do Brasil, composto por reservas enfrentou os reservas da seleção amazonense. No jogo preliminar, Dadá Maravilha marcou os quatro gols da vitória da seleção canarinho por 4 a 1.

Na partida principal, o primeiro gol do Brasil foi marcado por Carlos Alberto Torres, porém a passagem do tempo fez com que a forma como o gol foi marcado desaparecesse da memória do jornalista Nicolau Libório e do ex-jogador Walter Costa, que entrou apenas na segunda etapa do jogo no lugar do zagueiro Maravilha.

Nicolau Libório conta sobre o jogo em seu livro Lembranças do Futebol e do Rádio Amazonense (Foto: Arquivo/AC)

Em seu livro Lembranças do Futebol e do Rádio Amazonense, Libório cita a festa que foi para os amazonenses assistir o Brasil no novo estádio.

“Manaus viveu um clima de festa naquele 5 de abril de 1970. Ninguém conseguiu ficar indiferente ao fato. A multidão não se importava com o desconforto, com lama, poeira, entulho da construção ou com o sol inclemente [...] Queriam conhecer o belo gramado, ver de perto os grandes ídolos e, sem dúvida, aplaudir o rei Pelé [...]Deu tudo certo: chuva de gols e muitos aplausos. E a Seleção Brasileira saiu de Manaus para conquistar o tri no México”.

 

 

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