Segunda-feira, 06 de Julho de 2020
CRISE

Paralisação do calendário deixa futebol feminino sob risco de retrocesso

Para saber mais sobre os impactos da paralisação, o CRAQUE ouviu Romeu Castro, Supervisor de Competições de Futebol Feminino da CBF, e Olavo Dantas, um dos percursores da modalidade no Amazonas



futebol_feminino_brasil_0AA2C2A1-29BB-4D36-9C6B-C01CF178C025.JPG Foto: Yves Herman/Reuters
21/04/2020 às 08:39

No Brasil, os torneios organizados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entidade máxima do esporte no país, foram paralisados por conta do novo coronavírus. E se a crise financeira já é evidente no forte ecossistema do futebol masculino, a modalidade das mulheres pode ter o primeiro retrocesso depois de 41 anos de ‘vida’ - no Brasil, a prática do futebol feminino só deixou de ser proibida em 1979. 

A Fifpro, sindicato de jogadores profissionais, chegou a alertar em comunicado sobre a modalidade. "A situação atual pode constituir uma ameaça quase existencial para o futebol feminino, se nenhuma medida for tomada para proteger sua economia", afirmou o órgão. Para entender quais podem ser os impactos da paralisação para a modalidade no Brasil, o CRAQUE falou com Romeu Castro, Supervisor de Competições de Futebol Feminino da CBF. 




Dirigente acredita que dificuldades serão superadas. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Embora confie na minimização dos prejuízos através da entidade, o dirigente acredita que o ano de 2020 será de dificuldades. “Penso que o prejuízo não será de longo prazo para o futebol feminino. Acho que o futebol feminino vai sofrer, obviamente, como toda a economia, mas vai retornar com muita força. CBF e os clubes estão caminhando juntos neste sentido, preservando empregos e prestando solidariedade às jogadoras. Este ano trouxe dificuldades totalmente fora do previsto”, afirmou o dirigente.

Em relação a um possível retorno breve dos campeonatos da modalidade, Romeu avalia que a entidade está refém da evolução do vírus. “Para pensarmos no retorno, precisamos da reativação da malha aérea, restaurantes, hotéis, arbitragem, ambulâncias... A parte da logística (de jogos) está ligada à evolução da pandemia em cada estado. E a gente precisa de mais umas semanas para ter uma avaliação mais concreta”, explicou o supervisor da modalidade, que diz que o planejamento da entidade é terminar calendário ainda em 2020. “Todo o planejamento, nesse momento, é na manutenção das competições. Logo, com o que é programado para 2020, ser realizado neste ano mesmo”, completou. 

Em território baré

Representantes do futebol feminino amazonense em campeonatos nacionais, Iranduba e 3B Sport vivem a paralisação com dificuldades e incertezas. Um dos percursores da modalidade no Amazonas, Olavo Dantas vê o momento atual dos dois clubes como um reflexo da administração de cada um. “Quando chegou a pandemia, o 3B tinha já uma situação tranquila, vai precisar somente modificar o planejamento. Já o Iranduba, que vinha em crise antes da paralisação, acabou recebendo um aporte que não teria com a paralisação até”, comentou Olavo.


Olavo foi um dos responsáveis pela criação do Iranduba, ainda no início dos anos 2010. Foto: Denir Simplício

Vale lembrar que o Hulk, que vive imbróglios com o patrocinador máster, recebeu R$ 120 mil da medida de auxílio emergencial disponibilizado pela CBF à base da pirâmide do futebol brasileiro. Já a Fera da Amazônia recebeu R$ 50 mil, valor destinado aos times que disputam a divisão de acesso. Segundo Olavo, a realização de competições movimenta todo um mercado. "Quando está tudo certo, muitas pessoas ganham dinheiro. Vamos usar de exemplo o jogo de acesso do Manaus, no ano passado. Imagine quantas camisa e quantos churrasquinhos foram vendidos ao redor do estádio. Então, querendo ou não, essa paralisação impacta todo mundo, principalmente, os clubes", completou o ex-dirigente. 

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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